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sexta-feira, 21 de julho de 2023

O que fazem os agentes de integração?

Entenda qual a função dessas empresas na contratação de estagiários

 

O estágio representa a principal oportunidade para a maioria dos estudantes brasileiros ingressarem no mercado de trabalho. Por meio dessa experiência, eles aplicam todo o conhecimento adquirido em sala de aula, vivenciam o dia a dia do mundo empresarial e recebem uma compensação financeira. Portanto, trata-se de uma iniciativa de grande relevância e, nesse contexto, os agentes de integração desempenham um papel crucial ao estabelecerem a conexão entre todas as partes envolvidas nessa relação. Quer entender mais sobre esse tema? Detalharei no decorrer deste artigo.

 

O que são os agentes de integração e qual seu papel?

 

Essas empresas são responsáveis pela ligação entre a contratante, o colaborador e a instituição de ensino. Cada uma delas possui sua própria abordagem e oferece diversas possibilidades aos seus clientes. Os serviços mais comuns incluem a divulgação de vagas, atração de interessados, realização de processos seletivos e seleção do candidato mais adequado.

 

Além disso, os agentes assumem a responsabilidade pela administração do contrato desses iniciantes, eliminando qualquer possibilidade de irregularidades e mantendo o acordo em conformidade com a lei. Devido à sua experiência no assunto e ao amplo alcance, eles proporcionam benefícios às corporações. Cuidam de todo o processo, oferecem praticidade, economia de tempo e segurança para todas as partes envolvidas.

 

Com o aumento do trabalho remoto, a busca por talentos se expande para qualquer lugar do país e do mundo. Portanto, contar com essas ferramentas auxiliará significativamente os gestores na busca pelo candidato ideal para integrar suas equipes em meio a uma enorme quantidade de estudantes ansiosos por essa oportunidade. Em nosso site, há a página de associados, onde estão as principais companhias desse segmento. Todas elas contam com a nossa confiança e possuem know how no assunto.


 

O que os estagiários agregam em uma empresa?

 

As organizações desfrutam de diversas vantagens ao contratar estagiários. Em primeiro lugar, esses indivíduos não possuem vícios profissionais anteriores e isso permite moldá-los de acordo com a cultura e os objetivos do negócio, tornando-se potenciais funcionários no futuro. Eles já estarão familiarizados com as regras, costumes e metas do local.

 

Além disso, esses jovens estão antenados às tendências atuais e possuem uma grande capacidade de inovação. Isso ocorre porque a modalidade requer matrícula em uma instituição de ensino superior, profissional, médio, de educação especial, ou nos anos finais do ensino fundamental, na modalidade profissional da educação de jovens e adultos - EJA. Quem faz pós-graduação, MBA, mestrado e doutorado também têm essa possibilidade. Para isso acontecer, basta constar no projeto pedagógico.

 

Devido ao fato de não se configurar como um vínculo empregatício, as contratantes estão isentas de encargos trabalhistas, como Fundo de Garantia do Tempo de Serviço - FGTS, Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, 1/3 sobre férias, multa rescisória de 40% e 13º salário. O contrato de estágio pode ser rescindido a qualquer momento por qualquer um dos participantes sem a necessidade de aviso prévio. Nesse caso, a reposição é rápida. Afinal, existem 17,4 milhões de brasileiros disponíveis para essa aventura, mas apenas 900 mil, pouco mais de 5%, têm esse privilégio, conforme o último censo Inep/MEC.

 

Quem está apto a efetuar esse tipo de contratação? De acordo com a legislação, pessoas jurídicas de direito privado e os órgãos da administração pública direta, autárquica e fundacional de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, bem como profissionais liberais devidamente registrados em seus respectivos conselhos de fiscalização, podem oferecer essas admissões. Portanto, médicos, dentistas, engenheiros, arquitetos e advogados, por exemplo, têm essa possibilidade.

 

Os estagiários têm direito a receber uma bolsa-auxílio. Não há um valor pré-determinado por lei, mas é interessante oferecer uma quantia compatível com o custo de vida no local, os requisitos exigidos e as demandas do cargo. Afinal, esse dinheiro é utilizado, muitas vezes, para arcar com os estudos, ajudar nas contas de casa ou até mesmo sustentar um lar. Inclusive, esse fator é um diferencial para atrair os melhores aspirantes. Caso a remuneração ultrapasse a faixa de isenção da Tabela do IRRF (Imposto de Renda Retido na Fonte), um desconto na fonte pode ocorrer.

 

Quando há necessidade de deslocamento, é obrigatório o pagamento do auxílio transporte. Logo, no formato de atuação remota, essa questão é dispensada. Para otimizar ao máximo essa vivência, a carga horária é limitada em seis horas diárias e 30h semanais. Dessa forma, o aluno concilia o ambiente acadêmico com o laboral. Ainda, existe o direito a um período de recesso remunerado de 30 dias a cada 12 meses (ou proporcional). Aconselho sempre os estudantes a combinar esse momento com as férias escolares, para a garantia de um descanso completo ou realizar uma viagem com a família, passear com os amigos, colocar em prática algum projeto pessoal, entre outros.

 

Outro ponto interessante é o impacto positivo na sociedade. Devido à exigência de estar matriculado em uma instituição de ensino, o estágio ajuda a evitar a evasão escolar. Em um país com altas taxas de desemprego como o nosso, essa oportunidade é valiosa. O indivíduo adquire experiências pessoais e profissionais únicas em sua vida. Portanto, é crucial para a construção de sua carreira. Ainda, coloca insere novos consumidores no mercado, fazendo girar a roda da economia.


 

Como faço para contratar estagiários?

 

Após concluir todo o processo seletivo e selecionar o melhor estudante, é realizado o procedimento de assinatura do Termo de Compromisso de Estágio - TCE. Esse documento deve conter todas as informações relativas ao acordo estabelecido. Além disso, é celebrado um Seguro de Acidentes Pessoais. Ele oferece cobertura para incidentes ocorridos durante o período de vigência do compromisso, 24 horas por dia, em todo o território nacional. Os valores segurados abrangem casos de morte ou invalidez permanente, total ou parcial.

 

Portanto, abra as portas do seu negócio para essa juventude motivada, ávida por mostrar seu potencial e contribuir para o desenvolvimento. Dessa forma, além de fortalecer sua equipe, você estará colaborando com a economia e a educação do Brasil. Essa luta é de todos nós. Conte com a Abres!

