Pesquisar no Blog

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Perda de peso rápida: os riscos nutricionais das dietas milagrosas

Restrições alimentares podem causar falta de nutrientes essenciais ao organismo e riscos à saúde, explica especialista 

 

Dietas que prometem emagrecimento rápido ou redução imediata de medidas costumam chamar atenção de quem busca resultados em pouco tempo. Segundo a nutricionista e responsável técnica da Clínica-Escola de Nutrição da Universidade Guarulhos (UNG), Marina Oshiro Imamura, esse efeito inicial acontece, principalmente, pela redução da ingestão de calorias totais. No entanto, a especialista alerta que não existe respaldo científico que comprove a segurança ou a eficácia dessas estratégias a longo prazo, nem a existência de uma dieta universal que funcione para todas as pessoas. 

Entre as principais abordagens que prometem emagrecimento acelerado estão em jejum intermitente, as dietas com baixo consumo de carboidratos – como low carb e cetogênica -, além das dietas hiperproteicas. “Estudos científicos indicam que essas estratégias podem gerar perda de peso no curto prazo, mas isso não significa que sejam seguras ou eficazes de forma duradoura. Já as chamadas dietas da moda, como detox, chás milagrosos e planos extremamente restritivos, não possuem comprovação científica e, geralmente, promovem apenas a perda temporária de água e massa corporal, e não de gordura total”, comenta a nutricionista. 

Os riscos nutricionais dessas dietas estão relacionados à restrição excessiva, ao desequilíbrio de nutrientes e à dificuldade de manutenção ao longo do tempo. Marina ainda explica que a restrição calórica severa pode levar à deficiência de vitaminas e minerais, como ferro, cálcio, vitaminas do complexo B e vitamina D, comprometendo a imunidade, a saúde óssea e o metabolismo. Além disso, dietas pobres em carboidratos podem causar fadiga, tontura, dificuldade de concentração e prejuízos à saúde intestinal, enquanto dietas hiperproteicas mal planejadas podem sobrecarregar os rins e favorecer a desidratação. 

Outro ponto importante a ser destacado é a exclusão de nutrientes essenciais, comum nesses métodos. “A deficiência de fibras alimentares, vitaminas do complexo B, ferro, cálcio, vitamina D, magnésio e potássio é frequente, especialmente em dietas muito restritivas ou monótonas. Essas carências podem provocar constipação, anemia, fraqueza muscular, cãibras e alterações metabólicas”, esclarece. A especialista também destaca que dietas com restrição severa de gorduras podem levar à deficiência de vitaminas lipossolúveis, fundamentais para a imunidade e a saúde óssea. 

Além dos impactos nutricionais, planos alimentares altamente restritivos podem causar danos tanto a curto quanto a longo prazo. “No início, são comuns sintomas como fraqueza, dor de cabeça, irritabilidade, queda do rendimento físico e mental e até mesmo a perda de massa muscular. A longo prazo, essas estratégias favorecem a redução da taxa de metabolismo basal, aumentando o risco do efeito sanfona, que pode comprometer a saúde hormonal”, informa. De acordo com a nutricionista, dietas que prometem resultados rápidos também podem gerar prejuízos psicológicos, como aumento da ansiedade em relação à comida, sentimento de culpa e maior risco de episódios de compulsão alimentar. 

O uso de suplementos, chás ou produtos considerados milagrosos, frequentemente associados a essas dietas, também traz riscos adicionais à saúde quando utilizados sem orientação profissional. “Muitos desses produtos possuem efeito diurético, laxante ou estimulante, podendo causar desidratação, desequilíbrio eletrolítico, taquicardia e sobrecarga hepática e renal”. Diante desse cenário, Imamura reforça que o acompanhamento com um nutricionista é fundamental no processo de emagrecimento, pois garante um plano alimentar individualizado, seguro e sustentável, com foco na saúde, na educação alimentar e na manutenção dos resultados de forma duradoura. 


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados