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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Tratamento da sobrecarga de ferro é ampliado pelo SUS

 Nova diretriz terapêutica expande uso de terapia oral para reduzir acúmulo de ferro em órgãos vitais de pessoas com doença falciforme

 

O Ministério da Saúde publicou, neste mês, no Diário Oficial da União a atualização do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da Sobrecarga de Ferro. A revisão representa um avanço importante para pessoas com doença falciforme, que a partir de agora podem contar com mais uma opção de tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS). Hoje, estima-se que há entre 60 mil e 100 mil pessoas vivendo com anemia falciforme no país[i]. 

A deferiprona é um quelante oral indicado para remover o excesso de ferro do organismo. A sobrecarga de ferro é uma complicação comum em pessoas com doença falciforme, talassemia e outras anemias raras. Pacientes com essas condições precisam fazer transfusões sanguíneas regulares para controle. O excesso de ferro está associado a danos significativos em órgãos vitais como fígado, coração e rins, o que aumenta os riscos de morbidade e mortalidade[ii]. 

No PCDT anterior, de 2018, eram disponibilizados pelo SUS três quelantes de ferro: deferasirox, desferroxamina e deferiprona, aprovada somente para pessoas com talassemia. Com a aprovação da nova diretriz de tratamento, milhares de pacientes com doença falciforme, talassemia e outras anemias, podem ter acesso a um tratamento mais adequado no SUS. Isso porque a atualização do PCDT permite que a deferiprona seja prescrita para pacientes com qualquer uma das doenças, quando há contraindicação a outras terapias ou necessidade de redução rápida dos níveis de ferro[iii]. 

“O principal ponto dessa atualização é a inclusão da deferiprona para o tratamento da sobrecarga de ferro em pacientes com doença falciforme. Até então, muitos não conseguiam usar outros medicamentos disponíveis por intolerância gastrointestinal ou problemas renais. A deferiprona amplia as possibilidades de tratamento, além de ser segura e eficaz, inclusive para pacientes com nefropatia”, explica a Dra. Ana Cristina Silva Pinto, médica da Fundação Hemocentro de Ribeirão Preto e professora da USP. 

Além de ampliar as opções terapêuticas, a atualização objetiva a padronização do acesso em todo o país. Antes, pacientes de São Paulo já recebiam a deferiprona, mas em outros estados o uso era restrito. “É uma situação injusta. Agora, o PCDT garante que o tratamento esteja disponível de forma equitativa em todo o Brasil”, destaca a especialista. 

Outro avanço importante é inclusão no PCDT da nova formulação da deferiprona, em comprimidos de 1.000 mg, que permite administrar o medicamento a cada 12 horasiii. “Tomar remédio de oito em oito horas prejudicava muito a adesão, principalmente em jovens que precisavam levar a medicação para a escola ou para o trabalho. Com a nova formulação, a rotina de tratamento fica mais simples e isso melhora diretamente a qualidade de vida do paciente”, reforça a Dra. Ana Cristina. 

Apesar do avanço, a especialista lembra que persistem desafios relacionados à desigualdade regional. “O PCDT está completo e bem escrito, mas a grande questão é se todos os estados conseguirão colocá-lo em prática. Em São Paulo temos ressonância magnética para monitoramento da sobrecarga de ferro, mas em outras regiões isso não é realidade. O maior desafio do Brasil continua sendo a desigualdade no acesso ao cuidado”, conclui. 

A atualização representa um passo significativo para que pessoas com doença falciforme tenham acesso padronizado a terapias, exames e protocolos de acompanhamento, independentemente da região onde vivem.
  


Chiesi Brasil
www.chiesi.com.br

  

Referências bibliográficas

[i] Ministério da Saúde. Doença Falciforme [homepage da internet]. Acesso em 26 ago. 2025. Disponível em: Link

[ii] American Society of Hematology. Transfusional Iron Overload in Sickle Cell Patients: Outcomes of Deferasirox Therapy [homepage da internet]. Acesso em: 26 ago. 2025. Disponível em: Link

[iii]Ministério da Saúde [homepage da internet]. Sobrecarga de Ferro - Aprova o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Sobrecarga de Ferro [acesso em 28 de janeiro de 2026]. Disponível em: Link


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