 

Carlos Henrique Mencaci - presidente da Associação Brasileira de Estágios - Abres


Essa Barbie é uma investidora: 4 lições de investimentos para fãs (ou não)

Essa semana, todo mundo só pensa em uma coisa: a estreia do filme da Barbie! Enquanto nossas redes sociais e até a página inicial do Google são contaminadas por rosa na preparação para esse lançamento, pensamos que essa é uma boa oportunidade de fazer o maior crossover de todos os tempos: o que a Barbie (e o hype do filme) nos ensina sobre investimentos? 

 

Lição 1: Diversificar é a melhor estratégia 


Barbie Sereia, Barbie Astronauta, Barbie Ganhadora do Pulitzer... tem Barbie de todos os tipos e para todos os gostos. Da mesma forma, tem investimentos para todos os tipos de investidor: pra quem não gosta de correr riscos, pra quem é mais arrojado ou é ligado no metaverso. 

 

Nas duas situações, a estratégia é a mesma: diversificar. Assim como a Barbie tem várias opções de carreira (ser sereia conta como carreira, né?), a estratégia ideal de investimentos também tem mais de um tipo de ativo, prazo e até região. Seja seu perfil conservador, moderado ou agressivo, ao diversificar seu portfólio de investimentos você está mais bem preparado para aproveitar oportunidades e reduzir riscos — caso um dos seus investimentos vá mal, outro pode ir bem e te ajudar a não sair perdendo. No longo prazo, esse efeito é ainda mais perceptível. E por falar em longo prazo...


 

Lição 2: Foco no longo prazo 


A Barbie surgiu em 1959 e só ganhou um filme live action em 2023, mais de 50 anos depois. Ao longo desses anos, a boneca se estabeleceu como parte da cultura pop e ganhou relevância, um processo longo, mas que valeu a pena — basta ver a repercussão do filme na rede social mais próxima, mesmo antes do lançamento. Da mesma forma, focar na construção do seu patrimônio no longo prazo traz bons resultados: com seu dinheiro investido por mais tempo, é possível buscar rentabilidades bem mais atrativas para o seu futuro. Para isso, é importante definir bem quais são os seus objetivos, mas sem perder de vista a lição 3 deste texto. 


 

Lição 3: Seja adaptável 


Lá nos anos 50, a Barbie era dona de casa. Os tempos mudaram e, com eles, a Barbie começou a refletir novos sonhos infantis: ser diplomata, médica e até presidente. Apareceram bonecas com cabelos, tons de pele e roupas diferentes — tudo para refletir a mudança nas aspirações e na sociedade. Essa adaptação e ajustes ao longo do tempo foram essenciais para a Barbie se tornar um ícone e ser objeto de desejo até hoje. 

 

Seus investimentos também devem se adaptar aos novos tempos — não é porque uma estratégia funcionou bem até ontem que ela também é boa para o futuro. Por isso, é importante sempre rever sua carteira de investimentos e fazer ajustes de acordo com mudanças de cenário e perspectivas, mantendo sua carteira balanceada para aproveitar da melhor forma o que vem por aí.

  

A gente te ajuda com isso todos os meses no nosso Onde Investir, com nossas recomendações de como se posicionar (e onde colocar seu dinheiro) conforme o cenário vai mudando no Brasil e no mundo. 


 

Lição 4: Não siga o efeito manada 


Se você ouviu falar tanto de Barbie que também ficou com vontade de entrar no hype, o efeito manada já te alcançou. Ver ou não um filme não é uma decisão tão grande assim, mas é importante não se deixar contaminar quando o assunto é investimento. O controle emocional é essencial na gestão do seu dinheiro, e tomar uma decisão baseada no que os outros estão fazendo pode não ser a melhor opção. Foque nos seus objetivos e estude bastante para sempre tomar decisões bem-informadas, evitando mudanças bruscas que podem doer no seu bolso. 

 

Com essas dicas, todo mundo pode ser uma Barbie Investidora — e quem sabe não lançam essa versão da boneca até o fim do ano?   

Agora, se você ainda investe na poupança... você é só o Ken

 

Júlia Aquino - analista da Rico


Nova enzima pode impulsionar a produção sustentável de combustível para aviação

Biocatalisador identificado por pesquisadores brasileiros
tem potencial de resolver gargalo tecnológico e produtivo
para a fabricação de biocombustíveis renováveis e outros
bioprodutos, como bioplásticos e biopolímeros
(
imagem: arquivo do pesquisador)

Nas últimas décadas, cientistas têm se dedicado a procurar soluções para melhorar o processo de fabricação sustentável dos biocombustíveis a partir de fontes renováveis. O mais recente avanço nesse campo foi anunciado por pesquisadores brasileiros há cerca de dois meses e pode impulsionar a produção de biocombustível para transporte aéreo e marítimo.

“Após três anos e meio de pesquisa, identificamos uma enzima que pode substituir os catalisadores tradicionais utilizados em rotas termoquímicas para a produção de bioquerosene de aviação [Sustainable Aviation Fuel ou SAF]”, diz Letícia Zanphorlin, coordenadora do estudo e pesquisadora líder do Laboratório Nacional de Biorrenováveis do Brasil (LNBR) do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM).

A enzima descoberta pelo grupo do CNPEM chama-se descarboxilase ou OleTPRN e pertence à classe das citocromo P450. Trata-se de uma metaloenzima proveniente da bactéria Rothia nasimurium e promete ser a chave para o desenvolvimento de novas rotas biotecnológicas para a produção de hidrocarbonetos renováveis para a aviação a partir de diferentes matérias-primas: biomassas oleaginosas (originárias da soja, macaúba ou milho, entre outros) ou lignocelulósicas (de fontes como o bagaço ou a palha da cana e da indústria do papel).

“Em comparação com os catalisadores convencionais ou químicos, a nova enzima faz a reação de descarboxilação de ácidos graxos (reação química que leva à cisão carbono-carbono e causa a remoção do grupo carboxila dos ácidos graxos) com alto rendimento e é seletiva para diferentes tamanhos e tipos de cadeia de carbono. Ela promove a desoxigenação, que é um dos grandes entraves para a produção de SAF”, explica Zanphorlin.

