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sexta-feira, 14 de julho de 2017

Estresse pode desencadear crises alérgicas



A alergia é uma resposta exagerada do sistema imunológico a algum agente externo, como ácaros, fungos, insetos, pelos de animais, pólen, alimentos e medicamentos. As doenças alérgicas (alimentares, dermatológicas ou respiratórias, por exemplo) podem ter vários gatilhos nos indivíduos predispostos geneticamente. O estresse pode ser um deles. 

“Não é uma relação direta, mas o estresse pode mexer com o sistema imune e, eventualmente, piorar a crise ou deixar a pessoa mais suscetível. A causa não é o estresse, mas ele pode desencadear algo quando já havia uma predisposição genética”, diz a Dra. Yara Arruda Mello, alergologista do Hospital e Maternidade São Luiz Itaim. 

Ela explique que, no caso da asma, o paciente acaba se sensibilizando com maior frequência aos ácaros, mas, em uma situação de estresse, ele pode ter os sintomas de crise ativados. Em todos os casos, porem, é essencial consultar o especialista para que os demais fatores alérgenos externos sejam descartados e se comprove que o estresse foi o gatilho.

O alívio dos sintomas depende de cada doença, mas o recomendável para qualquer pessoa em qualquer situação é levar uma vida mais saudável para que todo o organismo funcione de maneira adequada. “Não só evitar o estresse, mas também ter um sono regulado e uma dieta balanceada. Atividade física também é bastante importante. Algumas pessoas gostam de dançar, outras preferem meditar. Cada um deve identificar qual atividade que funciona melhor”, afirma a médica. 

Segundo a especialista, o mais importante é que as pessoas tenham consciência do que está acontecendo e sigam a orientação médica e o plano de ação feito com o alergologista. O diagnóstico correto e bem apurado dessas doenças é fundamental para saber como proceder no momento de cada uma das crises e em caso de emergência. 






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No Dia Nacional do Homem SBEM-PR alerta para hipogonadismo, conhecido popularmente como andropausa



Termo se refere à queda dos níveis de testosterona, hormônio com inúmeras funções no organismo; controle e reposição hormonal orientada é essencial para garantir qualidade de sono, saúde cardíaca, queda de libido, depressão, fogachos entre outros, quando existem sintomas e alterações



 Menor força muscular é um dos sintomas relacionados à redução da testosterona (Freepik) 



É verdade que estamos muito mais familiarizados com a menopausa e os efeitos que ela traz ao organismo da mulher, mas os homens também podem enfrentar um período de mudanças hormonais. Mas no homem, diferentemente da mulher, não existe parada da produção de hormônios, portanto não existe a “andropausa”. O que ocorre é a diminuição da produção hormonal, podendo levar a falta do hormônio ou não. Já o termo hipogonadismo refere-se a níveis de hormônio sexual abaixo da normalidade.

No Dia Nacional do Homem, que se celebra em 15 de julho, a Sociedade de Endocrinologia e Metabologia – Regional do Paraná (SBEM-PR) chama a atenção dos homens para este tema, que é cercado de tabus. “No homem, os níveis de testosterona, que é o principal hormônio sexual masculino, reduzem com a idade, porém geralmente dentro do valor de normalidade e sem sintomas ou consequências”, afirma o endocrinologista Emerson Cestari Marino.

Ele explica que se usa o termo hipogonadismo quando ocorrem níveis abaixo da normalidade, em mais de um exame, com no mínimo um mês de intervalo. “Isso associado a sintomas como, por exemplo, perda de libido (vontade sexual), perda de vigor, obesidade abdominal, depressão, dificuldade de ereção (impotência), alteração na qualidade do sono e fogachos”, alerta o médico.


Riscos da falta de testosterona

A falta deste hormônio sexual pode ter várias causas, como obesidade, diabetes, uso de medicamentos, doenças específicas e até tumores do sistema endócrino. Por isso é fundamental não somente tratar a falta do hormônio, como tratar a causa desta falta, que pode reverter o quadro. “A testosterona tem importância em diversas funções do organismo, além da sexual. A falta ou o excesso deste hormônio podem trazer consequências graves como alterações na produção de glóbulos vermelhos, na força e massa muscular e óssea, além das funções do coração, artéria e veias”, explica o endocrinologista da SBEM-PR.

Veja algumas perguntas frequentes no consultório do endocrinologista acerca deste tema.


