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terça-feira, 14 de março de 2017

Prematuros em unidades de terapia intensiva neonatal são expostos a ruídos muito altos



 
Entender o ambiente auditivo da UTIN abre caminho para intervenções que reduzem altos níveis de som adversos e aprimoram formas positivas de exposição auditiva, como a linguagem



Os bebês prematuros frequentemente passam as primeiras semanas de vida em unidades de terapia intensiva neonatal (UTINs), onde, idealmente, estariam protegidos da demasiada exposição a ruídos. No entanto, pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Washington, em St. Louis, descobriram que os prematuros podem estar submetidos a níveis de ruído mais altos do que aqueles considerados seguros pela Academia Americana de Pediatria, AAP.

Por outro lado, os pesquisadores também descobriram que alguns prematuros podem não receber exposição suficiente a sons benéficos, como linguagem e música, que podem melhorar o seu desenvolvimento. Foi avaliado que, em salas privadas, que são cada vez mais comuns na UTINs, os bebês se deparam com períodos muito mais longos de silêncio do que em unidades onde vários berços estão na mesma sala. Eles também observaram que muitos dos sons nas UTINs são de natureza mecânica e muito diferentes dos sons benéficos da voz humana. O estudo foi publicado em 8 de fevereiro no The Journal of Pediatrics.

Sabemos que uma certa exposição ao som, mesmo entre os pré-adolescentes, pode ser benéfica. “Mas os sons no ambiente das unidades de terapia intensiva neonatal não ocorrem isoladamente, por exemplo, quando os pais falam com seus recém-nascidos, eles também costumam segurar e acariciar seus bebês - tudo o que ajuda a promover o desenvolvimento saudável”, afirma o pediatra e homeopata Moises Chencinski (CRM-SP 36.349).


A importância dos sons

Os pesquisadores decidiram se debruçar sobre o estudo do som nas UTINs porque uma pesquisa anterior do mesmo grupo indicou que, em comparação com as crianças em leitos abertos nos hospitais, os bebês internados nas salas privadas das UTINs apresentaram desenvolvimento de linguagem mais pobre aos 2 anos de idade.

“Muitas coisas podem influenciar o desenvolvimento de um bebê prematuro, mas os pesquisadores acreditam que os quartos privados das UTINs podem ser tranquilos demais, especialmente quando os pais são incapazes de visitar e de se envolver no cuidado de seus bebês. A conclusão vem do uso de dispositivos digitais de processamento de linguagem para capturar todos os sons nos ambientes dos prematuros”, conta o pediatra, que é membro do Departamento de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários da Sociedade de Pediatria de São Paulo.

Os aparelhos foram pendurados na cabeceira de 58 recém-nascidos prematuros na UTIN do Hospital Infantil de St. Louis - 33 berços estavam em uma sala aberta e 25 em salas privadas. Os dispositivos foram colocados perto das cabeças dos bebês para capturar os sons aos quais os bebês foram expostos.

Todos os bebês nasceram com 28 semanas de gestação, ou antes, e as gravações foram feitas dentro de duas semanas após o nascimento de cada prematuro; novamente às 30 semanas, às 34 semanas e depois em cerca de 40 semanas, quando os bebês são considerados de termo.

Os pesquisadores descobriram que o nível de ruído médio na UTIN foi pouco menos de 59 decibéis, com níveis de pico de ruído chegando a quase 87 decibéis. A Academia Americana de Pediatria recomenda evitar níveis acima de 45 decibéis. Muitas vezes, o ruído medido provinha de equipamentos médicos essenciais para a sobrevivência do bebê. E estes equipamentos são usados nas unidades neonatais ao redor do mundo.

Os níveis de decibéis dos alarmes dos equipamentos nas UTINs foram reduzidos nos últimos anos. Os alarmes alertam as enfermeiras quando um bebê precisa de atenção, mas os alarmes não são tão altos quanto os modelos anteriores e alguns até tocam uma canção de ninar para chamar a atenção.

