Restrições alimentares podem causar falta de nutrientes essenciais ao organismo e riscos à saúde, explica especialista
Dietas que prometem
emagrecimento rápido ou redução imediata de medidas costumam chamar atenção de
quem busca resultados em pouco tempo. Segundo a
nutricionista e responsável técnica da Clínica-Escola
de Nutrição da Universidade Guarulhos (UNG), Marina Oshiro
Imamura, esse efeito inicial acontece, principalmente, pela redução da
ingestão de calorias totais. No
entanto, a especialista alerta que não existe respaldo científico que
comprove a segurança ou a eficácia dessas estratégias a longo prazo,
nem a existência de uma dieta universal que funcione para todas as
pessoas.
Entre as principais
abordagens que prometem emagrecimento acelerado estão em jejum intermitente, as
dietas com baixo consumo de carboidratos – como
low carb e cetogênica -, além das dietas
hiperproteicas. “Estudos científicos indicam que essas estratégias podem
gerar perda de peso no curto prazo, mas isso não significa que sejam seguras ou
eficazes de forma duradoura. Já as chamadas dietas da moda, como detox,
chás milagrosos e planos extremamente restritivos, não possuem comprovação
científica e, geralmente, promovem apenas a perda temporária de água
e massa corporal, e não de gordura total”, comenta a nutricionista.
Os riscos nutricionais
dessas dietas estão relacionados à restrição excessiva, ao
desequilíbrio de nutrientes e à dificuldade de manutenção ao longo do
tempo. Marina ainda explica que a restrição calórica severa pode levar à
deficiência de vitaminas e minerais, como ferro, cálcio, vitaminas do complexo
B e vitamina D, comprometendo a imunidade, a saúde óssea e o
metabolismo. Além disso, dietas pobres em carboidratos podem causar
fadiga, tontura, dificuldade de concentração e prejuízos à saúde
intestinal, enquanto dietas hiperproteicas mal planejadas podem
sobrecarregar os rins e favorecer a desidratação.
Outro ponto importante a
ser destacado é a exclusão de nutrientes essenciais, comum nesses métodos. “A
deficiência de fibras alimentares, vitaminas do complexo B, ferro, cálcio,
vitamina D, magnésio e potássio é frequente, especialmente em dietas muito
restritivas ou monótonas. Essas carências podem provocar constipação, anemia,
fraqueza muscular, cãibras e alterações metabólicas”, esclarece. A especialista
também destaca que dietas com restrição severa de gorduras podem levar à
deficiência de vitaminas lipossolúveis, fundamentais para a imunidade e a saúde
óssea.
Além dos impactos
nutricionais, planos alimentares altamente restritivos podem causar danos tanto
a curto quanto a longo prazo. “No início, são comuns sintomas como fraqueza,
dor de cabeça, irritabilidade, queda do rendimento físico e mental e até mesmo
a perda de massa muscular. A longo prazo, essas estratégias favorecem a redução
da taxa de metabolismo basal, aumentando o risco do efeito sanfona, que pode
comprometer a saúde hormonal”, informa. De acordo com a nutricionista, dietas
que prometem resultados rápidos também podem gerar prejuízos psicológicos, como
aumento da ansiedade em relação à comida, sentimento de culpa e maior risco de
episódios de compulsão alimentar.
O uso de suplementos,
chás ou produtos considerados milagrosos, frequentemente associados a essas dietas,
também traz riscos adicionais à saúde quando utilizados sem orientação
profissional. “Muitos desses produtos possuem efeito diurético, laxante ou
estimulante, podendo causar desidratação, desequilíbrio eletrolítico,
taquicardia e sobrecarga hepática e renal”. Diante desse cenário, Imamura
reforça que o acompanhamento com um nutricionista é fundamental no processo de
emagrecimento, pois garante um plano alimentar individualizado, seguro e
sustentável, com foco na saúde, na educação alimentar e na manutenção dos
resultados de forma duradoura.

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