Ferramentas e soluções de inteligência artificial (IA) já estão incorporadas à rotina da ampla maioria dos profissionais e departamentos de recursos humanos (RH) no Brasil. Porém, na maior parte dos casos, a IA é usada apenas para tarefas mais simples, operacionais e burocráticas.
Este é um dos
insights do mais recente Censo do RH, promovido anualmente
pelo WallJobs para analisar a evolução, as tendências e os desafios na área de
recursos humanos de grandes, médias e pequenas empresas.
A pesquisa,
realizada no último trimestre de 2025 em parceria com a Faculdade ESEG, do
Grupo Etapa, e sua Empresa Júnior, e participação da consultora especialista em
RH Irene Shiba, teve as novas tecnologias e ferramentas de inteligência
artificial generativa como um dos principais focos.
Dentre os 525
respondentes de diferentes regiões do país, 75% afirmou que
utiliza IA tanto no ambiente profissional quanto na vida pessoal; 14,6% apenas
no trabalho; 6,6% apenas na vida pessoal; e 3,6% não utiliza qualquer
ferramenta de IA.
A amostra é
composta majoritariamente por profissionais com mais de 30 anos e atuantes em
empresas de grande porte, especialmente de São Paulo (51%), seguidos por Rio de
Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e Bahia.
Mesmo aqueles que
não dominam a tecnologia já estão expostos a ferramentas de IA no dia a dia, o
que reforça o caráter transversal da transformação digital nos departamentos de
recursos humanos.
Para o fundador do
WallJobs e autor do e-book “Inteligência Artificial Generativa para
Iniciantes", Henrique Calandra, o dado comprova que a IA começa a ser
encarada como uma aliada para a tomada de decisões ou no papel de ferramentas
para agilizar processos mais burocráticos, como conferência de dados.
“Ao mesmo tempo,
talvez ainda falte clareza sobre como aplicar a IA de forma prática no dia a
dia. Ou pode existir o receio de que a tecnologia substitua o fator humano.
Quando falamos sobre IA, o ponto central não é mais se ela fará parte da nossa
rotina, mas como vamos integrá-la sem perder o que nos torna humanos. Essa é a
grande preocupação do nosso tempo: a humanização da tecnologia. A verdade é que
a IA não vem para substituir, vem para potencializar o profissional de RH",
comenta.
Recrutamento
e seleção
Quando perguntados sobre o uso de ferramentas de IA em processos de recrutamento e seleção de novos talentos, mais de 60% dos entrevistados pelo Censo do RH apontam as novas tecnologias como essenciais para acelerar o processamento e análise de currículos.
Ainda assim, o
levantamento mostra que poucos relacionam a IA à melhoria da experiência do
candidato ou à redução de vieses, um indicativo de que o uso segue concentrado
em ganhos de eficiência, e não de inteligência estratégica.
Ao mesmo tempo,
uma grande parte dos respondentes demonstrou resistência e preocupação ética
quando questionados sobre riscos no uso dessas ferramentas: 57% acredita que a
IA pode excluir perfis fora dos padrões algorítmicos, reforçando o cuidado que
o RH precisa ter em garantir que a automação não amplie desigualdades.
Para o fundador do
WallJobs, é preciso lembrar que a ética da IA não está na máquina, mas em quem
a programa e nos dados que a alimentam. Por isso, as novas tecnologias devem
ser um apoio, e não substitutas do julgamento humano.
“São resultados
que mostram um posicionamento maduro e ético por parte dos profissionais de
recursos humanos: eles reconhecem os benefícios da automação, mas defendem que
o fator humano continue no centro das decisões de RH", complementa
Calandra.
Integração
e onboarding
Já nos processos
de onboarding e integração de novos colaboradores à equipe, 34% dos
profissionais destacou que a IA pode ajudar a personalizar conteúdos e
orientações, conforme o perfil do novo funcionário, inclusive, em busca de
aumentar seu engajamento.
Além disso, 24%
apontaram o uso de dados para acelerar a curva de produtividade e 17%
destacaram o suporte contínuo por meio de assistentes virtuais, o que demonstra
uma tendência de automatizar respostas e acompanhar o colaborador de forma mais
ágil durante a adaptação.
Saúde
mental e burnout
Abordando um
grande desafio dos departamentos de RH, o Censo do RH mostra que 27% dos
entrevistados percebem as ferramentas de IA como aliadas para identificar
cenários de sobrecarga e burnout entre os colaboradores.
Os dados também
revelam que 14% já utilizam IA para monitorar indicadores de diversidade e
inclusão em tempo real e 13% associam a tecnologia à garantia de transparência
em processos de promoção, mostrando como a IA começa a se integrar às práticas
ESG e de bem-estar corporativo.
Outro ponto
relevante é a aplicação da IA em processos de definição salarial: quase metade
dos profissionais (49%) utiliza a tecnologia para análise de benchmarks de
mercado, enquanto 19% citam personalização de pacotes de remuneração e 15%
mencionam simulações automáticas de políticas de bônus. O dado indica que o RH
começa a usar IA em áreas que exigem precisão e confiabilidade, mas ainda com
forte presença humana nas decisões.
Na gestão de
talentos e retenção, 35% dos profissionais enxergam risco na dependência
excessiva de algoritmos, enquanto 27% destacam o uso de modelos preditivos para
antecipar desligamentos e 23% apostam na automatização de planos de
desenvolvimento individual. Isso reforça que o setor busca equilíbrio entre
previsibilidade e personalização, sem perder o vínculo humano.
Desligamento
Já nas decisões de
desligamento, 39% defendem que elas devem ser exclusivamente humanas, enquanto
outros 39% reconhecem o valor da IA como apoio analítico, especialmente na
avaliação de desempenho e aderência cultural. O resultado evidencia uma visão
mais madura e equilibrada sobre o papel da tecnologia.
Entre os
principais insights do Censo do RH, o WallJobs e a Faculdade ESEG destacam que
a inteligência artificial deixou de ser tendência e passou a fazer parte da
rotina dos profissionais de RH.
Apesar disso, o
uso da tecnologia ainda é mais operacional do que estratégico, indicando que há
espaço para evoluir do foco em eficiência para a geração de inteligência e
valor nas decisões. Os dilemas éticos, como viés, transparência e dependência
de algoritmos, estão no centro das preocupações dos profissionais, que
demonstram maturidade ao defender o equilíbrio entre automação e sensibilidade
humana. Nesse cenário, a IA amplia o papel do RH, não o substitui, reforçando a
importância de um perfil analítico, estratégico e humano ao mesmo tempo.
“O futuro do trabalho não é humano ou artificial. É humano com tecnologia. A IA não é uma ameaça, mas uma ferramenta de empoderamento, capaz de ampliar nossa capacidade de análise, liberar tempo para o que realmente importa e fortalecer o papel das pessoas dentro das empresas", finaliza o professor E
dgard Rodrigues,
docente líder da Empresa Júnior da Faculdade ESEG.
E-book
do Censo do RH
O e-book com todos os dados do mais recente Censo do RH do WallJobs pode ser baixado no link https://conteudo.walljobs.com.br/ebook-censo-do-rh-2025.
Faculdade ESEG
Para saber mais, acesse o site.
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