A pesquisadora explica que o oxigênio pode causar danos às peças e motores das aeronaves. Isso ajuda a entender por que os biocombustíveis já produzidos em larga escala pelo Brasil, como etanol e biodiesel, não são usados em aviões e explica a demanda por novos biocatalisadores. Em geral, os catalisadores convencionais utilizados em rotas para produção de combustível de aviação são produzidos à base de metais, como cobalto, platina, níquel e paládio. “Esses catalisadores metálicos, para efetuarem a reação de desoxigenação, são aplicados em condições severas, de altas temperatura e pressão, podendo causar danos ao ambiente, produzindo resíduos tecnológicos e levando a perdas de rendimentos”, diz a cientista.

O estudo, publicado em Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), foi apoiado pela FAPESP por meio de quatro projetos (18/04897-919/08855-119/12599-0 e 20/01967-6).

Os autores do artigo afirmam que as enzimas atuam como catalisadores biológicos, acelerando reações químicas nos diversos organismos vivos presentes na natureza. No estudo em questão, a enzima é capaz de converter, em um único passo, ácidos graxos em alcenos (olefinas), um tipo de hidrocarboneto e importante intermediário químico.

Ácidos graxos são componentes essenciais dos lipídios, classe de compostos orgânicos que abrange gorduras, óleos e que pode ter origem a partir de plantas, animais e microrganismos.

A descoberta e elucidação dos mecanismos moleculares da nova enzima são fruto de uma abordagem multidisciplinar. Os pesquisadores utilizaram bancos de dados públicos em busca de enzimas com propriedades e funções específicas. A busca foi guiada por ferramentas de bioinformática e dados genômicos de microrganismos. A enzima em potencial foi estudada em nível atômico com uso de luz síncrotron, um tipo de radiação eletromagnética extremamente brilhante que, ao incidir sobre cristais de proteína, causa a difração dos elétrons ali presentes, permitindo aos cientistas elucidar a sua estrutura tridimensional.

“Avaliamos a posição de cada aminoácido que compõe a estrutura atômica dessa enzima e mapeamos suas interações intermoleculares com o ácido graxo”, descreve Zanphorlin. Foi aí que os pesquisadores vislumbraram todas as possíveis aplicações da descoberta.

Paralelamente ao trabalho no laboratório, outras equipes de profissionais do CNPEM trabalharam no registro da patente e na produção de avaliações técnicas, econômicas e ambientais dessas rotas de base biológica, que devem ser publicadas em breve.

“A enzima estudada teve a patente depositada em 2021. Esse é um dos grandes diferenciais do CNPEM: temos a oportunidade de desenvolver a tecnologia, escalonar em planta-piloto e num ambiente industrialmente relevante e realizar avaliações técnicas, econômicas e ambientais que nos ajudam a identificar possíveis pontos de melhorias na inovação em desenvolvimento”, relata a cientista.

As possibilidades de produção de combustíveis adequados à aviação com a ajuda da nova enzima são animadoras, segundo os pesquisadores. “No que se refere a resíduo lignocelulósico proveniente da cana-de-açúcar, atualmente o Brasil gera cerca de 150 milhões de toneladas de massa seca e isso pode ser aumentado sem gerar impacto ao meio ambiente”, exemplifica a pesquisadora.

Para a implementação dessa tecnologia seria necessário fazer adaptações no parque industrial de produção do biocombustível, mas seu uso e distribuição poderiam compartilhar da infraestrutura já utilizada pelos combustíveis de origem fóssil, que tem potencial para providenciar um combustível <>drop-in, com função idêntica aqueles à base de petróleo.

A equipe de pesquisa também se mostra otimista quanto ao impacto futuro em diversos setores industriais. “A versatilidade dessa enzima permite que seja adaptada para uso em diferentes setores. As olefinas, que são produzidas pela reação enzimática, são a base de aproximadamente dois terços da indústria química nos dias atuais para a produção, principalmente, de polímeros e plásticos. Isso abrange diferentes áreas, como alimentícia, cosmética, farmacêutica, transporte”, avalia a pesquisadora.

O artigo Dimer-assisted mechanism of (un)saturated fatty acid decarboxylation for alkene production pode ser lido em: https://www.pnas.org/doi/10.1073/pnas.2221483120.

 

Mônica Tarantino
Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/nova-enzima-pode-impulsionar-a-producao-sustentavel-de-combustivel-para-aviacao/41934/


Os Tribunais de Contas e o controle dos ajustes com o Terceiro Setor

                 Desde a reforma administrativa do Estado nos anos 1990, a formação de ajustes entre a Administração Pública e as entidades privadas sem finalidade lucrativa, que compõem o chamado Terceiro Setor, cresceu e se consolidou como uma forma de prestação de atividades de interesse coletivo em áreas como saúde, educação, cultura e esportes, que passaram a contar com maior participação de instituições privadas fomentadas pelo repasse de recursos públicos, fornecimento de servidores e bens estatais. 

                 A legislação brasileira prevê diversos regimes e instrumentos para esses acordos: o Contrato de Gestão com as Organizações Sociais, as OS’s (Lei n. 9.637/1998); o Termo de Parceria com as Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público, as OSCIP’s (Lei n. 9.790/1999); e o Termo de Colaboração, o Termo de Fomento e o Acordo de Cooperação com a as Organizações da Sociedade Civil, as OSC’s (Lei n. 13.019/2014). À exceção deste último tipo de ajuste, os demais possibilitam o repasse de recursos públicos para a entidade executar ações que pressupõem o interesse de toda a sociedade. 

                 Em muitos casos, ocorre a transferência de grandes quantias de verba do erário para o alcance da finalidade do acordo e de suas metas pactuadas. Em linhas gerais, a lógica seguida é a do repasse financeiro para o desenvolvimento das atividades, de acordo com estimativas relacionadas aos custos dos serviços prestados.  

                 Não há, como nos tradicionais contratos administrativos regidos pelas Leis 8.666/1993 e 14.133/2021, a lógica de que a cada prestação do particular corresponde uma contraprestação financeira da Administração para remunerá-la. Nos ajustes com o Terceiro Setor, são transferidos recursos que devem ser administrados pela entidade para realizar as finalidades da parceria, pois o seu pressuposto é de que há mútua colaboração entre as partes envolvidas para o alcance de um mesmo fim. 

                 Justamente nesse ponto reside o debate a respeito do tipo de controle dos Tribunais de Contas sobre esses instrumentos, que possuem características peculiares. Seria essa fiscalização voltada apenas para aferir o alcance das finalidades e das metas ou haveria a possibilidade de se analisar os custos operacionais e o emprego dos valores? 

