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segunda-feira, 20 de março de 2017

Dia Internacional da Felicidade da ONU leva pessoas a questionarem satisfação profissional



Pesquisas apontam que apenas 24% dos brasileiros são felizes em seus empregos


Hoje, dia 20, é comemorado pela ONU o Dia Internacional da Felicidade, a data foi escolhida para apoiar os novos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, os ODS. A iniciativa promoverá em todo o mundo os Objetivos Globais da organização, em busca de mais igualdade, redução da pobreza, proteção ao planeta e agora também tem engajado pessoas a discutirem a felicidade no ambiente de trabalho.

O tema gera também uma preocupação sobre os baixos índices de felicidade no trabalho em todo o mundo. A pesquisa International Stress Management no Brasil (Isma-BR) aponta que apenas 24% dos brasileiros se sentem realizados e felizes em seus ambientes de trabalho.

Dados da Associação Americana de Sociologia (ASA) revelam que a insatisfação com o trabalho pode levar ao desenvolvimento de doenças. A pesquisa estudou 6 mil participantes, desde 1979, e acompanhou seus resultados ao longo da vida profissional e o resultado obtido em cada participante.

Os pesquisadores descobriram que as pessoas que eram mais infelizes no trabalho no começo da carreira também eram as mais propensas a doenças aos 40 anos, especialmente problemas mentais. Os dados demonstraram alto índice de depressão, problemas emocionais, distúrbios do sono e excesso de preocupação.

Outro estudo que analisa o comportamento das pessoas no ambiente de trabalho, State of the Global Workplace, realizado pela Gallup em 142 países, demonstra que apenas 27% dos colaboradores de empresas brasileiras são engajados em suas funções, e destes 77% prosperam em suas funções. O número também chama a atenção sobre a necessidade de melhorar o engajamento e aproveitamento dos colaboradores em suas posições.


Felicidade no trabalho é essencial para a vida pessoal

As pessoas passam a maior parte do seu dia no ambiente do trabalho. Logo, se ela não está feliz no âmbito profissional, a vida pessoal sofrerá conseqüências relacionadas a insatisfação com o emprego.

Um estudo do site Love Mondays realizou um levantamento com 36 mil profissionais e destacou os itens que mais impactam na felicidade (ou não) dos colaboradores em uma empresa: salário e benefícios, oportunidade de crescimento na carreira, cultura corporativa, qualidade de vida e satisfação geral com o emprego.

Para João Paulo Pacifico, fundador do Grupo Gaia, maior grupo de securitizadoras do País, a felicidade no trabalho é essencial. E foi assim que ele construiu a empresa: baseada em uma cultura corporativa que trabalha valores como felicidade, gratidão e desenvolvimento das equipes. A empresa instalou um tobogã em sua sede, sala de meditação, redário a três metros de altura, balanços e tem estampado nas paredes da entrada os 10 valores que baseiam a corporação. A cultura corporativa liderada pelo empresário, rendeu mais de 120 mil seguidores no LinkedIn interessados em saber mais sobre a empresa e seus valores.

Recentemente, a empresa recebeu mais de sete mil candidatos para uma vaga postada no LinkedIn, toda essa interação com a empresa é reflexo de valores corporativos verdadeiros e de uma equipe que realmente trabalha motivada no dia a dia.

Pensando em levar a felicidade de dentro da empresa para fora do escritório, Pacifico criou uma ação para o aniversário de oito anos do grupo: um desafio que colocará todos os colaboradores em busca de levar felicidade ao próximo, exatamente no Dia Internacional da Felicidade.

“Nosso aniversário é no dia 18, costumamos fazer festas surpresas aos colaboradores, porém, neste ano, vamos inovar. Criaremos uma espécie de gincana, onde, dentro dos nossos valores, as equipes terão que promover ações que gerem felicidade aos outros, compartilhando nossa cultura e colaborando com a meta da ONU de fazer um mundo mais feliz. Estamos ansiosos pra saber o que nossa equipe irá aprontar nas ruas de um dos maiores centros empresariais de São Paulo”, comenta o empresário.

Empresas como o Grupo Gaia, Google, Facebook, entre outras tem demonstrado que é possível fazer um mercado corporativo com menor índice de stress e com mais valorização dos colaboradores, resultando em aumento da felicidade. Um ponto que precisa ser repensado pelas empresas em todo o mundo.




As crianças e os problemas ambientais



Dois estudos divulgados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) neste início do mês de março têm foco na relação das crianças com problemas ambientais. Os relatórios revelam que as doenças mais comuns que afetam as que têm menos de 5 anos – infecções respiratórias, malária e diarreia – se devem a ausência de água potável, saneamento básico e poluição do ar.