Qual o nome correto: Andropausa, DAEM ou hipogonadismo?

No homem, diferentemente da mulher, não existe parada da produção de hormônio, portanto não existe “andropausa”, o que ocorre é a diminuição da produção hormonal, podendo levar a falta do hormônio ou não.  Sendo assim, tanto DAEM como hipogonadismo masculino tardio são aceitos na área médica, porém seu médico vai entender ao que você está se referindo.


Quem precisa dosar a testosterona?

Apenas aqueles que tenham queixas relacionadas a baixa da testosterona, como os colocados abaixo:
Sexuais
Diminuição de Libido (Vontade sexual)
Disfunção Erétil (Impotência)
Corporais
Fadiga
Menor massa e força muscular
Aumento de gordura abdominal
Hipertensão Arterial
Diabetes Mellitus
Alterações de colesterol e triglicerídeos
Anemia
Osteoporose
Psíquicos
Depressão
Alterações de memória e raciocínio



Somente a falta de testosterona pode dar estes sintomas?

Não, estes sintomas são inespecíficos e em torno de metade das pessoas com estes sintomas não possuem alteração de testosterona. Estresse, problemas no relacionamento e outras doenças podem causar os mesmos sintomas.


Mesmo que eu não me importar com estes sintomas, tenho que tratar?

O fator mais importante para indicar o tratamento se a testosterona está baixa e há sintomas, é que os estudos mostram redução de morte no grupo que realizou tratamento. Sendo assim, é importante tratar.


Se eu não tiver falta de hormônio e usar testosterona, pode fazer mal?

Sim, nestes mesmos estudos que avaliaram risco de morte para quem usava ou não, foi visto que aqueles que utilizavam testosterona em excesso ou sem necessidade, morreram mais que os que estavam com os níveis normais.

Estudos mais recentes mostram também aumento do risco de insuficiência cardíaca, infarto e mortes em pessoas que utilizam testosterona e outros hormônios masculinos para ganho de massa muscular e desempenho esportivo.
Outras alterações que podem ocorrer com o uso é o aumento de glóbulos vermelhos acima do normal, aumentando o risco de trombose, hepatite por uso de medicamento, reações alérgicas, aumento de roncos e apneia do sono, aumento do risco de infarto e AVC.


Com apenas uma dosagem de testosterona e sintomas, posso iniciar tratamento?

Não é indicado. A dosagem de testosterona como a de outros hormônios, pode sofrer diversas interferências de medicamentos, situações pessoais, estresse, problemas na dosagem do laboratório e doenças recentes. Assim sempre deve ser repetida antes de tratar. Um simples resfriado pode alterar a dosagem de diversos hormônios e os sintomas da deficiência não são específicos.


Se eu iniciar o tratamento, devo tratar por toda a vida?

Não necessariamente.  Caso tenha a causa revertida como, por exemplo, o controle do diabetes mellitus, a perda de peso ou o controle de um tumor endócrino, existe uma chance grande de seus níveis de testosterona voltarem ao normal e poder cessar o uso da testosterona.

Por isso é imprescindível tratar a causa da falta de hormônio e realizar o acompanhamento corretamente.


Qual o melhor tratamento?

Existem alguns tipos de tratamento aceitos, como o uso de gel ou solução de testosterona para passar na pele e injeções, que devem ser discutidas com seu médico. Não é indicado o uso de testosterona por boca nem manipulada. O uso via oral aumenta muito a chance de hepatite por medicamento e a manipulação pode sofrer diversas interferências, sendo indicado apenas utilizar formulações já prontas.


Existem tratamentos alternativos para reverter a falta de hormônio?

Em alguns casos, o uso de alguns medicamentos pode ser utilizado para tentar reverter o quadro, porém estes casos devem ser bem selecionados. Medicações ditas naturais não mostraram benefício claro nem segurança no tratamento até o momento. Não existem implantes aprovados para reposição de testosterona.


A obesidade é causa ou consequência da falta de testosterona?

A obesidade altera o controle hormonal da produção de testosterona, que piora a obesidade. Sendo assim, é formado um ciclo vicioso, sendo importante o tratamento de ambas as situações ao mesmo tempo para obter um resultado melhor em longo prazo, com possibilidade de normalização e suspensão das medicações.


A reposição de testosterona interfere na fertilidade?


Sim, com a reposição de testosterona existe a diminuição e até mesmo a parada de produção de espermatozoides, que pode ser temporária ou permanente.