Ventiladores, no entanto, fazem muito barulho e são essenciais para alguns prematuros com problemas respiratórios. Um ventilador (respirador artificial) é uma intervenção necessária, que salva vidas, mas produz uma série de ruídos não-naturais durante um período crítico para o desenvolvimento do sistema auditivo.


Conclusões

“A equipe de pesquisadores também descobriu que, à medida que os prematuros aproximavam-se das datas em que deveriam ter nascido, os ruídos diminuíram, o que pode ser explicado pelo fato de que muitos não precisam mais da  assistência de máquinas e outros equipamentos médicos. A exposição à fala também aumentou ao longo do tempo, mas chamou atenção o fato de que havia, em geral, muito pouca exposição à linguagem significativa, apenas 30-35 minutos durante um período de 16 horas”, afirma Moises Chencinski.

Os pesquisadores também observaram que os bebês, em salas privadas, tendem a ser mais expostos a mais períodos de silêncio. Durante o período de 16 horas, no qual os ruídos foram auferidos, esses bebês experimentaram, em média, quase duas horas a mais de silêncio.

Foi feito um estudo-piloto para avaliar sons e outros estímulos que poderiam ajudar os bebês prematuros a se desenvolver enquanto lutam durante as primeiras semanas de vida fora do útero.

“A intervenção centra-se no envolvimento dos pais na prestação de exposições sensoriais adequadas para os seus filhos, porque o envolvimento dos pais pode ser uma poderosa ajuda para o desenvolvimento saudável. O estudo recente também constatou que os bebês foram expostos a mais linguagem, quando seus pais estavam presentes, sugerindo que os pais podem ter um grande impacto sobre o meio ambiente da UTIN”, destaca o pediatra.

No entanto, as intervenções para cada criança serão diferentes com base em quais complicações médicas estão presentes, bem como em quão imaturo o bebê pode ser. Se um bebê nasce 2 meses e meio antes de sua data de parto, por exemplo, podemos recomendar o contato pele a pele e falar com o bebê. “Já quando a criança se aproxima do que é considerado o nascimento a termo, o bebê também pode se beneficiar do movimento e do balanço, além do fato de ser mantido no colo, por longos períodos, da leitura, de conversas e de música, dentre outros sons. Ensinar os pais a agir dessa forma não só fornecerá estímulos ao bebê, mas também estabelecerá a criação de vínculos com ele, o que pode se traduzir em melhor desenvolvimento a longo prazo”, defende o médico.





Moises Chencinski




Aumentam os divórcios e a busca por a Reversão de Vasectomia no Brasil



Senhor de 63 anos reverte vasectomia de 28 anos e recupera 70% de sua capacidade reprodutiva, um marco no Brasil. Mitos e verdades sobre o assunto que ainda gera medo nos homens


Segundo o dado nacional mais recente do IBGE, de 2015, o número de divórcios ao ano no Brasil cresceu 160% em 10 anos. Um dos motivos para o crescimento é simplesmente porque se separar, hoje, é bem mais prático.Em meio a este cenário cresce também a procura dos homens pela reversão de vasectomia, novos relacionamentos, uma nova vontade ter filhos.

Foi o que aconteceu com o empresário Marcus Burjato, com 63 anos, pai de dois filhos de um casamento anterior, decidiu reverter sua vasectomia de 28 anos – cirurgia para tornar o homem infértil. Burjato decidiu realizar o sonho da atual esposa, ter um filho. As chances eram pequenas, porém o procedimento foi um sucesso.

O procedimento foi um marco, já que o tempo entre a vasectomia e a sua reversão é de vital importância para a obtenção de bons resultados. No Brasil, já havia sido registrado reversões bem-sucedidas com até 25 anos, não mais que este período, e em homens mais novos.