De acordo com os estudos das 5,5 milhões de crianças com menos de 5 anos que morreram no mundo em 2015, 26% dessas mortes se devem a fatores ambientais.

Os dados da OMS referentes ao Brasil afirmam que a quase totalidade da população brasileira tem acesso a esgoto sanitário, água potável e combustível limpo para as tarefas de casa. Essa informação, provavelmente, foi obtida dos dados oficiais que levam em consideração somente as áreas regularizadas das cidades. Se forem consideradas as áreas irregulares – onde se localizam as favelas, por exemplo – que é onde vive a população mais pobre, os dados seriam diferentes.

Que determinados fatores ambientais afetam significativamente a saúde da população é fato reconhecido por inúmeros estudos. O que os relatórios da OMS trazem de novo é como são afetadas as crianças.

No caso brasileiro fica ainda mais evidente que poderiam ser adotadas medidas que permitiriam amenizar o problema.

Considerar a população que vive em áreas irregulares como cidadãos que possuem direitos é um primeiro passo que poderia diminuir o acesso de crianças às áreas de risco, como esgotos a céu aberto e lixões que ainda permanecem nas grandes cidades brasileiras. A condição de irregulares não justifica a omissão do poder público de não oferecer água e saneamento básico de alguma forma.

Outra medida que poderia ser adotada é a diminuição do uso dos combustíveis fósseis nos veículos, começando pelo transporte coletivo e de mercadorias que poderiam fazer uso de biocombustíveis, quer seja em sua totalidade ou num primeiro momento com adição de 50% de cada um. Melhoraria significativamente a poluição do ar nas grandes cidades.

Os fatores ambientais que afetam as crianças dependem de ações governamentais que demandam urgência em função da realidade exposta nos relatórios da OMS.

A questão de implementação de políticas públicas direcionadas ao reconhecimento do direito de água potável e saneamento básico das populações que vivem em áreas irregulares e a utilização do biodiesel dependem de tomadas de decisão no âmbito político.

O problema que ocorre, de modo geral, é a ausência de criatividade e inovação por parte dos gestores públicos para solucionar esses problemas. A justificativa é sempre a falta de recursos financeiros ou a necessidade de regularização das áreas, que podem demorar anos. Nesses processos, muitas vezes, intermináveis, muitas crianças perecem.

Soluções possíveis poderiam ser encaminhadas com o estabelecimento de parcerias com o setor privado responsável e as ONGs, bem como com a participação efetiva da população afetada mobilizada para implementação de negócios sociais com foco na solução dos problemas, que além de resolveram a questão, ofereceriam a perspectiva de um futuro mais sustentável às regiões menos favorecidas.



Reinaldo Dias - professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, campus Campinas. Doutor em Ciências Sociais e Mestre em Ciência Política pela Unicamp. É especialista em Ciências Ambientais.



DIA MUNDIAL DA ÁGUA




Solo protegido, sinônimo de água 

limpa

Programa Microbacias Hidrográficas incentiva as boas práticas agrícolas que minimizam os impactos ambientais e interferem diretamente na qualidade da água.

Todos nós precisamos de água: seja para matar a sede, cozinhar, para a higiene ou lazer, a água é fundamental em nossas vidas. A Agência Nacional de Águas (ANA) estima que no Brasil 61% da água é aplicada na agropecuária. O restante é dividido entre as áreas urbana (22%) e industrial (17%). O produtor rural depende da água para praticamente tudo que faz: irrigar plantações, dar de beber aos animais e na fabricação de outros produtos. E assim como a indústria e a população urbana, o produtor rural também tem em mãos uma grande responsabilidade: proteger a água e sua qualidade.

A agricultura não apenas influencia a manutenção da disponibilidade dos recursos hídricos, como também impacta diretamente na qualidade da água. Agrotóxicos e fertilizantes quando utilizados de forma incorreta podem contaminar os solos e os lençóis freáticos, além de rios e lagos. Desmatamentos, erosão e assoreamento também alteram o meio ambiente e não ficam limitados ao local de origem. Eles se encadeiam ao atingir toda a bacia hidrográfica, afetando inclusive populações distantes por meio da diminuição da vazão dos córregos e rios e da degradação das águas. Está, portanto, nas mãos dos produtores, uma grande responsabilidade: utilizar os recursos hídricos de forma consciente, mas também utilizar práticas agrícolas que evitam a contaminação da água.

