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sexta-feira, 14 de julho de 2017

Precisamos mesmo de cobaias no ensino?



 Universidades paulistas e norte-americanas de ponta como Harvard, Stanford e Yale já não utilizam animais vivos na prática acadêmica. Governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, tem até o dia 26 de julho para aprovar Projeto da Lei Anticobaias, que restringe a utilização de animais no ensino a estudos observacionais em campo e exames clínicos que auxiliem o diagnóstico do paciente e o tratamento de espécimes que estejam de fato necessitando da intervenção de um profissional para restabelecimento de sua saúde


O uso de animais vivos no ensino é um dos grandes tabus que mobilizam especialistas, ativistas e a sociedade civil. Embora a prática ainda seja aplicada em muitas escolas e universidades brasileiras, há instituições de ensino, como a Universidade de São Paulo (USP) e o curso de Veterinária da PUC-Campinas, bem como a Faculdade de Medicina do ABC, que já aboliram totalmente a prática. Na USP, a alternativa foi utilização de cadáveres embalsamados, no lugar de animais vivos.

A Lei Federal 9.605/1998 (Lei de Crimes Ambientais), em seu artigo 32, parágrafo 1º, estabelece que é crime a realização de procedimentos dolorosos ou cruéis em animais vivos, ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem métodos alternativos.

De acordo com o deputado estadual Feliciano Filho, autor do projeto 706/2012, que aguarda sanção do governador, a utilização de animais no ensino é cada vez mais questionada, tanto no meio acadêmico como na sociedade civil, seja por questões éticas ou científicas. “Há crescente tendência em situar os animais em uma esfera moral, reconhecendo-os como sujeitos de direito. As mais importantes universidades do mundo têm abandonado o seu uso,” afirma.

Por meio do Projeto da Lei Anticobaias, aprovado recentemente na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP), o parlamentar defende que a utilização de animais no ensino restrinja-se a estudos observacionais em campo, exames clínicos que auxiliem o diagnóstico do paciente e espécimes que estejam de fato necessitando da intervenção de um profissional para restabelecimento de sua saúde. O PL regulamenta, ainda, a utilização de material biológico e cadáveres adquiridos eticamente.

Nos Estados Unidos, instituições renomadas, como Harvard, Stanford e Yale, não utilizam mais animais em seus laboratórios e salas de aula. Segundo o Physicians Committee for Responsible Medicine, das 202 escolas de Medicina dos EUA e Canadá, nenhuma usa animais. Na Grã-Bretanha e Alemanha, 100% das faculdades de Medicina também já aboliram o uso de cobaias durante as aulas.

Para coibir a prática, atualmente existem no mercado diversos métodos substitutivos, como bonecos realísticos para fins didáticos. Os avançados simuladores bovinos têm um complexo sistema de órgãos internos que permite a prática de apalpação e parto. Além disso, são diversos os simuladores caninos que permitem o treinamento de procedimentos como suturas, injeção venosa, cirurgias, raio X, entubação e estabilização espinhal. As incisões podem ser feitas através das camadas da pele e entre os anéis de traqueia. Um simulador canino só para emergências permite técnicas de bandagem, ressuscitação boca-focinho, acesso jugular e vascular.

Outros simuladores, como o de felinos, sapos e ratos, são igualmente realistas. Os manequins simulam a resistência e movimento naturais de um animal vivo e permitem uma prática segura antes de se iniciar o trabalho com animais verdadeiros. Além disso, existem softwares de alta qualidade que utilizam inteligência artificial e métodos in vitro.

Em Audiência Pública na ALESP, o juiz federal Anderson Furlan ressaltou, que hoje é possível dizer que qualquer procedimento feito em cobaias na área do ensino já pode ser considerado crime, uma vez que, existem métodos alternativos. “Não há escapatória para essa conclusão. Se tem método alternativo, quem usa cobaia comete um crime passível de pena. Além do mais, o uso de animais vivos no ensino não é requisito obrigatório para obtenção do diploma”.