                 Tenho defendido, há bastante tempo (TCs 025593/026/12 e 032947/026/13), a necessidade de que o controle sobre essas parcerias recaia não apenas sobre o cumprimento ou não das metas e finalidades previstas, mas também sobre os custos operacionais envolvidos na gestão dos serviços, como forma de verificar a economicidade e a moralidade dessa atuação realizada em prol da coletividade. Duas razões têm me levado a sustentar esse posicionamento. 

                 Em primeiro lugar, os valores repassados possuem natureza pública e devem ser destinados à realização de determinados propósitos sociais, a serem exercidos de acordo com os princípios da legalidade, moralidade, eficiência, economicidade, publicidade e impessoalidade.  

                 Assim, é necessário observar se o ajuste foi construído de acordo com esse conjunto de normas constitucionais, bem como se os objetivos desse contrato firmado atendem esses mandados de otimização. 

                 Vale destacar, ainda neste ponto, que os números envolvidos nos repasses são consideráveis, conforme dados reunidos no Painel do Terceiro Setor do TCESP[1]. Em 2022, no âmbito estadual, as transferências somaram mais de R$ 15,5 bilhões. No mesmo período, os 644 municípios jurisdicionados ao TCE-SP, o que exclui a Capital, repassaram quase R$ 20,3 bilhões. 

                 Em segundo lugar, não têm sido raros os casos em que os valores repassados são utilizados de modo divorciado dos princípios citados acima. Verifica-se nas fiscalizações realizadas pelo TCESP, a título de exemplo: a contratação de serviços jurídicos ou contábeis de escritórios de pessoas que têm relação de parentesco com dirigentes das entidades; o registro de profissionais com carga horária em quantidade mensal a superar as 24h por dia durante todo o período; e rateio de custos operacionais entre diversos contratos de gestão, sem individualização ou demonstração mínima dos custos envolvidos em cada um, o que pode levar à dupla ou tripla remuneração pelo mesmo gasto. 

                 Com base nesses fatos, entendo que o controle deve incidir para avaliar os custos operacionais das entidades, para compreender, por exemplo, quais os valores envolvidos, as bases sobre as quais são calculados, onde e como os recursos repassados são aplicados, entre outras coisas. Porque, ao fim, são aspectos que se ligam diretamente à proteção dos valores constitucionais do manejo da coisa pública, na tutela dos interesses da coletividade. 

 

Dimas Ramalho - Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo 

 

Recorde no endividamento: especialista aponta 7 motivos para explicar a perda de controle das próprias dívidas

No último ano, o Brasil bateu recorde de inadimplentes. Governo federal lançou programa para ajudar na situação e pode alcançar até 70 milhões de pessoas 



No Brasil, estima-se que o número de endividados tenha batido recorde no último ano. Dados da PEIC, Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, apontam que os dois indicadores alcançaram seus maiores níveis. Esse foi o ponto de partida para que o governo federal tenha lançado, na última semana, o programa “Desenrola”, que tem o objetivo de possibilitar a renegociação de dívidas e pode beneficiar até 70 milhões de brasileiros.

Mas diante de uma situação tão alarmante, o que explicaria tanto endividamento? Por que as pessoas, a cada dia que passa, se endividam mais? Conversamos com a mentora high performance para empresários Carina Costa, que apontou sete motivos capazes de explicar a má gestão do próprio dinheiro (ou da falta dele).

“O endividamento é um problema comum que afeta milhões de pessoas não só no Brasil, mas em todo o mundo. Existem diversos motivos que levam ao endividamento, e é importante entender essas causas para encontrar soluções eficazes”, diz.


1. Desemprego ou redução de renda

Perder o emprego ou ter uma redução significativa na renda pode causar sérios problemas financeiros e, em muitos casos, é exatamente o que acontece, principalmente depois da pandemia de covid-19. A falta de um fluxo de caixa estável torna difícil honrar os compromissos financeiros, levando ao endividamento.


2. Má gestão financeira

Carina aponta que a falta de habilidades de gestão financeira é uma das principais razões para o endividamento. Muitas pessoas não têm um planejamento adequado, não controlam seus gastos, não economizam e acabam gastando mais do que ganham. Isso leva ao acúmulo de dívidas e dificuldades financeiras.


3. Uso excessivo de cartões de crédito

O uso irresponsável de cartões de crédito é um fator significativo no endividamento. A falta de controle nos gastos, juntamente com altas taxas de juros, pode levar a um ciclo vicioso de dívidas crescentes.


4. Influência do consumismo

A pressão social e a cultura do consumismo podem levar as pessoas a gastarem além de suas possibilidades. A busca por status, aquisição de bens materiais e a necessidade de acompanhar as tendências podem ser um péssimo negócio.


5. Despesas médicas imprevistas

Problemas de saúde podem surgir de forma inesperada e gerar altos custos médicos. Sem uma reserva financeira adequada ou um plano de saúde, o custo com despesas médicas pode ficar maior do que o esperado.


6. Emergências financeiras

Situações de emergência, como reparos inesperados em casa, problemas no carro ou desastres naturais, podem exigir despesas imediatas e significativas. Se as pessoas não tiverem uma reserva de emergência, podem recorrer a empréstimos ou cartões de crédito para lidar com essas situações, o que não é o ideal, visto que irá criar ou aumentar uma dívida.


7. Falta de educação e consciência financeira

No último item da lista, a especialista aponta que a falta de conhecimento sobre finanças pessoais, investimentos e dívidas pode levar ao endividamento. Sem as habilidades e o conhecimento necessários para gerenciar as finanças de forma eficaz, as pessoas estão mais propensas a entrar em dívidas.

Carina ainda aponta que é importante reconhecer cada um desses motivos para que seja possível buscar maneiras de evitá-los ou superá-los. Experiente, a especialista está prestes a lançar um livro, de título “O despertar do coma financeiro: Vencendo o Fracasso para alcançar o verdadeiro sucesso”, que conta relatos verdadeiros sobre alguém que vivenciou a mesma situação de endividamento e conseguiu superar.

No livro, a autora relata a sua própria história e fornece um guia prático para ajudar os leitores a enfrentarem suas próprias crises financeiras. Em quase 230 páginas, ela explora estratégias eficazes para sair das dívidas, recuperar o controle financeiro e desenvolver uma mentalidade próspera e empreendedora, além de compartilhar ferramentas e recursos valiosos para ajudar os leitores a reconstruírem suas vidas e alcançarem a independência financeira.


