Avaliação é
essencial para diagnosticar câncer e outras doenças da mama, costuma ser
indolor e pode ser feita por homens
O exame de mamografia é a principal ferramenta para
o diagnóstico precoce do câncer de mama — o tipo de tumor mais incidente entre
as mulheres no Brasil. De acordo com as projeções do INCA para o biênio
2025-2026, o país deve registrar cerca de 75 mil novos casos anuais,
consolidando a necessidade de exames de rastreio regulares para reduzir a
mortalidade.
Apesar da importância, ainda existem mitos que
afastam as pacientes dos consultórios. Para celebrar o Dia Nacional da
Mamografia (5/2), especialistas na área, esclarecem as principais dúvidas
1. A mamografia é dolorosa e
muito desconfortável para todas as mulheres.
DEPENDE. Segundo a Dra. Letícia, radiologista
especialista em exames de mamas da clínica CDPI, da Dasa, no Rio de Janeiro, a
percepção de dor varia conforme a sensibilidade individual e o estado
emocional. “A tendência é que a avaliação cause apenas um leve incômodo rápido
devido à compressão. No entanto, pacientes no período pré-menstrual podem
sentir mais desconforto”, explica ela que orienta a agendar o exame para a
semana seguinte à sua menstruação, quando as mamas estão menos sensíveis.
2. A mamografia pode causar
câncer devido à radiação.
MITO. A dose de radiação utilizada em um mamógrafo
digital moderno é extremamente baixa para que as imagens sejam visualizadas e
geradas com a nitidez necessária, como detalha a radiologista da
CDPI. Segundo Letícia, isso não é suficiente para causar qualquer dano à
saúde da paciente ou influenciar no desenvolvimento de casos de câncer.
3. Mulheres com próteses de
silicone também podem fazer mamografia.
VERDADE. A presença de implantes mamários não
impede a realização do exame nem compromete a integridade da prótese. De acordo
com a Dra. Monique Lambrakos, radiologista do São Marcos Saúde e Medicina
Diagnóstica, o protocolo é seguro: as máquinas modernas exercem uma compressão
controlada que não danifica o silicone ou o material salino. Para garantir a
eficácia do diagnóstico, utilizamos uma técnica específica chamada Manobra de
Eklund em que o implante é gentilmente deslocado para trás enquanto o tecido
mamário é tracionado para frente. Isso permite que o radiologista visualize o
parênquima mamário com maior clareza, minimizando a sobreposição de imagens.
4. Não preciso fazer se não
tiver histórico familiar.
MITO. O câncer de mama pode ser desenvolvido a
partir de diversas manifestações no organismo, incluindo hereditariedade,
genética, fatores externos e outros. Sendo assim, mulheres que não têm
histórico da doença na família também têm chances de desenvolver esse tipo de
tumor ao longo da vida, assim como outros tipos de câncer que não dependem
apenas de fatores hereditários para ocorrerem.
“Além disso, a mamografia é um exame fundamental no
rastreio do câncer de mama, mas também é eficaz para visualizar outras alterações
que podem ocorrer nessa área, como cistos, abcessos e fibroadenoma. Por isso,
todas as mulheres devem incluí-lo em sua rotina de cuidados com a saúde, que
deve começar aos 40 anos para mulheres sem casos de câncer de mama na família e
aos 35 ou 30 para aquelas que têm casos, principalmente em parentes diretos,
como a mãe”, em que se suspeita de risco genética, detalha a dra. Letícia. Cada
caso deve ser individualizado pelo médico que acompanha a paciente.
5. Homens não precisam fazer
mamografia durante a vida.
DEPENDE. Embora representem apenas cerca de 1% dos
casos de câncer de mama, homens possuem tecido mamário e podem desenvolver
tumores. "Se o homem notar um nódulo indolor, retração do mamilo ou saída
de líquido, a mamografia deve ser solicitada imediatamente para
investigação", alerta Monique.
6. Se a mamografia deu
"normal", o risco é zero.
MITO. A mamografia tem uma eficácia altíssima, mas
em mamas muito densas (com muito tecido glandular), alguns tumores pequenos
podem ficar "escondidos". Por isso, o médico pode complementar o
rastreio com a ultrassonografia das mamas ou ressonância magnética para
garantir total segurança.
Além da técnica, pequenos cuidados da paciente
fazem toda a diferença na clareza do laudo final. A Dra. Monique Lambrakos
destaca que é preciso suspender o uso de desodorantes, talcos e cremes no dia
do exame. “Alguns produtos contêm partículas de metal que podem aparecer na
imagem como ‘falsas calcificações’, atuando como artefatos de imagem,
confundindo o diagnóstico”.
A especialista ainda frisa que o histórico é o
melhor aliado para o paciente. “Leve no dia do exame as suas imagens e os seus
laudos anteriores. A mamografia é um exame comparativo. Mudanças sutis na
densidade ou na arquitetura mamária em relação ao ano anterior podem ser o
primeiro indício de uma lesão, mesmo que seja sutil. Além disso, uma alteração
que já estava presente há anos e não mudou geralmente é sinal de benignidade.”
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