Na Universidade de São Paulo (USP), após uma densa pesquisa, encontrou-se como alternativa a utilização de cadáveres embalsamados, no lugar de animais vivos. O trabalho foi realizado pela professora Júlia Matera, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP, que ganhou o prêmio internacional “Métodos substitutivos ao uso prejudicial de animais no ensino humanitário da Medicina Veterinária e Zootecnia na América Latina”, promovido pela World Animal Protection.

Também na Grande São Paulo, a professora Odete Miranda orquestrou um minucioso processo para abolir o uso de animais na Faculdade de Medicina do ABC. “Numa ocasião, um cachorrinho era arrastado para dentro da sala de aula gritando de desespero e traumatizando os alunos. Naquele dia, decidi fazer algo a respeito”. Depois de várias etapas de convencimento envolvendo alunos, docentes e a direção da escola, além de montar um dossiê de métodos substitutivos com mais de 300 páginas, a professora conseguiu, em 2007, pôr fim ao uso de animais na faculdade.

A nefrologista Sabrina Polycarpo formou-se na Faculdade do ABC. A médica nunca realizou procedimentos em animais. “Os animais foram abolidos no meu último ano de faculdade. Então, infelizmente, peguei muitas aulas com animais. Sempre achei 100% desnecessário e cruel e me lembro, principalmente, com muita dor, das aulas com cachorros. Eu ficava a aula toda atrás do responsável pela anestesia preocupada com o animal sentir dor. Nunca fiz qualquer procedimento em nenhum. Sempre me recusei”.


Deputado Feliciano Filho




5 dicas para alimentar o seu bebê



Desmistifique as tradições sobre os primeiros passos de como cuidar do seu bebê


O leite materno é a melhor opção nutricional para o bebê. Porém, nem sempre este processo ocorre de forma descomplicada e o que deveria ser um momento único, de vínculo entre a mãe e a criança, pode gerar momentos de frustração e desconforto.

O período de 6 a 8 semanas após o parto, durante o qual o corpo sofre uma série de alterações para retornar ao estado como era antes da gestação, é uma fase em que a mulher necessita de apoio do companheiro e dos familiares. Em alguns casos, este período se torna conflitante pois com muitas pessoas ao redor, é esperado que todos tenham a intenção de influenciar através das suas crenças e experiências.

Quando o assunto é amamentação, o debate entre as orientações médicas e as práticas vividas pelas avós e mães acontecem com uma certa frequência. 

Todavia, é realmente necessário criar este abismo entre as recomendações dos profissionais da saúde e as experiências vividas pelas mães e avós sobre a melhor forma de cuidar dos bebês?

Para esclarecer dúvidas sobre este importante tema, a especialista e enfermeira em maternidade da Medela, Priscila Preissler, desvenda 5 mitos e verdades sobre amamentação:


1.Quando a mãe retorna ao trabalho, é impossível continuar oferecendo leite materno ao bebê. MITO!

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Após a licença maternidade, que normalmente finaliza quando a criança tem de 4 a 6 meses de idade, se for o desejo da mãe continuar amamentando, é possível manter a produção do leite e continuar ofertando ao bebê. Atualmente, extrair o leite materno é uma prática acessível, facilitando o retorno da mãe para suas atividades, sem perder os benefícios do aleitamento. As bombas para extração de leite materno da Medela, por exemplo, podem ser utilizadas no trabalho ou em qualquer lugar, pois são práticas, portáteis e imitam o padrão de sucção do bebê. O leite extraído pode ser armazenado no refrigerador por 12 horas ou no congelador por até 15 dias. Existem várias opções para ofertar o leite para a criança, o ideal é que a mãe consulte um profissional da saúde para entender qual a melhor indicação.


2. Amamentar necessita de paciência. VERDADE!

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Apesar de ser um ato natural, amamentar é uma ação que deve ser aprendida. Durante o processo surgem vários questionamentos. Muitos são os obstáculos que a mãe pode enfrentar durante a jornada, e é necessária paciência e força de vontade para vencê-los. Entre as dificuldades: falta de conhecimento e conscientização da população e dos profissionais da saúde; culturas, crenças e mitos; condutas inapropriadas e pouca qualificação dos profissionais.