Falta de oportunidade e problemas financeiros impactam inserção de jovens no mercado de trabalho

Especialista dá dicas de como se sair bem nas entrevistas, mesmo para aqueles sem experiência




A taxa de participação no mercado de trabalho está abaixo até mesmo do que durante o período da pandemia do COVID-19, de acordo com um estudo divulgado em maio pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Enquanto esse padrão se mantém constante para todas as cinco faixas etárias analisadas pela pesquisa, a diferença é especialmente maior entre os mais jovens.

Os motivos contribuintes para estes números são diversos. Eles podem variar desde algo positivo, como uma possibilidade de maior foco dos jovens em seus estudos, como o contrário: a falta de acesso a cursos de qualificação profissional e técnica, que são os principais fatores que contribuem para melhores oportunidades no mercado de trabalho. Esses aspectos, unidos, acabam desencadeando um efeito dominó, uma vez que a falta da especialização impacta diretamente na ausência de experiência e conhecimento e, por consequência, menores chances para que os jovens deem seu primeiro passo na carreira.

“Hoje em dia, os cargos para quem está começando em uma determinada área, exigem um certo tempo de atuação, então antes de conseguir o meu emprego eu nunca conseguia nem passar da primeira fase”, explica Valéria Melo de Sousa, assistente de mídias sociais da iniciativa privada de financiamento estudantil, Pravaler. A jovem de 19 anos é estudante de publicidade e propaganda, e é uma das exceções dentre sua faixa etária a já conseguir um cargo efetivado no ramo.

Uma vez que a falta de experiência profissional possa ser uma grande barreira para os brasileiros que buscam o primeiro emprego, a importância de investir em um portfólio de vivências acadêmicas se faz imperativa. Outra pesquisa do IBGE, realizada em 2021, aponta que 72% dos brasileiros que concluíram o ensino superior estavam empregados. Portanto, a importância de investir em uma graduação de qualidade é essencial para impulsionar-se no mercado. Mas, muitas vezes, principalmente para estudantes mais jovens, permanecer estudando pode ser um outro desafio por si só.

Uma pesquisa realizada pela Workalove, edtech especializada em orientação e desenvolvimento de carreiras, em parceria com o Instituto Semesp, apontou que os problemas financeiros são o principal motivo para os estudantes abandonarem seu curso, se fazendo presente, principalmente para os veteranos (38,2%) e concluintes (38,7%). Nesses casos, muitos dos estudantes recorrem a iniciativas de financiamento, como o próprio Pravaler, que permite que jovens deem continuidade à sua graduação, colaborando com as experiências educacionais e abrindo portas profissionais para jovens, como a Valéria, a darem o primeiro passo no mercado de trabalho.

Além dos problemas financeiros, a pesquisa também aponta que pelo menos 23,4% dos estudantes em diversos momentos de sua jornada acadêmica têm receio em não conseguir um emprego em sua área de formação. Além disso, 21,87% dos concluintes temem não conseguir qualquer oportunidade de emprego.

“Visto que a graduação tem um impacto significativo ao garantir essas oportunidades, outro aspecto fundamental diz respeito ao próprio indivíduo e à impressão causada por ele em um ambiente profissional”, comenta Ottilia Duarte, head de Cultura, Engajamento, Desenvolvimento e Remuneração do Pravaler, que listou cinco dicas para ajudar os jovens a se destacarem em suas entrevistas de emprego, mesmo sem experiências profissionais anteriores.


· Pesquise sobre a empresa antes da entrevista

Chegar no futuro emprego já sabendo um pouco sobre a cultura, valores e principais projetos da organização demonstra interesse e dedicação pela vaga.

· Tenha uma postura confiante

Manter a cabeça erguida e o contato visual com o entrevistador são dois fatores imprescindíveis para demonstrar confiança em suas habilidades e capacitações por meio da linguagem corporal.



· Destaque suas habilidades

Por mais que o entrevistador já tenha lido seu currículo, é sempre bom apresentar mais sobre você no momento da entrevista. Mesmo sem experiências anteriores, destacar qualidades pessoais e outras habilidades é uma ótima maneira de conquistar uma boa imagem profissional.


· Reconheça seus defeitos

É muito comum, em entrevistas de emprego, que sejam questionados os defeitos do candidato, então é essencial estar preparado para lidar com essas perguntas de uma forma honesta. Nesse caso, não desvie do assunto, reconheça seus pontos fracos e busque demonstrar interesse em melhorar.


· Valorize seu potencial

Outro aspecto importante sobre ter confiança é saber seu valor e como você poderá agregar e contribuir para o crescimento da empresa. Trata-se de utilizar todos os itens previamente citados a seu favor, garantindo uma boa impressão na entrevista e assegurando ao entrevistador que contratá-lo será benéfico para ambos os lados.

 

Pravaler

 

Sudão: equipe de MSF enfrenta agressões físicas, ameaças de morte e roubos em Cartum

Assistência médica na cidade, afetada por conflitos desde abril, se encontra em risco


Ontem (20/7), quatro profissionais de Médicos Sem Fronteiras (MSF), quatro motoristas e uma equipe de outros 10 trabalhadores foram parados por um grupo de homens armados enquanto transportavam suprimentos médicos para o Hospital Turco, no sul de Cartum, capital do Sudão, onde a organização oferece cuidados de saúde.

Após discutir sobre os motivos da presença de MSF, os homens armados agrediram fisicamente nossa equipe e detiveram o motorista de um de nossos veículos. Eles ameaçaram a vida do motorista antes de soltá-lo e roubaram o veículo.

Após esse terrível incidente, MSF está alertando que as atividades da organização no hospital estão em sério risco e não poderão continuar se as garantias mínimas de segurança não forem atendidas.

“Para salvar a vida das pessoas, as vidas dos nossos profissionais que estão lá para realizar esse trabalho não devem ser colocadas em risco. Se um incidente como este acontecer novamente e se nossa capacidade de transportar suprimentos continuar a ser obstruída, então, infelizmente, nossa presença no Hospital Turco se tornará insustentável”, diz Christophe Garnier, coordenador de emergências de MSF no Sudão.

O Hospital Turco é um dos dois únicos hospitais que permanecem abertos em todo o sul de Cartum – ambos apoiados por MSF. MSF é uma das poucas organizações médico-humanitárias internacionais que ainda estão presentes na cidade, apoiando hospitais no Leste e no Sul de Cartum, além de atuar em Omdurman.

