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No
Brasil, 62% dos bebês são colocados ao seio ainda na primeira hora de vida,
segundo dados do Ministério da Saúde e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Esse
resultado está ligado ao contato pele a pele, prática reconhecida pelo SUS e
incorporada a políticas públicas como a Rede Cegonha, por ajudar a reduzir
complicações, estimular a amamentação e fortalecer o vínculo entre quem
amamenta e o bebê.
O
contato acontece quando o recém-nascido é colocado diretamente sobre o peito ou
abdômen de quem acabou de dar à luz, desde que ambos estejam bem clinicamente. Apesar de simples,
esse cuidado oferece estímulos importantes, como calor, cheiro, toque, voz e
batimentos cardíacos.
Para a
Dra. Marisa Salgado, médica neonatologista do Hospital Geral de Itapevi (HGI), unidade da
Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) e gerenciada pelo CEJAM –
Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”, “esse primeiro encontro
envolve diferentes estímulos sensoriais e deve ser protegido pela equipe de
saúde, sempre respeitando os desejos da família, além de aspectos culturais e
religiosos”.
Do
ponto de vista do corpo, a estratégia ajuda a criança a se adaptar
melhor à respiração, à circulação e à produção de hormônios. Quando combinado
ao corte do cordão no tempo adequado, contribui para maior estabilidade logo
após o nascimento. Também favorece a proteção natural da pele e o sistema imunológico,
ao permitir o contato com bactérias benéficas da pessoa que amamenta.
Outro
benefício importante é o controle da temperatura. A hipotermia pode aumentar o
gasto de energia e oxigênio. “O corpo de quem amamenta ajuda a manter o bebê aquecido
naturalmente. Assim, ele gasta menos energia e fica mais estável”, explica a
neonatologista.
Quando
há algum tipo de complicação no parto, as prioridades mudam. As manobras de reanimação não devem
ser adiadas. “Existe o chamado Minuto de Ouro, em que o recém-nascido precisa começar a respirar e garantir oxigenação adequada
ao cérebro. Nessas situações, o atendimento imediato é essencial”, reforça Dra.
Marisa.
Apesar
de ainda ser mais associado ao parto normal, o contato pele a pele pode ser
realizado em qualquer tipo de parto, inclusive cesáreas, desde que a pessoa que
deu à luz e o bebê estejam estáveis. Fora da sala de parto, a prática também
pode ser incentivada durante a internação e em momentos potencialmente
estressantes, como na coleta do teste do pezinho.
O
Método Canguru, usado com prematuros, é um dos exemplos mais conhecidos dessa
abordagem.
Contato
pele a pele como prática institucional no Hospital Geral de Itapevi
No
HGI, o contato pele a pele é uma prática institucional presente em diferentes
setores, sustentada por protocolos alinhados ao Manual da Iniciativa Hospital
Amigo da Criança (IHAC).
Segundo
Maria Arleide Ibiapino, supervisora de Enfermagem da unidade, a organização dos
processos foi essencial para garantir a continuidade e a segurança da prática.
“Estruturamos protocolos claros, respeitando as especificidades de cada setor e
assegurando o cuidado ao binômio pessoa que deu à luz e bebê”, afirma.
No
Centro de Parto Normal, esse contato começa logo após o nascimento e é mantido,
sempre que possível, por pelo menos uma hora, tanto em partos vaginais quanto
em cesarianas. Em centros cirúrgicos, protocolos específicos viabilizam a
prática de forma segura, com atuação
integrada das equipes.
A
abordagem também se estende à UTI Neonatal, por meio do Método Canguru e da
presença da família no cuidado. “Mesmo em contextos de alta complexidade, o
vínculo familiar é preservado”, destaca Maria.
Com isso, são observados impactos
positivos na experiência hospitalar e na qualidade da assistência. Sem exigir
investimentos adicionais, a prática se apoia na capacitação dos times e no monitoramento por indicadores assistenciais.
No hospital, o contato pele
a pele reforça que cuidar vai além do procedimento técnico: é acolher e incluir
a família desde os primeiros minutos de vida.
CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”
@cejamoficial

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