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sexta-feira, 8 de maio de 2026

Maio Furta-Cor: saúde mental materna ainda é invisibilizada no Brasil, alerta Psicóloga Maiumi Souza

9 em cada 10 mães brasileiras apresentam sinais de burnout parental

 

O mês de maio, marcado pela campanha Maio Furta-Cor, propõe ampliar o debate sobre a saúde mental materna no Brasil, especialmente no período perinatal. Apesar do aumento das discussões nos últimos anos, o sofrimento psíquico de mães ainda é frequentemente invisibilizado ou tratado como parte natural da maternidade, o que dificulta o reconhecimento dos sintomas e o acesso ao cuidado.

 

Dados recentes evidenciam a dimensão do esgotamento materno no país. Uma pesquisa nacional realizada em 2024 pelas plataformas B2Mamy e Kiddle Pass aponta que 9 em cada 10 mães brasileiras apresentam sinais de burnout parental, com níveis que variam de moderado a grave. O levantamento foi divulgado em veículos como a revista Veja e revela a alta incidência de exaustão emocional entre mulheres que conciliam maternidade, trabalho e responsabilidades domésticas.

 

Outro levantamento conduzido pela plataforma De Mãe em Mãe, indica que apenas 9% das mães não apresentam sintomas relevantes de esgotamento, enquanto a grande maioria relata sobrecarga constante no cotidiano. Os dados reforçam que o adoecimento psíquico materno não é um fenômeno isolado, mas um reflexo de condições estruturais que impactam diretamente a experiência da maternidade no país.

 

Entre os quadros mais comuns relacionados à saúde mental materna estão a depressão pós-parto e os transtornos de ansiedade, que podem surgir ainda na gestação ou nos primeiros meses após o nascimento do bebê. A depressão se manifesta por sintomas como tristeza persistente, exaustão, culpa intensa e dificuldade de conexão com a criança, enquanto a ansiedade aparece em forma de preocupação constante, medo excessivo e pensamentos intrusivos, muitas vezes silenciosos e subdiagnosticados. Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde, cerca de 13% das mulheres no pós-parto apresentam transtornos mentais, sendo essas condições ainda mais frequentes em contextos de vulnerabilidade social e ausência de rede de apoio. Em muitos casos, esses sinais são naturalizados como parte da maternidade, o que atrasa o reconhecimento do sofrimento e o acesso ao cuidado adequado.

 

Para a psicóloga Maiumi Souza, especialista em Gestalt-Terapia e Desenvolvimento Infantil, romper com a naturalização do sofrimento materno é um passo essencial para ampliar o cuidado.

 

“A saúde mental materna ainda é tratada como um tema secundário, quando, na verdade, ela sustenta toda a experiência do cuidado. Muitas mulheres atravessam o puerpério em silêncio, lidando com exaustão, ansiedade e solidão, sem nomear o que estão sentindo. Quando o sofrimento é naturalizado, ele deixa de ser reconhecido como algo que precisa de cuidado. E isso adoece”, afirma.

 

A especialista destaca que o impacto não se limita às mães, mas também alcança o desenvolvimento das crianças. Segundo ela, o vínculo afetivo é construído a partir da disponibilidade emocional do cuidador, o que pode ser comprometido em contextos de esgotamento e ausência de suporte.

 

“A maternidade não acontece isoladamente. Quando não há rede de apoio, quando o cuidado é concentrado em uma única pessoa, o risco de adoecimento aumenta. Cuidar da saúde mental das mães é também cuidar do desenvolvimento emocional das crianças. Não é uma escolha individual, é uma responsabilidade coletiva”, completa.

 

A campanha Maio Furta-Cor surge justamente como um convite à escuta e à construção de uma cultura que reconheça a complexidade da maternidade, valorizando o cuidado com quem cuida e ampliando o acesso a suporte psicológico e social.


 

Maiumi Souza - psicóloga, especialista em Gestalt-Terapia, Maternidade e Desenvolvimento Infantil, com atuação voltada à saúde mental de mulheres, mães, crianças e famílias. Sua prática clínica integra saberes da neurociência, psicologia do desenvolvimento e estudos sobre trauma, com uma escuta ética que considera os atravessamentos de raça, gênero e classe nas experiências psíquicas.


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