Segundo oncologista do Cancer Center Oncoclínicas e Casa de Saúde São José, esses casos são mais comuns nos cânceres de mama, pulmão, estômago, colorretal, tireoide, pâncreas e fígado
O
câncer segue como um dos principais desafios globais de saúde pública. Segunda
maior causa de mortes no mundo, atrás apenas das doenças cardiovasculares, é
responsável por cerca de 9,6 milhões de óbitos por ano, segundo a Organização
Mundial da Saúde (OMS). Nesse contexto, o Dia Mundial do Câncer (04/02)
mobiliza países e instituições em uma iniciativa global liderada pela União
Internacional para o Controle do Câncer (UICC), com o apoio da OMS, com o
objetivo de ampliar a conscientização sobre prevenção, diagnóstico precoce e
tratamento.
Apesar
disso, a prevenção ainda é frequentemente negligenciada, sustentada pela
percepção de que o câncer acomete majoritariamente pessoas mais idosas. Segundo
a Dra. Tatiane Montella, oncologista líder do Cancer Center Oncoclínicas e Casa
de Saúde São José, esse cenário pode estar mudando: “Em torno de 80% dos
pacientes que fazem diagnóstico oncológico são pessoas na faixa etária acima dos 60 anos. Mas
nas últimas três décadas, o que a gente vem
observando é o número crescente de diagnóstico oncológico entre a população com
menos de 50 anos”, afirma.
Uma pesquisa
global publicada na revista científica BMJ Oncology indica um aumento anual de
79% em novos casos de câncer em pessoas com menos de 50 anos. Essa tendência
está principalmente atrelada aos cânceres de mama, pulmão,
estômago, colorretal, tireoide, pâncreas e de fígado. Mas por que isso
acontece?
“Apesar
de imaginarmos que isso possa ter uma correlação hereditária para esses
pacientes mais jovens, os pesquisadores acreditam que essa tendência está sendo
impulsionada principalmente por exposições ambientais relacionadas também ao
estilo de vida e às mudanças promovidas a partir do século XX. Dietas ricas em
alimentos ultraprocessados, a redução da atividade física, obesidade,
sedentarismo, uso excessivo de antibióticos, poluição ambiental, perturbações
da microbioma intestinal e, inclusive, o estresse psicossocial também estão entre
os possíveis fatores”, explica a Dra. Tatiane.
Ou
seja, não há uma resposta única. Trata-se de um fenômeno multifatorial,
influenciado por um conjunto de causas complexas que ainda não estão
completamente esclarecidas. Soma-se a esse contexto o aprimoramento das
estratégias de rastreamento do câncer. A ampliação do acesso a exames modernos
e de alta precisão, aliada à incorporação de tecnologias de ponta, tem
contribuído para o diagnóstico do câncer em fases mais iniciais.
O que
chama a atenção da comunidade médica, no entanto, é o volume de diagnósticos
realizados em estágios avançados da doença, mesmo entre pacientes mais jovens e
abaixo dos 60 anos. Nesses casos, a já citada exposição ambiental, as diversas
mudanças de hábitos e, claro, os fatores genéticos podem ser os principais
responsáveis pelo diagnóstico. “Uma tendência mundial não deve ser tratada como
uma anomalia e, sim, como uma realidade contemporânea. Diante de uma realidade,
a gente deve mudar práticas clínicas e estratégias de saúde pública”, comenta a
oncologista do Cancer Center.
Neste Dia Mundial do Câncer, a especialista defende, portanto, uma agenda de pesquisa global e coordenada voltada diretamente a esses novos desafios no tratamento de tumores. “É preciso fazer um bom uso do que temos de tecnologia atualmente para o melhor entendimento molecular da doença oncológica, identificando correlações entre genes e fatores ambientais que possam identificar biomarcadores preditivos, além também de se utilizar de ferramentas de inteligência artificial que possam aprimorar a detecção precoce e estratificar mais agilmente o risco de uma população, alocando assim os recursos de uma forma mais adequada”, conclui a Dra. Tatiane Montella.
Casa de Saúde São José
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Oncoclínicas&Co
www.oncoclinicas.com
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