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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Crechite: por que o primeiro ano de creche mexe tanto com a saúde do bebê

 

Troca de bactérias, amadurecimento do sistema imunológico e o que os pais precisam saber sobre essa fase
 

Em fevereiro, muitas famílias se preparam para levar seus bebês à creche pela primeira vez. Junto com a adaptação, surge uma preocupação bastante comum: a chamada “crechite”, termo usado para descrever a alta frequência de infecções em crianças que iniciam a vida pré-escolar. Por conta da imaturidade do sistema imunológico e da exposição a novos vírus e bactérias, os bebês de até dois anos são os mais afetados. Pensando nessa realidade, a Rede Total Care orienta cuidadores sobre esse processo, que vai além das doenças e envolve importantes transformações no organismo infantil. 

Um estudo internacional recém-publicado na revista científica Nature revela que a experiência da creche impacta diretamente o microbioma intestinal dos bebês. De acordo com a pesquisa, entre 15% e 20% das bactérias que compõem o intestino infantil são substituídas ao longo das primeiras semanas de convivência na creche, resultado da intensa troca de microrganismos entre as crianças. 

Essas mudanças ocorrem já no primeiro mês e têm impacto semelhante ao da própria família na formação do microbioma ao longo do primeiro ano de vida. “As primeiras semanas de creche provocam grandes adaptações na dinâmica da vida da família e, especialmente, na flora do trato respiratório e intestinal de todos. Essa exposição traz, naturalmente, um desequilíbrio e o contato com germes ainda desconhecidos pelo organismo, o que pode gerar doenças. O primeiro ano de creche é conhecido por ser um período em que a criança, e muitas vezes toda a família, apresenta quadros respiratórios e intestinais agudos. Ao mesmo tempo, é um ano de intenso desenvolvimento cognitivo e de estimulação do sistema imunológico”, explica a coordenadora de pediatria do Hospital Pasteur, Renata Fish. 

Durante um ano, os pesquisadores analisaram mais de mil amostras fecais para mapear, com alto nível de precisão, como os microrganismos são transmitidos entre as crianças e seus contatos mais próximos. Os resultados mostram que, em poucas semanas, os bebês que compartilham o mesmo grupo passam a ter microbiomas mais semelhantes entre si. Ao final do primeiro trimestre, a quantidade de bactérias adquiridas na creche já se equipara àquelas transmitidas pela família, tradicionalmente considerada a principal fonte de microrganismos nos primeiros meses de vida. 

A pesquisa também traz dados que dialogam diretamente com a realidade das famílias. Bebês com irmãos mais velhos apresentaram maior diversidade de bactérias intestinais e adquiriram menos microrganismos dos colegas da creche, indicando que o convívio em casa já contribui para “preencher” o microbioma. Em contrapartida, o uso de antibióticos foi o fator que mais alterou o equilíbrio intestinal, promovendo uma troca intensa de bactérias e aumentando a entrada de novas cepas após o tratamento, especialmente nos bebês. 

“Irmãos mais velhos promovem a exposição a micro-organismos mais cedo para os mais novos. Já a creche cumpre um papel importante de socialização e desenvolvimento para os filhos únicos, inclusive no que diz respeito à troca de floras. Nesta fase, a socialização é fundamental para o desenvolvimento das crianças em todos os aspectos”, destaca Renata Fish. 

Outro achado relevante é que muitas das bactérias transmitidas entre os bebês são consideradas benéficas para a saúde infantil, como espécies do gênero Bifidobacterium, associadas ao desenvolvimento do sistema imunológico e à digestão do leite materno e dos alimentos na primeira infância. 

Esses resultados ampliam a compreensão sobre os primeiros mil dias de vida, período decisivo para a saúde futura, reforçando que o contato social precoce, como o que ocorre na creche, não deve ser analisado apenas sob a ótica das infecções, mas também como parte de um processo natural de construção de um microbioma diverso e em constante desenvolvimento.
 

O que fazer para reduzir as crechites? 

O sistema imunológico do bebê ainda está em formação até o segundo ano de vida, o que o torna mais sensível à exposição a micro-organismos patogênicos. A partir dessa idade, tende a ocorrer uma redução no número de infecções agudas, além de uma recuperação mais rápida. Entre as doenças mais comuns nessa fase estão bronquiolite, pneumonia, otite e gastroenterite. 

A principal aliada no enfrentamento da crechite é a vacinação. As vacinas ajudam a fortalecer o organismo do bebê para lidar melhor com essas exposições. “Crianças que ainda recebem leite materno contam com uma proteção adicional, especialmente contra doenças intestinais. Em famílias em que todos estão com a vacinação em dia, as crianças tendem a se recuperar mais rapidamente”, afirma Renata Fish. 

Outro cuidado simples, mas fundamental, é a lavagem das mãos assim que a criança chega em casa. O uso de água e sabão reduz significativamente a disseminação de germes. A pediatra também reforça a importância de manter os ambientes ventilados e investir no fortalecimento do sistema imunológico por meio de uma alimentação adequada. 



Rede Total Care
Grupo Amil


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