Levantamento aponta desconhecimento, diagnóstico tardio e invalidação da dor como principais desafios
No Dia Internacional da Luta contra a Endometriose, marcado em 7 de maio, uma pesquisa inédita alerta sobre o desconhecimento da doença no Brasil: 4 em cada 10 mulheres não sabem detalhes sobre a condição e 30% nunca buscaram informações sobre o tema¹. Os dados reforçam um cenário de subdiagnóstico (quando a doença não é identificada) e atraso no tratamento de uma condição que atinge milhões de brasileiras e impacta diretamente a qualidade de vida, a saúde mental e a fertilidade.
A endometriose é uma doença inflamatória crônica que afeta cerca
de 10% das mulheres e meninas em idade reprodutiva no mundo, o equivalente a
aproximadamente 190 milhões de pessoas². No Brasil, estimativas do Ministério
da Saúde indicam prevalência entre 5% e 15% de mulheres convivendo com a
condição³.
O levantamento, o realizado pela Ipsos, a pedido da Bayer, com 800
mulheres entre 18 e 60 anos de idade em todo o Brasil, ainda mostra que, embora
10% das mulheres tenham diagnóstico confirmado, outras 13% suspeitam ter
endometriose, evidenciando uma lacuna importante entre sintomas e confirmação
médica. Em média, o diagnóstico leva 3,8 anos para ser estabelecido, período
marcado por dor intensa, insegurança e múltiplas consultas. Entre os primeiros
sintomas relatados estão dor pélvica crônica - também conhecidas como “cólicas
menstruais” (52%), inchaço abdominal (52%), sangramento intenso (44%) e dor
durante relações sexuais (42%).¹
Além da demora no diagnóstico, a pesquisa revela um problema
estrutural: a invalidação da dor feminina. Entre as mulheres diagnosticadas,
77% afirmam já ter tido seus sintomas minimizados ou desconsiderados. Esse
descrédito ocorre principalmente no ambiente familiar (41%) e no atendimento
médico, com 32% apontando ginecologistas como fonte de invalidação. Quase
metade das entrevistadas (46%) ouviu que os sintomas poderiam ser resultado de
estresse ou cansaço, enquanto 45% foram classificadas como “dramáticas” ou
“exageradas”.
“Mesmo com tantos avanços nas discussões sobre saúde da mulher,
ainda vemos um grande negligenciamento quando o assunto é dor e incômodo – e o
atraso no diagnóstico da endometriose é um reflexo disso. É preciso que haja
uma escuta ativa do relato da paciente, tanto no ambiente familiar quanto nos
serviços de saúde, para transformarmos esse cenário”, afirma o ginecologista
Rodrigo Mirisola.
A situação também evidencia desigualdades no acesso ao cuidado:
dados do Sistema Único de Saúde (SUS) mostram aumento de 76,2% nos atendimentos
relacionados à endometriose entre 2022 e 2024, passando de 82.693 para 145.744
registros4. Apesar desse crescimento, a pesquisa aponta que
barreiras como longas filas para consultas com especialistas (41% entre
usuárias do SUS) e dificuldade de acesso a exames e tratamentos adequados ainda
são persistentes.¹
No contexto do tratamento, o sistema público e o privado ainda são marcados por diferenças importantes. Enquanto 50% das usuárias do SUS receberam indicação de pílulas anticoncepcionais, 67% receberam tal orientação na rede privada. Procedimentos mais complexos, como a cirurgia por videolaparoscopia, foram ofertados a 20% das pacientes do SUS, contra 55% na rede privada. Já o DIU hormonal, uma das opções terapêuticas, foi indicado a apenas 15% das mulheres, com maior acesso entre as mulheres de maior renda.
Para o especialista, a redução do tempo entre o diagnóstico e o tratamento e o acesso a terapias diversas são alguns dos pilares fundamentais para garantir um equitativo à saúde: “encurtar a jornada da paciente é um ato de respeito e legitimação da sua dor, bem como promover alternativas eficazes para individualizar a terapia, promovendo o cuidado mais adequado e oportuno para cada mulher”.
Bayer
www.bayer.com
Referências:
¹
Ipsos. Pesquisa Saúde Feminina, encomendada pela Bayer. 2025. Estudo online
realizado pela Ipsos a pedido de Bayer S/A nas 5 regiões do Brasil entre
21/08/2025 e 26/08/2025. Foram realizadas 800 entrevistas entre mulheres de 18
a 60 anos e de classe ABCDE. Margem de erro de 3,5 p.p.
²
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Endometriosis. Disponível em: . Acesso em: 13 abr.
2026.
³
JORNAL DA USP. Endometriose atinge até 15% das mulheres em idade reprodutiva no
país. São Paulo, 18 mar. 2026. Disponível em: . Acesso em: 13 abr. 2026.
4
BRASIL. Ministério da Saúde.
Endometriose: atendimentos na atenção primária do SUS crescem 76,2% em três
anos e impulsionam debate. Brasília, DF, 8 abr. 2025. Disponível em: . Acesso
em: 13 abr. 2026.
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