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terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Volta às aulas reforça atenção aos casos de miopia em crianças e adolescentes

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Levantamento do H.Olhos mostra que público infantojuvenil de 3 a 18 anos concentra 18% dos casos de miopia atendidos em 2025 


Com o retorno às aulas, cresce também o tempo que crianças e adolescentes passam em atividades de perto, como leitura, uso de tablets, celulares e computadores. Esse cenário reforça um alerta importante para pais e educadores: o avanço da miopia infantil. Somente em 2025, crianças e adolescentes de 3 a 18 anos responderam por 18% dos casos de miopia atendidos pelo H.Olhos. O número é muito próximo ao registrado em 2024, quando essa faixa etária representou 17% dos casos da condição, o que reforça a manutenção de um patamar elevado da miopia infantil e juvenil. 

Segundo a Dra. Márcia Ferrari, oftalmopediatra e diretora clínica do H.Olhos, a miopia é um distúrbio visual cada vez mais frequente entre crianças e adolescentes, impulsionado por mudanças no estilo de vida. “A miopia acontece quando a criança enxerga bem de perto, mas tem dificuldade para ver de longe, porque a imagem se forma antes da retina. Isso ocorre, geralmente, porque o olho é mais alongado do que o normal ou a córnea é mais curva”, explica a especialista. 

A médica destaca que, embora fatores genéticos tenham influência, o comportamento visual atual tem peso decisivo. “Hoje, vemos crianças passando muitas horas em atividades que exigem foco de perto, principalmente durante o período escolar. O uso intenso de telas, aliado à redução do tempo ao ar livre, contribui diretamente para o aumento dos casos de miopia”, afirma a Dra. Márcia. 

O esforço constante da visão de perto, comum na rotina escolar, pode gerar fadiga ocular e estimular o alongamento do globo ocular. “Além disso, quando estão concentradas em telas ou livros, as crianças piscam menos, o que favorece o ressecamento ocular e o desconforto visual”, complementa a oftalmopediatra do H.Olhos. 

Por isso, a volta às aulas também deve ser um momento de atenção à saúde dos olhos. “É fundamental equilibrar a rotina de estudos com momentos ao ar livre. A exposição à luz natural estimula a liberação de dopamina na retina, substância que ajuda a frear o crescimento excessivo do olho e atua como fator de proteção contra a miopia”, ressalta a Dra. Márcia Ferrari. 

Ela reforça que atividades externas oferecem estímulos visuais essenciais para o desenvolvimento ocular saudável. “Quando brincam fora de casa, as crianças focam objetos em diferentes distâncias, exercitando os músculos dos olhos. Isso contrasta com o foco contínuo e próximo exigido por telas e materiais escolares”, explica. 

De acordo com a especialista, de 1 a 2 horas por dia ao ar livre, mesmo em dias nublados, já trazem benefícios importantes. “A luz natural, mesmo sem sol direto, é muito mais intensa do que a iluminação de ambientes fechados e tem efeito comprovado na prevenção da miopia”, pontua. 

Entre as atividades recomendadas estão jogos com bola, pega-pega, andar de bicicleta ou patins, caminhadas e brincadeiras em parques. “São atividades que estimulam o foco visual dinâmico, promovendo uma visão mais saudável tanto de perto quanto de longe”, destaca a diretora clínica. 

Para minimizar os impactos do uso de telas durante o período letivo, a Dra. Márcia orienta que os pais estabeleçam limites claros. “O ideal é que o tempo de tela recreativo não ultrapasse 1 a 2 horas por dia. Além disso, é importante incentivar pausas e momentos de lazer fora de casa. O exemplo da família faz toda a diferença”, reforça. 

A médica alerta ainda para sinais que podem indicar o início da miopia. “Se a criança se aproxima demais da televisão, segura o livro ou o celular muito perto do rosto, aperta os olhos para enxergar à distância ou apresenta dificuldade de leitura na escola, é fundamental procurar um oftalmologista”, orienta. 

Entre as principais recomendações para preservar a saúde visual estão: incentivar o tempo ao ar livre, limitar o uso de telas, garantir boa iluminação durante as atividades escolares, adotar a regra 20-20-20 e manter uma alimentação equilibrada e rica em vitaminas. 

A regra 20-20-20 consiste em, a cada 20 minutos de atividade de perto, olhar para algo a cerca de 6 metros de distância por pelo menos 20 segundos. “É uma pausa simples, mas muito eficaz para relaxar os músculos dos olhos e evitar a fadiga ocular”, explica a médica. 

Por fim, a oftalmopediatra reforça a importância do acompanhamento desde os primeiros anos de vida. “O primeiro exame deve ser feito entre 6 meses e 1 ano de idade, com avaliações regulares ao longo da infância. A detecção precoce da miopia é essencial para controlar sua progressão e garantir melhor qualidade de vida visual”, finaliza a Dra. Márcia Ferrari, oftalmopediatra e diretora clínica do H.Olhos.

 

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