MSF está apoiando o Ministério da Saúde para manter o sistema de saúde, que está extremamente frágil, em funcionamento. Mas, após a violência do dia 20 de julho – e a série de incidentes que a precederam –, a organização está começando a pensar que seu apoio contínuo poderá não ser mais possível em breve.

O incidente aconteceu a apenas 700 metros do Hospital Turco, onde centenas de pacientes – incluindo crianças – estão atualmente em tratamento. Ainda no dia 20 de julho, recebemos 44 pacientes que foram feridos em um ataque aéreo.

Há três semanas e meia, recebemos outro grande fluxo de feridos de guerra – principalmente mulheres e crianças – que foram afetados após a escalada dos conflitos em torno da sede da Polícia Central de Reserva.

Diariamente, o hospital recebe cerca de 15 pacientes feridos, realiza cirurgias vitais e mantém pacientes com doenças crônicas com vida. Nossas equipes trabalham 24 horas por dia sob condições intensas para tratar todos aqueles que precisam de cuidados, mas estão sendo agredidas e abusadas fisicamente quando saem do hospital.

MSF tratou mais de 1.600 pacientes feridos por causa dos conflitos em Cartum desde o início dos combates, em abril, e pretendemos continuar fazendo isso. No entanto, a situação de segurança se agravou tão dramaticamente nas últimas semanas que nossa presença no Hospital Turco agora está em discussão.

Desde a escalada da atual crise no Sudão, MSF tem trabalhado ativamente em 12 estados: Cartum, Kassala, Al-Jazeera, Darfur Ocidental, Darfur do Norte, Darfur Central, Darfur do Sul, Mar Vermelho, El-Gedaref, Nilo Azul, Rio Nilo e Estados do Nilo Branco. 


ENEM 2023: Confira seis dicas de como se preparar para o exame

Arthur Buzatto, presidente e mantenedor da Escola Vereda, compartilha estratégias eficazes para os estudantes alcançarem sucesso no Exame Nacional do Ensino Médio

 

O Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) é uma das etapas mais importantes na vida dos estudantes que almejam ingressar em uma instituição de ensino superior. As inscrições para realizar a prova em 2023, que acontece entre os dias 5 e 12 de novembro, já estão encerradas e os alunos têm alguns meses para se preparar. Confira as dicas que Arthur Buzatto, presidente e mantenedor da Escola Vereda, instituição particular de ensino integral com custo acessível na Grande São Paulo, preparou para um bom planejamento dos estudos. 

"A preparação para o Enem pode ser desafiadora e um momento de muita ansiedade. Ao seguir essas dicas, os estudantes podem se preparar de maneira mais tranquila, aumentando suas chances de sucesso", orienta Buzatto.

  1. Organize-se antecipadamente: é essencial criar um cronograma de estudos realista, distribuindo o tempo disponível para revisar todas as disciplinas abordadas no Enem. “Dessa forma, será mais fácil acompanhar o progresso e evitar a sobrecarga de estudos próximo à data da prova”, indica. Dividir as matérias em blocos e estabelecer metas diárias, semanais e mensais também é uma boa prática.
  2. Conheça o formato da prova: familiarizar-se com a estrutura do Enem permite entender as diferentes áreas de conhecimento abordadas e a quantidade de questões em cada uma delas. "Uma das melhores maneiras de se preparar para o Enem é fazer simulados com provas de anos anteriores. Isso ajuda o aluno a se familiarizar com o formato, gerenciar seu tempo e a identificar os pontos em que precisa melhorar", explica Buzatto.
  3. Faça um plano de estudos personalizado: fazer um plano de estudos personalizado é uma estratégia que maximiza o aprendizado de cada aluno em particular. Segundo Buzatto, essa é uma forma de tornar o estudo mais produtivo. “Identificar as próprias dificuldades e focar nelas, sem esquecer de reforçar os conteúdos que já domina, garante um plano muito mais eficaz”, completa.
  4. Utilize recursos didáticos variados: além dos livros e materiais escolares, uma boa dica é aproveitar recursos digitais, como videoaulas, plataformas de estudos online e aplicativos específicos para o Enem. Essas ferramentas podem oferecer explicações complementares, exercícios práticos e simulados, contribuindo para a diversificação dos métodos de aprendizado.
  5. Forme grupos de estudo: compartilhar conhecimentos e experiências com outros estudantes pode ser altamente benéfico. Uma forma de fazer isso é a criação de grupos de estudo com colegas que tenham objetivos semelhantes. "O estudo em grupo pode ser um grande incentivo. Além disso, ensinar e explicar conceitos para os outros também ajuda a consolidar o próprio conhecimento", complementa o presidente da Escola Vereda.
  6. Cuide de sua saúde física e mental: manter uma dieta equilibrada, fazer exercícios regularmente, dormir o suficiente e reservar tempo para atividades de lazer são cuidados que fazem muita diferença no rendimento dos estudos. “A ansiedade é um fator que pode atrapalhar muito os alunos que estão nessa fase. Por isso, é importante lembrar que o descanso é fundamental para que a aprendizagem de fato aconteça”, finaliza Buzatto.

 

Escola Vereda
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Especialista em Direito do Consumidor faz alerta para endividados não caírem em golpes virtuais

O programa de renegociação de dívida Desenrola já serve de isca para fraudes digitais. Leonardo Werlang, advogado especialista em Direito do Consumidor do PG Advogados, dá dicas para endividados se protegerem de golpes  

 



Na semana de lançamento do programa do Governo Federal de renegociação de dívidas, o Desenrola já virou isca para fraudes que circulam nas redes sociais a fim de pegar dados pessoais e obter pagamentos dos endividados. Basta dar busca na biblioteca de anúncios pelo termo "desenrola" que centenas de links patrocinados aparecem como sugestão. Contudo, parte desses endereços eletrônicos redireciona para sites fraudulentos.

“Embora seja difícil a muitos consumidores identificar quando um link se refere a um site seguro e oficial ou não, podem verificar se a página que estão acessando é protegida. Geralmente, um site seguro apresenta o símbolo de um cadeado ao lado do seu endereço”, atestou Leonardo Werlang, advogado especialista em Direito do Consumidor que lidera o núcleo de Relacionamento Institucional e Conexões Sustentáveis (RICS) do PG Advogados. E continua: “embora esse comportamento do consumidor não iniba as fraudes, ele é uma forma de amenizar os riscos”, finaliza.

