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terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Envelhecer com saúde vai além da longevidade e passa pela qualidade de vida da mulher

Especialista explica por que o envelhecimento saudável feminino envolve equilíbrio hormonal, saúde sexual, nutrição, atividade física e acompanhamento médico contínuo 


Envelhecer com saúde não significa apenas viver mais anos, mas garantir qualidade de vida, autonomia e bem-estar físico, emocional e sexual ao longo do tempo. O conceito de healthspan, que representa o período da vida vivido com saúde, tem ganhado destaque na medicina moderna, especialmente quando o assunto é o envelhecimento feminino, marcado por mudanças hormonais, metabólicas e emocionais ao longo das décadas. 

Segundo a ginecologista e obstetra Dra. Danielle Kramer, associada da AMCR, o envelhecimento saudável começa muito antes do aparecimento dos primeiros sintomas do climatério ou da menopausa. “A mulher precisa entender que envelhecer bem é um processo construído com escolhas consistentes ao longo da vida, como alimentação adequada, prática de atividade física, cuidado com a saúde mental e acompanhamento médico regular”, afirma. 

Com o avanço da idade, alguns cuidados ginecológicos ganham ainda mais relevância. Infecções urinárias tornam-se mais frequentes em função das alterações hormonais e anatômicas, enquanto a exposição às infecções sexualmente transmissíveis continua existindo, especialmente em novos relacionamentos. “A maturidade não elimina a necessidade de prevenção. O uso de preservativo, exames de rastreio e consultas regulares seguem sendo fundamentais”, reforça a especialista. 

A saúde sexual feminina também passa por transformações importantes ao longo dos anos. Redução da lubrificação vaginal, desconforto nas relações e queda do desejo sexual podem ocorrer, mas não devem ser encaradas como algo inevitável. “Perda de prazer não deve ser considerada uma consequência natural do envelhecimento. Hoje, a medicina reconhece a saúde sexual como parte essencial da qualidade de vida da mulher madura”, explica Dra. Danielle. 

Os avanços da medicina ampliaram as possibilidades de cuidado nessa fase da vida. Existem abordagens eficazes que incluem terapias hormonais individualizadas, tratamentos não hormonais, fortalecimento do assoalho pélvico e atenção aos aspectos emocionais e relacionais. “Cuidar da saúde sexual é cuidar do envelhecimento como um todo, respeitando o corpo e as necessidades de cada mulher”, pontua. 

Outro tema que vem ganhando espaço nas discussões sobre envelhecimento saudável é o papel dos antioxidantes, como a Coenzima Q10. Naturalmente presente no organismo, ela é fundamental para a produção de energia celular e para a proteção contra o estresse oxidativo, processo associado ao envelhecimento. 

Estudos científicos indicam que os níveis de Coenzima Q10 diminuem com o passar dos anos, o que pode impactar energia, função muscular e saúde cardiovascular. “Antioxidantes como a CoQ10, além das vitaminas C e E e do selênio, podem ajudar a reduzir danos celulares, especialmente quando associados a um estilo de vida saudável”, explica a ginecologista, ressaltando que a suplementação deve ser sempre individualizada. 

A alimentação também precisa ser ajustada após os 40 ou 50 anos. Nessa fase, aumenta o risco de perda de massa muscular, alterações metabólicas e inflamação crônica de baixo grau. Evidências científicas mostram que padrões alimentares como a dieta mediterrânea estão associados à longevidade, proteção cardiovascular e melhor equilíbrio hormonal. 

A terapia hormonal, que ainda gera receio em muitas mulheres, passou por importantes avanços nos últimos anos. “Hoje falamos em terapia hormonal baseada em evidências científicas, com avaliação criteriosa de riscos e benefícios. Quando bem indicada e acompanhada, ela pode melhorar sintomas do climatério, proteger a saúde óssea e urogenital e aumentar a qualidade de vida”, destaca Dra. Danielle. 

A prática regular de atividade física completa esse conjunto de cuidados. A combinação de exercícios aeróbicos, musculação e treino de equilíbrio contribui para a preservação da massa muscular, da saúde óssea e da autonomia funcional ao longo dos anos. “Envelhecer com saúde é uma construção diária e nunca é tarde para começar”, conclui a especialista.


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