3. O bebê deve mamar a cada 3 horas. MITO!




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Muitos profissionais ainda orientam às mães a oferecer o seio ao bebê a cada 3 horas, o que na prática gera dúvida, pois se o filho(a) chorar após 1 hora da mamada, a mãe deve ou não oferecer o seio novamente?

Hoje trabalha-se com o conceito de livre demanda para alimentação da criança, sem horários pré-estabelecidos, atendendo as necessidades calóricas e emocionais do bebê, quando ele quiser, pelo tempo que ele quiser.



4. É necessário oferecer chá ou suco para o bebê antes dos 6 meses para suprir sua sede. MITO!

 

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O aleitamento materno é responsável pela influência positiva na sobrevivência, na saúde e no desenvolvimento das crianças. Muitos efeitos positivos do leite materno, como a proteção contra infecções, são mais evidentes se a amamentação for exclusiva nos primeiros meses de vida, pois a ação protetora contra diarréias e doenças respiratórias pode reduzir quando a criança recebe, além do leite materno, qualquer outro alimento.



5 . As mães devem evitar a cafeína e cortar a bebida alcoólica. VERDADE!

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Muitas substâncias e alimentos podem alterar a composição do leite. Deve-se evitar doses excessivas de cafeína, pois pode deixar o bebê irritado e sem sono e o álcool, que destrói as células nervosas e deixa o bebê sem fome, levando ao baixo ganho de peso. Deve-se também evitar o tabagismos e tomar cuidado com o consumo de certos medicamentos.




Tabagismo é o principal fator de risco para o câncer de bexiga



Especialistas afirmam que o ato causa cerca de metade dos casos da doença


Além de ser considerada a principal causa de morte evitável em todo o mundo, pela OMS (Organização Mundial da Saúde), o tabagismo também é causador de diversos tipos de câncer, entre eles o de bexiga – que, somente em 2016, atingiu 9.760 pessoas no Brasil, segundo dados do INCA (Instituto Nacional do Câncer) e, por essa razão, julho é considerado o mês de conscientização da doença. Segundo especialistas, metade dos casos da neoplasia é atribuída ao consumo do tabaco.

“A fumaça inalada pelos fumantes contém alguns carcinógenos que são absorvidos pelos pulmões, entram e são transportados pelo sangue, filtrados pelos rins e, por fim, concentram-se na urina. Estas substâncias podem danificar as células da bexiga, aumentando consideravelmente os riscos de câncer no órgão”, explica Diocésio Andrade, oncologista do Grupo Oncoclínicas/InORP (Instituto Oncológico de Ribeirão Preto).

Outros fatores
Além do tabagismo, outros fatores também são considerados de risco para o desenvolvimento da doença, como a exposição ocupacional (certos produtos químicos industriais têm sido associados ao tumor), idade (cerca de 90% das pessoas diagnosticadas com a doença têm mais de 55 anos), gênero, irritação crônica e infecções, histórico familiar, baixo consumo de líquidos, entre outros.

“Caso o paciente note alterações como dor, sangramento e necessidade frequente de urinar (mas sem conseguir fazê-lo), ele deve procurar um especialista, pois estes são alguns dos sinais de alerta para diferentes doenças do aparelho urinário, incluindo o câncer de bexiga”, alerta o oncologista.

Tipos de câncer
A neoplasia pode ser dividida em três tipos, que começam nas células que revestem a bexiga: a de células de transição (representa a maioria dos casos e tem início nas células do tecido mais interno do órgão); de células escamosas (que começa nas células finas e planas da bexiga); e o adenocarcinoma (atinge as células que produzem e liberam muco e outras substâncias). Os dois últimos podem se formar depois de um longo período de irritação ou inflamação.

Prevenção
“Uma vida saudável, fisicamente ativa e com uma alimentação equilibrada - rica em frutas, legumes e verduras – são essenciais para prevenção de diferentes tipos de câncer, e não é diferente com o tumor na bexiga”, finaliza Diocésio Andrade.



 

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