A falta de padronização dos canais de atendimento das instituições financeiras cadastradas no programa também é um facilitador para criminosos digitais. A principal orientação é que as pessoas evitem clicar nesses links patrocinados nas redes sociais, nos sites de pesquisa e naqueles que chegam por meio de mensagens de texto, como aplicativos de conversa.

“A sugestão é digitar direto no navegador o site das instituições financeiras que estão cadastradas no programa ou, até mesmo, ir presencialmente às agências caso ainda tenha dúvidas sobre os canais que deve procurar para se beneficiar da ação. Lá, os funcionários poderão informar adequadamente quais os canais de atendimento disponibilizados para atendê-lo”, explicou Leonardo. Os Procons de todo o Brasil também podem ser um grande aliado dos consumidores neste momento, auxiliando com informações e mutirões de negociação.

Erros de português, sites mal elaborados, faltando informações institucionais e de produtos e serviços disponibilizados pela empresa, além da ausência de informações cadastrais no rodapé do site, como o CNPJ da instituição, são indícios de que a página pode ser fraudulenta.

Outra informação importante é que os bancos participantes do Desenrola têm canais próprios para os consumidores interessados em quitar dívidas adquiridas entre 2019 e 2022 e é o endividado que deve procurá-los para negociar, e não o contrário. Por isso, links que não sejam da instituição financeira ou ligações telefônicas são suspeitas de golpe.

“Por fim, o consumidor deve ter muito cuidado também com ligações recebidas ofertando a quitação de suas dívidas pelo programa, mesmo que no contato sejam informados dados corretos, como endereço, RG, CPF, filiação e endereço. Muitos fraudadores detêm dados de consumidores e se utilizam desde momento para enganar”, finalizou o advogado.



Lei do Superendividamento

O Desenrola acontece no mês em que a Lei do Superendividamento faz dois anos, mas o Brasil ainda soma mais de 71 milhões de inadimplentes, e o valor médio das dívidas é de mais de R$ 4 mil, segundo o último Mapa da Inadimplência e Negociação de Dívidas no Brasil, do Serasa.

Esta lei permite que a pessoa superendividada reúna todas as empresas para as quais deve, e formulem, juntos, um plano de pagamento com parcelas que não comprometam o mínimo existencial, que hoje está fixado em R$ 600,00.


150 anos de Santos Dumont são homenageados em emissão postal

Os Correios lançaram, nesta quinta-feira (20), a Emissão Postal Comemorativa dos 150 anos do nascimento de Alberto Santos Dumont, o Pai da Aviação. Com o sesquicentenário de Dumont, os Correios trazem à memória dos brasileiros, por meio da filatelia, a importância deste herói que levou o nome do Brasil a todos os lugares e é celebrado até hoje em todo o mundo como fonte inspiradora de invencionismo. Além da cidade Santos Dumont/MG, a peça filatélica está sendo lançada simultaneamente em Petrópolis/RJ, Ribeirão Preto/SP, Guarujá/SP e Porto Velho/RO.  

Alberto Santos Dumont nasceu em 20 de Julho de 1873, na cidade de Palmira, hoje município mineiro Santos Dumont. Foi aeronauta, esportista, autodidata e inventor brasileiro. Projetou, construiu e voou os primeiros balões dirigíveis com motor a gasolina. Esse mérito lhe é garantido internacionalmente pela conquista do Prêmio Deutsch em 1901, quando em um voo contornou a Torre Eiffel com o seu dirigível Nº 6, transformando-se em uma das pessoas mais famosas do mundo durante o século XX.   

Carlos Gomide, diretor do Museu Casa de Santos Dumont, explica ainda no edital de lançamento que o título de responsável pelo primeiro voo num avião, atribuído por brasileiros a Santos Dumont, é disputado com outros pioneiros. Porém, Santos Dumont conseguiu realizar o primeiro voo mecânico, com o 14-Bis, tendo sido a primeira atividade esportiva da aviação a ser homologada pela FAI - Federação Aeronáutica Internacional. Assim, ficou provado que o ser humano poderia voar com um aparelho mais pesado que o ar, utilizando seus próprios meios.    

“Santos Dumont é uma inspiração para jovens a adultos em todo o mundo, não só pelo aspecto de inventor, mas pela vida em família, pelas inovações e, sobretudo, por dar à humanidade a capacidade de voar, pois até hoje sua invenção continua sendo usada por companhias aéreas de todo o planeta”, destaca Gomide.   


O selo
- A emissão postal é formada por três selos e mostra a vida de Santos Dumont que, em representação pouco usual, sorri entre seus projetos. O bloco postal inicia a trajetória do inventor trazendo tanto a casa onde nasceu (Fazenda Cabangu, em Santos Dumont/MG) como também aquela que projetou para si (A Encantada, Petrópolis/RJ). Sua criatividade é representada pelo colorido diverso e por duas de suas frases que, como o texto principal, são escritas simulando sua caligrafia. Ao mesmo tempo em que o menino antevê o voo de braços abertos e com sapatos desamarrados que remetem a Hermes, o adulto no 14-Bis recorda o sonho. A cidade de Dumont, onde cresceu, está no cafezal que abriga seres voadores. Há alusões ao relógio de pulso e aos aplausos que recebeu em vida. A arte de Cordeiro de Sá utilizou a técnica de ilustração digital.     

Com tiragem de 15 mil blocos com 3 selos e valor unitário de 2º Porte da Carta (R$ 3,40) cada selo, o bloco estará disponível para venda na loja virtual e, em breve, nas principais agências dos Correios. 

 

Promovendo a Inclusão de Pessoas com Deficiência no Mercado de Trabalho

IBGE publica Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) que trata da inclusão de PcD

Promovendo a Inclusão de Pessoas com Deficiência no Mercado de Trabalho

 

Nilton Serson é advogado com ampla experiência em direito comercial e corporativo. Especializado em negociação e finanças, em programas avançados na Universidade de Harvard. Professor em instituições de ensino, como USP e Mackenzie, onde compartilhou seu conhecimento sobre Direito Comercial.

A inclusão de pessoas com deficiência (PcD) no mercado de trabalho é um tema de extrema importância e relevância social. Garantir a igualdade de oportunidades e o acesso ao emprego para PcD é um desafio que precisa ser enfrentado pela sociedade como um todo. Este artigo explora a importância da inclusão no mercado de trabalho, os benefícios para as empresas e para as próprias pessoas com deficiência, bem como as medidas necessárias para promover essa inclusão.


