Especialista explica por que o envelhecimento saudável feminino envolve equilíbrio hormonal, saúde sexual, nutrição, atividade física e acompanhamento médico contínuo
Envelhecer com saúde não significa apenas viver mais
anos, mas garantir qualidade de vida, autonomia e bem-estar físico, emocional e
sexual ao longo do tempo. O conceito de healthspan, que representa o período da
vida vivido com saúde, tem ganhado destaque na medicina moderna, especialmente
quando o assunto é o envelhecimento feminino, marcado por mudanças hormonais,
metabólicas e emocionais ao longo das décadas.
Segundo a ginecologista e obstetra Dra. Danielle Kramer, associada
da AMCR, o envelhecimento saudável começa muito antes do aparecimento dos
primeiros sintomas do climatério ou da menopausa. “A mulher precisa entender
que envelhecer bem é um processo construído com escolhas consistentes ao longo
da vida, como alimentação adequada, prática de atividade física, cuidado com a
saúde mental e acompanhamento médico regular”, afirma.
Com o avanço da idade, alguns cuidados ginecológicos ganham ainda
mais relevância. Infecções urinárias tornam-se mais frequentes em função das alterações
hormonais e anatômicas, enquanto a exposição às infecções sexualmente
transmissíveis continua existindo, especialmente em novos relacionamentos. “A
maturidade não elimina a necessidade de prevenção. O uso de preservativo,
exames de rastreio e consultas regulares seguem sendo fundamentais”, reforça a
especialista.
A saúde sexual feminina também passa por transformações
importantes ao longo dos anos. Redução da lubrificação vaginal, desconforto nas
relações e queda do desejo sexual podem ocorrer, mas não devem ser encaradas
como algo inevitável. “Perda de prazer não deve ser considerada uma
consequência natural do envelhecimento. Hoje, a medicina reconhece a saúde
sexual como parte essencial da qualidade de vida da mulher madura”, explica
Dra. Danielle.
Os avanços da medicina ampliaram as possibilidades de cuidado
nessa fase da vida. Existem abordagens eficazes que incluem terapias hormonais
individualizadas, tratamentos não hormonais, fortalecimento do assoalho pélvico
e atenção aos aspectos emocionais e relacionais. “Cuidar da saúde sexual é
cuidar do envelhecimento como um todo, respeitando o corpo e as necessidades de
cada mulher”, pontua.
Outro tema que vem ganhando espaço nas discussões sobre
envelhecimento saudável é o papel dos antioxidantes, como a Coenzima Q10.
Naturalmente presente no organismo, ela é fundamental para a produção de
energia celular e para a proteção contra o estresse oxidativo, processo
associado ao envelhecimento.
Estudos científicos indicam que os níveis de Coenzima Q10 diminuem
com o passar dos anos, o que pode impactar energia, função muscular e saúde
cardiovascular. “Antioxidantes como a CoQ10, além das vitaminas C e E e do
selênio, podem ajudar a reduzir danos celulares, especialmente quando
associados a um estilo de vida saudável”, explica a ginecologista, ressaltando
que a suplementação deve ser sempre individualizada.
A alimentação também precisa ser ajustada após os 40 ou 50 anos.
Nessa fase, aumenta o risco de perda de massa muscular, alterações metabólicas
e inflamação crônica de baixo grau. Evidências científicas mostram que padrões
alimentares como a dieta mediterrânea estão associados à longevidade, proteção
cardiovascular e melhor equilíbrio hormonal.
A terapia hormonal, que ainda gera receio em muitas mulheres,
passou por importantes avanços nos últimos anos. “Hoje falamos em terapia
hormonal baseada em evidências científicas, com avaliação criteriosa de riscos
e benefícios. Quando bem indicada e acompanhada, ela pode melhorar sintomas do
climatério, proteger a saúde óssea e urogenital e aumentar a qualidade de
vida”, destaca Dra. Danielle.
A prática regular de atividade física completa esse conjunto de
cuidados. A combinação de exercícios aeróbicos, musculação e treino de
equilíbrio contribui para a preservação da massa muscular, da saúde óssea e da
autonomia funcional ao longo dos anos. “Envelhecer com saúde é uma construção
diária e nunca é tarde para começar”, conclui a especialista.

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