Caso exista a expectativa de gestação natural em breve e os testículos tenham capacidade de produzir espermatozoides e testosterona se estimulados, existem outros tratamentos possíveis.





* Com informações de: Manual de Condutas Práticas em Endocrinologia e Metabologia (Rômulo Augusto dos Santos, Emerson Cestari Marino, Renata Gonçalves Campos – THS Editora – São José do Rio Preto – 2013)

Endocrinologia Feminina e Andrologia (– 2ª Edição – Ruth Clapauch – Editora Guanabara Koogan – Rio de Janeiro – 2016).)



Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – Regional Paraná | SBEM-PR
E-mail: sbempr@endocrino.org.br
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A saúde do Brasil em xeque



O Brasil talvez viva hoje um dos momentos mais delicados de sua história.
Escândalos de corrupção atingem todos os partidos, colocando instituições seculares à beira do descrédito. Os desvios envolvem políticos de todas as cores e instâncias das mais variadas. Difícil salvar desse lodaçal um ministério, uma secretaria, um governo, seja de onde for.

Claro que os reflexos se dão em todos os campos. Na Saúde, por exemplo, o rombo deixado pela malversação dos recursos públicos foi de R$ 20 bilhões em 2016. Dinheiro que deveria ser usado para construção de hospitais, compra de equipamentos, contratação de médicos e outros profissionais vazou para os bolsos de quadrilhas infiltradas na máquina do estado.

Assim, a situação do Sistema Único de Saúde (SUS), já extremamente preocupante em virtude do subfinanciamento fica cada vez mais caótica.
A agravante é que o Governo aprovou uma Lei que congela por 20 anos os parcos investimentos no setor, o que sinaliza tempos de provação para os pacientes, em especial para os mais vulneráveis social e economicamente.

As boas cabeças do País e os chamados homens de boa vontade têm de se unir rapidamente para evitar um mal ainda maior. Atualmente, a saúde virou mero negócio, em vez de focar no bem estar do cidadão. É explorada por muitos maus gestores e maus empresários, que, se ainda não são regra, faz anos deixaram de ser exceção.

Isso fica evidente quando falamos de formação médica. Faculdades são abertas sem hospital-escola, sem professores qualificados, sem preceptoria e com grade curricular contestável todos os dias. Assim, todos os anos, são ejetados para a linha de frente de atendimento profissionais de formação insuficiente e que representam risco à saúde dos pacientes.  No mais recente Exame Cremesp com formandos de medicina, realizado ao término de 2016, quase a metade dos participantes da avaliação não atingiu a nota mínima para aprovação.

É calamidade mesmo! Cerca de metade dos médicos que acabou de entrar no mercado de trabalho não está apta a exercer a medicina. Muitos dos recém-formados desconhecem o diagnóstico ou tratamento adequado de casos básicos e problemas de saúde frequentes, como tratamento inicial do infarto agudo do miocárdio, hipertensão arterial; crise de asma do adulto e criança; atendimento inicial de vítima de acidente automobilístico; diagnóstico de hipertireoidismo, conduta na cetoacidose diabética e na identificação de quadro de doenças mentais (esquizofrenia, distúrbio bipolar) etc.

Reverter esse quadro e escapar de um xeque-mate passa necessariamente pela revisão da forma de fazer política no Brasil, de gerir a coisa pública e também pela revisão do modelo de saúde aqui implantado. Não é mais possível continuarmos na idade da treva, propondo políticas ao SUS e a área suplementar com base na doença.

Precisamos que a atenção tenha como prioridade a prevenção e a promoção em saúde. Humanizando a medicina, passando a enxergar o paciente como gente não como um número de quarto ou uma carteira de plano de saúde estaremos também formando o alicerce de futuras gerações saudáveis.

Com essa ênfase, pouco a pouco, pacientes deixarão de se submeter a procedimentos ou exames de alto custo e mais complexos. Será uma economia que se reverterá para outras necessidades em saúde. O cidadão se manterá saudável, pois terá a possibilidade de uma doença diagnosticada antes e uma intervenção competente para evitá-la.

Esse processo é de uma riqueza incrível para um sistema de saúde. Então, está mais do que na hora de abrirmos os olhos e passar a investir na qualidade de vida e no bem estar.


 


Antonio Carlos Lopes - presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica e professor afiliado do Hospital Militar de Área de São Paulo (HMASP)





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