A importância da inclusão:

Serosn acha que a inclusão de PcD no mercado de trabalho é fundamental para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. Além de ser um direito garantido por lei em muitos países, a inclusão proporciona uma série de benefícios tanto para as empresas quanto para as próprias pessoas com deficiência. Ao promover a diversidade no ambiente de trabalho, as empresas podem obter vantagens como a melhoria da imagem institucional, o aumento da criatividade e inovação, o fortalecimento da cultura organizacional e a expansão do mercado consumidor.


Benefícios para as empresas:

As empresas que investem na inclusão de PcD colhem uma série de benefícios. A diversidade de habilidades e perspectivas trazidas pelas pessoas com deficiência enriquece a equipe de trabalho, estimulando a troca de ideias e o desenvolvimento de soluções criativas. Além disso, a inclusão de PcD promove um ambiente mais inclusivo e acolhedor, o que pode melhorar a satisfação dos funcionários e reduzir o índice de rotatividade.


Benefícios para as pessoas com deficiência:

Para as pessoas com deficiência, a inclusão no mercado de trabalho significa mais do que apenas um emprego. Significa independência financeira, autonomia, desenvolvimento profissional e realização pessoal. O trabalho proporciona a oportunidade de se sentir valorizado, de contribuir com a sociedade e de ter uma vida mais plena. Além disso, a inclusão no mercado de trabalho desafia estereótipos e preconceitos, promovendo a igualdade e a valorização da diversidade humana.


Medidas para promover a inclusão:

Para promover a inclusão de PcD no mercado de trabalho, é necessário que empresas, governos e sociedade como um todo adotem medidas efetivas. Algumas dessas medidas incluem:

  • Sensibilização e conscientização: Promover campanhas de sensibilização para combater estereótipos e preconceitos em relação às pessoas com deficiência, destacando suas habilidades e capacidades.
  • Acessibilidade: Garantir a acessibilidade física dos locais de trabalho, bem como a acessibilidade digital nos processos seletivos e nos ambientes de trabalho virtuais.
  • Capacitação e treinamento: Oferecer programas de capacitação e treinamento para empresas e gestores, visando a inclusão e o desenvolvimento profissional de PcD.
  • Políticas de inclusão: Implementar políticas de inclusão no ambiente de trabalho, como cotas para contratação de pessoas com deficiência e programas de apoio e acompanhamento.
  • Parcerias: Estabelecer parcerias com instituições especializadas, organizações não governamentais e órgãos governamentais para promover a inclusão de PcD.


Conclusão:

A inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho é um passo fundamental para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. Ao promover a diversidade e garantir o acesso ao emprego para PcD, empresas e sociedade como um todo colhem benefícios significativos. A inclusão não apenas fortalece as equipes de trabalho e impulsiona a inovação, mas também proporciona às pessoas com deficiência independência, realização pessoal e a chance de contribuir plenamente para a sociedade. É fundamental que medidas efetivas sejam adotadas para promover a inclusão, criando um ambiente de trabalho acolhedor, acessível e inclusivo para todos.

 

DIreitos de imagem x Inteligência Artificial: entenda o que a legislação vigente diz sobre o tema

 A advogada Thereza Castro explica quais os direitos da família nesses casos

 

Com infinitas possibilidades que impactam vários setores da vida que conhecemos, a Inteligência Artificial, é sem sombras de dúvidas um dos assuntos mais debatidos e comentados de 2023. Após a veiculação de uma campanha da Volkswagen que contava com a já falecida cantora Elis Regina, o assunto ficou em alta nas redes sociais e levantou o debate sobre os direitos sobre o uso de imagens geradas pela IA. 

“O direito de imagem é garantia fundamental regulada pela Constituição Federal em seu artigo 5º, X, sendo um direito de personalidade ele é inviolável e não cessa com a morte, por falta de disposição expressa, e tendo jurisprudências como referência,  entende-se que os legítimos para proteger e autorizar uso em relação a imagem pós mortem são os herdeiros”, explica Thereza Castro, advogada com foco em direitos autorais.

Segundo a advogada especialista, em casos de uso indevido de imagem como o da cantora, a legislação concede a legitimidade ativa para interpor ação indenizatória contra a violação, tanto em vida, a pessoa, quanto à morte, aos herdeiros. “Esse recurso é sempre ponderado em relação a outros direitos fundamentais protegidos, porém seu uso deve ser moral. Mas no caso específico, além dos direitos morais envolvidos nos voltamos para os direitos patrimoniais, pois falamos de uso comercial da imagem”, comenta Thereza. 

Sendo assim, cabe  aos herdeiros a legitimidade para se opor ao uso sem autorização, inclusive em casos do uso com fins comerciais sem autorização, o que não é o caso de Elis, como esclareceram já seus herdeiros, mas já aconteceu em jurisprudência estabelecida para a herdeira de Lampião e Maria Bonita em uso publicitário da imagem de ambos por uma instituição financeira, contra qual a herdeira vitoriosa, bem como utilização que possa lhe atingir a boa fama, a honra ou a respeitabilidade. 

Thereza explica que não se fala nesses casos em detenção de imagem, mas na autorização de uso, dada nesse caso pelos herdeiros. “Por se tratar de um direito personalíssimo não há que se falar em detenção de uso de imagem, o que temos é uma autorização de uso/transmissão para fim específico por tempo determinado. Os direitos de personalidade, por sua natureza, são irrenunciáveis e intransmissíveis”, complementa. 

Nesses casos os direitos autorais são tratados de forma apartada, pois estão relacionados a IA e a empresa a qual ela pertence, mas quando falamos de uso de Inteligência Artificial para gerar imagem “deepfake” como no caso, onde a máquina imita imagem de alguém que existe, seja pessoa viva ou falecida, não se pode usar do direito autoral para detenção dessa criação, já que embora criada pela máquina se refere a alguém. Por si só essa tecnologia guarda diversas questões de discussões e desafios para o direito. 

“A tecnologia vem nos impondo a necessidade de repensar o direito, e ainda mais, pensá-lo para a realidade atual sem disposições ainda especificas para IA por exemplo. Atualmente que se pode fazer para garantir cumprimento de vontade futura considerando a possibilidade de imagens da pessoa serem geradas por inteligência artificial após seu falecimento, é deixar em sua última disposição de vontade, ou seja em seu testamento, as condições específicas de permissão ou não deste uso, e suas limitações”, finaliza a advogada.


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