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terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Dia Nacional da Mamografia: seis mitos e verdades sobre o exame

Avaliação é essencial para diagnosticar câncer e outras doenças da mama, costuma ser indolor e pode ser feita por homens 

 

O exame de mamografia é a principal ferramenta para o diagnóstico precoce do câncer de mama — o tipo de tumor mais incidente entre as mulheres no Brasil. De acordo com as projeções do INCA para o biênio 2025-2026, o país deve registrar cerca de 75 mil novos casos anuais, consolidando a necessidade de exames de rastreio regulares para reduzir a mortalidade.

Apesar da importância, ainda existem mitos que afastam as pacientes dos consultórios. Para celebrar o Dia Nacional da Mamografia (5/2), especialistas na área, esclarecem as principais dúvidas


1. A mamografia é dolorosa e muito desconfortável para todas as mulheres.

DEPENDE. Segundo a Dra. Letícia, radiologista especialista em exames de mamas da clínica CDPI, da Dasa, no Rio de Janeiro, a percepção de dor varia conforme a sensibilidade individual e o estado emocional. “A tendência é que a avaliação cause apenas um leve incômodo rápido devido à compressão. No entanto, pacientes no período pré-menstrual podem sentir mais desconforto”, explica ela que orienta a agendar o exame para a semana seguinte à sua menstruação, quando as mamas estão menos sensíveis.


2. A mamografia pode causar câncer devido à radiação.

MITO. A dose de radiação utilizada em um mamógrafo digital moderno é extremamente baixa para que as imagens sejam visualizadas e geradas com a nitidez necessária, como detalha a radiologista da CDPI. Segundo Letícia, isso não é suficiente para causar qualquer dano à saúde da paciente ou influenciar no desenvolvimento de casos de câncer.


3. Mulheres com próteses de silicone também podem fazer mamografia.

VERDADE. A presença de implantes mamários não impede a realização do exame nem compromete a integridade da prótese. De acordo com a Dra. Monique Lambrakos, radiologista do São Marcos Saúde e Medicina Diagnóstica, o protocolo é seguro: as máquinas modernas exercem uma compressão controlada que não danifica o silicone ou o material salino. Para garantir a eficácia do diagnóstico, utilizamos uma técnica específica chamada Manobra de Eklund em que o implante é gentilmente deslocado para trás enquanto o tecido mamário é tracionado para frente. Isso permite que o radiologista visualize o parênquima mamário com maior clareza, minimizando a sobreposição de imagens.


4. Não preciso fazer se não tiver histórico familiar.

MITO. O câncer de mama pode ser desenvolvido a partir de diversas manifestações no organismo, incluindo hereditariedade, genética, fatores externos e outros. Sendo assim, mulheres que não têm histórico da doença na família também têm chances de desenvolver esse tipo de tumor ao longo da vida, assim como outros tipos de câncer que não dependem apenas de fatores hereditários para ocorrerem.

“Além disso, a mamografia é um exame fundamental no rastreio do câncer de mama, mas também é eficaz para visualizar outras alterações que podem ocorrer nessa área, como cistos, abcessos e fibroadenoma. Por isso, todas as mulheres devem incluí-lo em sua rotina de cuidados com a saúde, que deve começar aos 40 anos para mulheres sem casos de câncer de mama na família e aos 35 ou 30 para aquelas que têm casos, principalmente em parentes diretos, como a mãe”, em que se suspeita de risco genética, detalha a dra. Letícia. Cada caso deve ser individualizado pelo médico que acompanha a paciente.


5. Homens não precisam fazer mamografia durante a vida.

DEPENDE. Embora representem apenas cerca de 1% dos casos de câncer de mama, homens possuem tecido mamário e podem desenvolver tumores. "Se o homem notar um nódulo indolor, retração do mamilo ou saída de líquido, a mamografia deve ser solicitada imediatamente para investigação", alerta Monique.


6. Se a mamografia deu "normal", o risco é zero.

MITO. A mamografia tem uma eficácia altíssima, mas em mamas muito densas (com muito tecido glandular), alguns tumores pequenos podem ficar "escondidos". Por isso, o médico pode complementar o rastreio com a ultrassonografia das mamas ou ressonância magnética para garantir total segurança.

Além da técnica, pequenos cuidados da paciente fazem toda a diferença na clareza do laudo final. A Dra. Monique Lambrakos destaca que é preciso suspender o uso de desodorantes, talcos e cremes no dia do exame. “Alguns produtos contêm partículas de metal que podem aparecer na imagem como ‘falsas calcificações’, atuando como artefatos de imagem, confundindo o diagnóstico”.

A especialista ainda frisa que o histórico é o melhor aliado para o paciente. “Leve no dia do exame as suas imagens e os seus laudos anteriores. A mamografia é um exame comparativo. Mudanças sutis na densidade ou na arquitetura mamária em relação ao ano anterior podem ser o primeiro indício de uma lesão, mesmo que seja sutil. Além disso, uma alteração que já estava presente há anos e não mudou geralmente é sinal de benignidade.”


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