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Com o retorno às aulas, cresce também o tempo que
crianças e adolescentes passam em atividades de perto, como leitura, uso de
tablets, celulares e computadores. Esse cenário reforça um alerta importante
para pais e educadores: o avanço da miopia infantil. Somente em 2025, crianças e
adolescentes de 3 a 18 anos responderam por 18% dos casos de miopia atendidos
pelo H.Olhos. O número é muito próximo ao registrado em 2024, quando essa
faixa etária representou 17% dos casos da condição, o que
reforça a manutenção de um patamar elevado da miopia infantil e juvenil.
Segundo a Dra. Márcia Ferrari, oftalmopediatra e diretora clínica
do H.Olhos, a miopia é um distúrbio visual cada vez mais frequente entre
crianças e adolescentes, impulsionado por mudanças no estilo de vida. “A miopia
acontece quando a criança enxerga bem de perto, mas tem dificuldade para ver de
longe, porque a imagem se forma antes da retina. Isso ocorre, geralmente,
porque o olho é mais alongado do que o normal ou a córnea é mais curva”,
explica a especialista.
A médica destaca que, embora fatores genéticos tenham influência,
o comportamento visual atual tem peso decisivo. “Hoje, vemos crianças passando
muitas horas em atividades que exigem foco de perto, principalmente durante o
período escolar. O uso intenso de telas, aliado à redução do tempo ao ar livre,
contribui diretamente para o aumento dos casos de miopia”, afirma a Dra.
Márcia.
O esforço constante da visão de perto, comum na rotina escolar,
pode gerar fadiga ocular e estimular o alongamento do globo ocular. “Além
disso, quando estão concentradas em telas ou livros, as crianças piscam menos,
o que favorece o ressecamento ocular e o desconforto visual”, complementa a
oftalmopediatra do H.Olhos.
Por isso, a volta às aulas também deve ser um momento de atenção à
saúde dos olhos. “É fundamental equilibrar a rotina de estudos com momentos ao
ar livre. A exposição à luz natural estimula a liberação de dopamina na retina,
substância que ajuda a frear o crescimento excessivo do olho e atua como fator
de proteção contra a miopia”, ressalta a Dra. Márcia Ferrari.
Ela reforça que atividades externas oferecem estímulos visuais
essenciais para o desenvolvimento ocular saudável. “Quando brincam fora de
casa, as crianças focam objetos em diferentes distâncias, exercitando os
músculos dos olhos. Isso contrasta com o foco contínuo e próximo exigido por
telas e materiais escolares”, explica.
De acordo com a especialista, de 1 a 2 horas por dia ao ar
livre, mesmo em dias nublados, já trazem benefícios
importantes. “A luz natural, mesmo sem sol direto, é muito mais intensa do que
a iluminação de ambientes fechados e tem efeito comprovado na prevenção da miopia”,
pontua.
Entre as atividades recomendadas estão jogos com bola, pega-pega,
andar de bicicleta ou patins, caminhadas e brincadeiras em parques. “São
atividades que estimulam o foco visual dinâmico, promovendo uma visão mais
saudável tanto de perto quanto de longe”, destaca a diretora clínica.
Para minimizar os impactos do uso de telas durante o período
letivo, a Dra. Márcia orienta que os pais estabeleçam limites claros. “O ideal
é que o tempo de tela recreativo não ultrapasse 1 a 2 horas por dia. Além
disso, é importante incentivar pausas e momentos de lazer fora de casa. O
exemplo da família faz toda a diferença”, reforça.
A médica alerta ainda para sinais que podem indicar o início da
miopia. “Se a criança se aproxima demais da televisão, segura o livro ou o
celular muito perto do rosto, aperta os olhos para enxergar à distância ou
apresenta dificuldade de leitura na escola, é fundamental procurar um
oftalmologista”, orienta.
Entre as principais recomendações para preservar a saúde visual
estão: incentivar o tempo ao ar livre, limitar o uso de telas, garantir boa
iluminação durante as atividades escolares, adotar a regra 20-20-20 e manter
uma alimentação equilibrada e rica em vitaminas.
A regra 20-20-20 consiste em, a cada 20 minutos de atividade de
perto, olhar para algo a cerca de 6 metros de distância por pelo menos 20
segundos. “É uma pausa simples, mas muito eficaz para relaxar os músculos dos
olhos e evitar a fadiga ocular”, explica a médica.
Por fim, a oftalmopediatra reforça a importância do acompanhamento
desde os primeiros anos de vida. “O primeiro exame deve ser feito entre 6 meses
e 1 ano de idade, com avaliações regulares ao longo da infância. A detecção
precoce da miopia é essencial para controlar sua progressão e garantir melhor
qualidade de vida visual”, finaliza a Dra. Márcia Ferrari, oftalmopediatra e
diretora clínica do H.Olhos.

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