Com o objetivo de sensibilizar produtores sobre o tema e difundir as melhores práticas agrícolas, o Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco) mantém, desde 2001, o Programa Microbacias Hidrográficas. A ação, realizada em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), a Emater e a Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), tem o objetivo de proteger as nascentes e preservar as matas ciliares por meio do correto uso e manejo do solo e dos mananciais hídricos.

A primeira microbacia a fazer parte do programa foi a do Arroio Lajeado Ferreira (afluente do Rio Guaporé), na localidade de Cândido Brum, em Arvorezinha (RS), onde existem ações permanentes junto aos produtores rurais visando manter práticas conservacionistas e monitoramento dos resultados. Desde 2005 há coleta constante de informações sobre fluxos de água, sedimentos geoquímicos e atividade biológica do solo. O banco de dados criado é objeto de um estudo que agregou a participação de países estrangeiros. Pesquisadores da Alemanha, Bélgica, Brasil e Espanha atuam juntos na pesquisa global chamada "Avaliação do impacto humano nas mudanças do solo e suas consequências no funcionamento do solo", que têm o objetivo de verificar o impacto das atividades agrícolas sobre o solo e os recursos hídricos.

Segundo o pesquisador e professor da UFSM e coordenador do programa Microbacias, Jean Minella, está comprovado que as boas práticas de manejo e conservação do solo apresentam eficiência na manutenção da qualidade da água e o principal avanço percebido com o monitoramento foi a melhoria nas condições hídricas, principalmente das fontes de abastecimento das famílias. Alguns indicadores revelam claramente o efeito positivo das práticas de conservação de solo na qualidade da água. Durante os anos de coleta de dados diversos avanços foram percebidos pela equipe de estudiosos. "Houve redução da quantidade de fósforo, nitrogênio e coliformes nas águas dos rios e das fontes, redução das vazões máximas e redução da produção de sedimentos (erosão)", explica Minella.

Para o presidente do SindiTabaco, Iro Schünke, o compromisso do setor é promover a sustentabilidade, reduzindo ao mínimo possível os impactos no meio ambiente. "É importante que o produtor se conscientize que o manejo adequado do solo pode proporcionar melhorias não somente ao meio ambiente e à sociedade como um todo, mas a si mesmo, uma vez que também contribui para uma água mais limpa e um solo mais saudável, bem como maximiza o uso de fertilizantes, aumentando a produtividade agrícola e, consequentemente, sua receita", ressalta.

Entre as práticas de conservação do solo mais difundidas está o plantio direto e o cultivo mínimo. O plantio direto na palha é o sistema de cultivo mais eficiente na proteção do solo. Consiste em evitar o revolvimento do solo, preservando integramente a palhada dos cultivos de cobertura sobre a sua superfície.  Além do aspecto conservacionista, esta tecnologia propicia redução no uso de combustíveis fósseis, redução na mão de obra e aumento da rentabilidade do produtor através da redução de custos. No cultivo mínimo, o produtor mobiliza o mínimo possível o solo, protegendo parcialmente a sua superfície com resíduos da cultura anterior ou a biomassa resultante dos cultivos de cobertura, com o objetivo de diminuir os riscos de erosão.

Nos últimos anos tem crescido o número de adeptos às práticas e alguns produtores que continuam utilizando o sistema convencional de preparo do solo adotam outras práticas conservacionistas como terraceamento, cultivos de cobertura e plantio em nível, que funcionam como mecanismo de proteção em relação ao escoamento das águas das chuvas, reduzindo a sua velocidade e seu potencial erosivo.

Outra forma de proteger o solo é através da preservação da mata ciliar, localizada no entorno de nascentes e nas margens dos cursos d'água. Além disso, como o tabaco é uma cultura sazonal, permitindo um cultivo sucessivo, as empresas incentivam o plantio de outras culturas, como o milho e o feijão após o tabaco. Esta prática possibilita a redução das populações de pragas e doenças, o reaproveitamento dos resíduos de fertilizantes, constituindo-se em fonte complementar de alimentação e renda das propriedades.

SAIBA MAIS - O Dia Mundial da Água, comemorado em 22 de março, foi criada em 1992 pela Organização das Nações Unidas (ONU) diante da importância da água para vida e da necessidade urgente de manter esse recurso disponível. No mesmo ano, também foi divulgada a Declaração Universal dos Direitos da Água, um documento sobre as sugestões, medidas e informações necessárias para a solução dos problemas do uso da água, considerando-a um bem perecível. Neste ano, o tema escolhido pela UNU para celebrar a data é "Água e Empregos: Investir em Água é Investir em Empregos (Water and Jobs - Investing in water is investing in jobs)".




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