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Dados da Previdência Social mostram
alta de 38% em concessões de auxílio-doença por saúde mental. Especialista do
CEJAM explica como a nova NR-1 exige das empresas um olhar integral para a
saúde psicossocial
Ambientes de trabalho têm se consolidado como um dos principais focos de atenção para a saúde mental
no Brasil. Um levantamento do Ministério da Previdência Social revelou um
aumento de 38% no número de concessões de auxílio-doença por transtornos
mentais e comportamentais em 2023, totalizando 288 mil afastamentos – a
terceira maior causa de licenças no país. Este cenário impulsiona uma mudança
estrutural na segurança ocupacional, que passa a incorporar
de forma explícita os riscos psicossociais como parte central das estratégias
de prevenção.
Para
o Dr. Rodrigo Lancelote, psiquiatra e diretor do
Centro de Atenção Integrada à Saúde Mental de Franco da Rocha (CAISM), unidade da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP)
e gerenciada pelo CEJAM (Centro de
Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”), a conexão entre o ambiente corporativo e o adoecimento é evidente.
“O desgaste mental está diretamente relacionado a
multifatores, como aspectos pessoais, genéticos,
contexto social, eventos de vida e ao trabalho. Portanto,
pode estar fortemente associado à organização das atividades, especialmente quando há fatores de risco psicossociais. Sobrecarga, alta demanda emocional,
desequilíbrio entre esforço e recompensa, assédio moral e jornadas prolongadas
criam um ambiente de estresse contínuo e favorecem o surgimento de quadros de
sofrimento psíquico", explica o especialista.
Um fenômeno silencioso, mas de grande impacto, é o presenteísmo: o
trabalhador permanece em atividade mesmo doente, com queda acentuada de
desempenho e concentração. Ao contrário do absenteísmo (a falta), o
presenteísmo é menos visível, mas provoca redução da produtividade, aumento de
erros e piora do quadro clínico, muitas vezes por receio de estigmatização ou
perda do emprego. No âmbito da saúde mental, costuma estar associado à
ansiedade, depressão, síndrome de burnout, o que evidencia a necessidade de
ambientes que promovam acolhimento, detecção precoce e cuidado apropriado.
Dados do INSS confirmam a gravidade da
situação. “Além da frequência, chama atenção a duração desses afastamentos, que
costumam ser mais longos e complexos do que em outras condições clínicas,
especialmente quando não há identificação precoce dos sinais nem intervenções
no ambiente de trabalho”, pontua. Entre os grupos mais vulneráveis estão as
mulheres, que respondem por cerca de 60% a 65% das ocorrências, além de
profissionais da saúde, educação e atendimento ao público.
Os sinais de alerta – fadiga, irritabilidade, dificuldade de
concentração e alterações no sono – são frequentemente naturalizados até que o
quadro se agrave. Nesse contexto, a atualização da Norma Regulamentadora nº 1
(NR-1) reforça a obrigação das organizações de identificar e gerir os fatores de
risco psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).
“Isso amplia o olhar das empresas, que
passam a considerar também fatores organizacionais e emocionais, muitas vezes
menos visíveis, mas com impacto direto na saúde dos trabalhadores”, destaca o
psiquiatra. “A prevenção é mais eficaz e sustentável do que atuar apenas após o
afastamento.”
Linha de Cuidado em Saúde Mental
As unidades gerenciadas pelo CEJAM seguem as diretrizes
das linhas de cuidado integrais que
conectam a atenção primária a serviços especializados, como
na Linha de Cuidado em Saúde Mental.
“No CEJAM, o atendimento em saúde mental é organizado a partir de
um acolhimento qualificado, seguido de acompanhamento multiprofissional, sempre
respeitando a singularidade de cada caso. Quando necessário, há encaminhamento
para outros pontos da rede assistencial, como os Centros de Atenção
Psicossocial, garantindo a continuidade do tratamento”, detalha Viviane Pressi
Moreira, gerente da UBS Jardim Aracati, gerenciada pelo CEJAM em parceria com a Secretaria
Municipal da Saúde de São Paulo (SMS-SP).
“Essa abordagem contínua permite intervenções precoces, reduz o
risco de agravamentos e contribui para a reabilitação psicossocial, com foco na
autonomia e no apoio às famílias”, finaliza Viviane.
CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”
@cejamoficial
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