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terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Dia Mundial do Câncer: cresce o número de diagnósticos em pessoas abaixo dos 50 anos

Segundo oncologista do Cancer Center Oncoclínicas e Casa de Saúde São José, esses casos são mais comuns nos cânceres de mama, pulmão, estômago, colorretal, tireoide, pâncreas e fígado

 

O câncer segue como um dos principais desafios globais de saúde pública. Segunda maior causa de mortes no mundo, atrás apenas das doenças cardiovasculares, é responsável por cerca de 9,6 milhões de óbitos por ano, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Nesse contexto, o Dia Mundial do Câncer (04/02) mobiliza países e instituições em uma iniciativa global liderada pela União Internacional para o Controle do Câncer (UICC), com o apoio da OMS, com o objetivo de ampliar a conscientização sobre prevenção, diagnóstico precoce e tratamento. 

Apesar disso, a prevenção ainda é frequentemente negligenciada, sustentada pela percepção de que o câncer acomete majoritariamente pessoas mais idosas. Segundo a Dra. Tatiane Montella, oncologista líder do Cancer Center Oncoclínicas e Casa de Saúde São José, esse cenário pode estar mudando: “Em torno de 80% dos pacientes que fazem diagnóstico oncológico são pessoas na faixa etária acima dos 60 anos. Mas nas últimas três décadas, o que a gente vem observando é o número crescente de diagnóstico oncológico entre a população com menos de 50 anos”, afirma. 

Uma pesquisa global publicada na revista científica BMJ Oncology indica um aumento anual de 79% em novos casos de câncer em pessoas com menos de 50 anos. Essa tendência está principalmente atrelada aos cânceres de mama, pulmão, estômago, colorretal, tireoide, pâncreas e de fígado. Mas por que isso acontece? 

“Apesar de imaginarmos que isso possa ter uma correlação hereditária para esses pacientes mais jovens, os pesquisadores acreditam que essa tendência está sendo impulsionada principalmente por exposições ambientais relacionadas também ao estilo de vida e às mudanças promovidas a partir do século XX. Dietas ricas em alimentos ultraprocessados, a redução da atividade física, obesidade, sedentarismo, uso excessivo de antibióticos, poluição ambiental, perturbações da microbioma intestinal e, inclusive, o estresse psicossocial também estão entre os possíveis fatores”, explica a Dra. Tatiane. 

Ou seja, não há uma resposta única. Trata-se de um fenômeno multifatorial, influenciado por um conjunto de causas complexas que ainda não estão completamente esclarecidas. Soma-se a esse contexto o aprimoramento das estratégias de rastreamento do câncer. A ampliação do acesso a exames modernos e de alta precisão, aliada à incorporação de tecnologias de ponta, tem contribuído para o diagnóstico do câncer em fases mais iniciais. 

O que chama a atenção da comunidade médica, no entanto, é o volume de diagnósticos realizados em estágios avançados da doença, mesmo entre pacientes mais jovens e abaixo dos 60 anos. Nesses casos, a já citada exposição ambiental, as diversas mudanças de hábitos e, claro, os fatores genéticos podem ser os principais responsáveis pelo diagnóstico. “Uma tendência mundial não deve ser tratada como uma anomalia e, sim, como uma realidade contemporânea. Diante de uma realidade, a gente deve mudar práticas clínicas e estratégias de saúde pública”, comenta a oncologista do Cancer Center. 

Neste Dia Mundial do Câncer, a especialista defende, portanto, uma agenda de pesquisa global e coordenada voltada diretamente a esses novos desafios no tratamento de tumores. “É preciso fazer um bom uso do que temos de tecnologia atualmente para o melhor entendimento molecular da doença oncológica, identificando correlações entre genes e fatores ambientais que possam identificar biomarcadores preditivos, além também de se utilizar de ferramentas de inteligência artificial que possam aprimorar a detecção precoce e estratificar mais agilmente o risco de uma população, alocando assim os recursos de uma forma mais adequada”, conclui a Dra. Tatiane Montella. 



Casa de Saúde São José
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Oncoclínicas&Co
www.oncoclinicas.com


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