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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Censo do RH: 75% dos profissionais de RH utilizam inteligência artificial, mas maioria ainda limita o uso a tarefas operacionais

 

Ferramentas e soluções de inteligência artificial (IA) já estão incorporadas à rotina da ampla maioria dos profissionais e departamentos de recursos humanos (RH) no Brasil. Porém, na maior parte dos casos, a IA é usada apenas para tarefas mais simples, operacionais e burocráticas. 

 

Este é um dos insights do mais recente Censo do RH, promovido anualmente pelo WallJobs para analisar a evolução, as tendências e os desafios na área de recursos humanos de grandes, médias e pequenas empresas. 

 

A pesquisa, realizada no último trimestre de 2025 em parceria com a Faculdade ESEG, do Grupo Etapa, e sua Empresa Júnior, e participação da consultora especialista em RH Irene Shiba, teve as novas tecnologias e ferramentas de inteligência artificial generativa como um dos principais focos.

 

Dentre os 525 respondentes de diferentes regiões do país, 75% afirmou que utiliza IA tanto no ambiente profissional quanto na vida pessoal; 14,6% apenas no trabalho; 6,6% apenas na vida pessoal; e 3,6% não utiliza qualquer ferramenta de IA. 

 

A amostra é composta majoritariamente por profissionais com mais de 30 anos e atuantes em empresas de grande porte, especialmente de São Paulo (51%), seguidos por Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e Bahia. 

 

Mesmo aqueles que não dominam a tecnologia já estão expostos a ferramentas de IA no dia a dia, o que reforça o caráter transversal da transformação digital nos departamentos de recursos humanos.

 

Para o fundador do WallJobs e autor do e-book “Inteligência Artificial Generativa para Iniciantes", Henrique Calandra, o dado comprova que a IA começa a ser encarada como uma aliada para a tomada de decisões ou no papel de ferramentas para agilizar processos mais burocráticos, como conferência de dados. 

 

“Ao mesmo tempo, talvez ainda falte clareza sobre como aplicar a IA de forma prática no dia a dia. Ou pode existir o receio de que a tecnologia substitua o fator humano. Quando falamos sobre IA, o ponto central não é mais se ela fará parte da nossa rotina, mas como vamos integrá-la sem perder o que nos torna humanos. Essa é a grande preocupação do nosso tempo: a humanização da tecnologia. A verdade é que a IA não vem para substituir, vem para potencializar o profissional de RH", comenta. 

 


Recrutamento e seleção

Quando perguntados sobre o uso de ferramentas de IA em processos de recrutamento e seleção de novos talentos, mais de 60% dos entrevistados pelo Censo do RH apontam as novas tecnologias como essenciais para acelerar o processamento e análise de currículos. 

 

Ainda assim, o levantamento mostra que poucos relacionam a IA à melhoria da experiência do candidato ou à redução de vieses, um indicativo de que o uso segue concentrado em ganhos de eficiência, e não de inteligência estratégica.

 

Ao mesmo tempo, uma grande parte dos respondentes demonstrou resistência e preocupação ética quando questionados sobre riscos no uso dessas ferramentas: 57% acredita que a IA pode excluir perfis fora dos padrões algorítmicos, reforçando o cuidado que o RH precisa ter em garantir que a automação não amplie desigualdades.

 

Para o fundador do WallJobs, é preciso lembrar que a ética da IA não está na máquina, mas em quem a programa e nos dados que a alimentam. Por isso, as novas tecnologias devem ser um apoio, e não substitutas do julgamento humano.

 

“São resultados que mostram um posicionamento maduro e ético por parte dos profissionais de recursos humanos: eles reconhecem os benefícios da automação, mas defendem que o fator humano continue no centro das decisões de RH", complementa Calandra. 


 

Integração e onboarding


Já nos processos de onboarding e integração de novos colaboradores à equipe, 34% dos profissionais destacou que a IA pode ajudar a personalizar conteúdos e orientações, conforme o perfil do novo funcionário, inclusive, em busca de aumentar seu engajamento. 

 

Além disso, 24% apontaram o uso de dados para acelerar a curva de produtividade e 17% destacaram o suporte contínuo por meio de assistentes virtuais, o que demonstra uma tendência de automatizar respostas e acompanhar o colaborador de forma mais ágil durante a adaptação.


 

Saúde mental e burnout


Abordando um grande desafio dos departamentos de RH, o Censo do RH mostra que 27% dos entrevistados percebem as ferramentas de IA como aliadas para identificar cenários de sobrecarga e burnout entre os colaboradores. 

 

Os dados também revelam que 14% já utilizam IA para monitorar indicadores de diversidade e inclusão em tempo real e 13% associam a tecnologia à garantia de transparência em processos de promoção, mostrando como a IA começa a se integrar às práticas ESG e de bem-estar corporativo.

 

Outro ponto relevante é a aplicação da IA em processos de definição salarial: quase metade dos profissionais (49%) utiliza a tecnologia para análise de benchmarks de mercado, enquanto 19% citam personalização de pacotes de remuneração e 15% mencionam simulações automáticas de políticas de bônus. O dado indica que o RH começa a usar IA em áreas que exigem precisão e confiabilidade, mas ainda com forte presença humana nas decisões.

 

Na gestão de talentos e retenção, 35% dos profissionais enxergam risco na dependência excessiva de algoritmos, enquanto 27% destacam o uso de modelos preditivos para antecipar desligamentos e 23% apostam na automatização de planos de desenvolvimento individual. Isso reforça que o setor busca equilíbrio entre previsibilidade e personalização, sem perder o vínculo humano.


 

Desligamento


Já nas decisões de desligamento, 39% defendem que elas devem ser exclusivamente humanas, enquanto outros 39% reconhecem o valor da IA como apoio analítico, especialmente na avaliação de desempenho e aderência cultural. O resultado evidencia uma visão mais madura e equilibrada sobre o papel da tecnologia.

 

Entre os principais insights do Censo do RH, o WallJobs e a Faculdade ESEG destacam que a inteligência artificial deixou de ser tendência e passou a fazer parte da rotina dos profissionais de RH.

 

Apesar disso, o uso da tecnologia ainda é mais operacional do que estratégico, indicando que há espaço para evoluir do foco em eficiência para a geração de inteligência e valor nas decisões. Os dilemas éticos, como viés, transparência e dependência de algoritmos, estão no centro das preocupações dos profissionais, que demonstram maturidade ao defender o equilíbrio entre automação e sensibilidade humana. Nesse cenário, a IA amplia o papel do RH, não o substitui, reforçando a importância de um perfil analítico, estratégico e humano ao mesmo tempo.

 

“O futuro do trabalho não é humano ou artificial. É humano com tecnologia. A IA não é uma ameaça, mas uma ferramenta de empoderamento, capaz de ampliar nossa capacidade de análise, liberar tempo para o que realmente importa e fortalecer o papel das pessoas dentro das empresas", finaliza o professor E

dgard Rodrigues, docente líder da Empresa Júnior da Faculdade ESEG. 

 

E-book do Censo do RH

O e-book com todos os dados do mais recente Censo do RH do WallJobs pode ser baixado no link https://conteudo.walljobs.com.br/ebook-censo-do-rh-2025.

 

WallJobs

Faculdade ESEG
Para saber mais, acesse o site.


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