Com técnicas microscópicas e sob raqui-anestesia, o andrologista e diretor do Instituto Paulista, Dr. Carlos Augusto Araújo Pinto, conseguiu reverter o procedimento. Em um período de 90 dias, o espermograma apontou que o paciente havia recuperado 70% de sua capacidade reprodutiva, um recorde.

"A reversão é um procedimento delicado que exige um microscópio capaz de aumentar entre 20 e 25 vezes, cuidado comparado ao de operações neurológicas, porque o tubo epididimálio é minúsculo. Só deve ser feito por mãos de profissionais bem qualificados. À medida que o tempo passa, a hiperpressão no epidídimo (tubo espiralado que fica na parte de trás do testículo, responsável por armazenar e transportar o esperma) vai gerando fibrose e surgem obstruções não no lugar em que foi feita a ligadura, mas abaixo desse ponto, o que complica a cirurgia, os espermatozóides não aparecem. Então, em vez de tirar aquele segmento e ligar os dois ductos deferentes, é preciso levá-los ao epidídimo num ponto próximo a esses que apresentam fibrose, fazendo uma conexão que deixa fora a área obstruída", afirma o Dr. Araújo

Ainda segundo o especialista, hoje já se sabe que reversões com menos de três anos após a vasectomia, a chance de obtenção de espermatozoides no esperma ejaculado é de 95% com 76 % de taxa de gravidez. Entre 3 e 8 anos, 88 % com 53 % de chances de gravidez. Entre 9 a 14 anos, 79 % e 44 % de gravidez. Após 15 anos, aproximadamente 40%, com menos de 25% de chance de gravidez. É importante lembrar que essas taxas de gravidez são obtidas por meios naturais


Reversão
De acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia, paralelamente ao aumento do número de homens vasectomizados, têm aumentado o número daqueles que passam a desejar ter novos filhos. A causa mais comum é a constituição de novas famílias com mulheres que ainda não têm filhos. Outras eventuais, como falecimento de filhos, também são citadas esporadicamente.
A procura pela reversão de vasectomia hoje já está entre os principais motivos que o Instituto Paulista, em São Paulo, é procurado. "Em média 20 pacientes nos procuram mensalmente para reversão, número bem considerável", acrescenta o andrologista.


Vasectomia no Brasil
"A idade média dos homens que fazem vasectomia no Brasil é de 27 anos na rede pública e de 34 no sistema privado. Segundo o Ministério da Saúde, o número de esterilizações masculinas feitas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) subiu de 7.798 em 2001 para 34.144 em 2009, um aumento de mais de 4 vezes, últimos dados publicados.

Para ser submetido à operação, o homem precisa ter acima de 18 anos e dois filhos ou acima de 25 anos, com ou sem filhos, explica o especialista em saúde sexual masculina, Dr. Carlos Araujo, que também realiza reversões de vasectomia. Muitos ainda desconhecem dados sobre a real possibilidade de reversão microcirúrgica da vasectomia que imaginavam como “definitivas”.

Especialistas em saúde sexual masculina, o andrologista e diretor do Instituto Paulista, Dr. Carlos Augusto Araújo Pinto, responde: Mito ou verdade?


Mito ou verdade? A vasectomia é um processo irreversível?

Mito. A vasectomia é um procedimento passível de reversão. Contudo, a chance de reversão é reduzida progressivamente com a passagem dos anos, ou seja, um homem que realizou a vasectomia há cinco anos possui chance consideravelmente menor de sucesso na sua reversão do que outro que realizou há apenas dois anos. É importante frisar, que, ao contrário da vasectomia, que é um procedimento simples, sua reversão é muito mais complexa, necessitando de internação hospitalar, raquianestesia ou anestesia geral, material microcirúrgico apropriado e é uma cirurgia com duração mais longa. Assim sendo, é sempre importante ressaltar que os pacientes que optam por essa forma de contracepção devem encará-la como um método definitivo.

Mito ou verdade? Quem faz vasectomia fica impotente?

Mito. A vasectomia em nada interfere na potência sexual, que é algo relacionado à vascularização do pênis, aos níveis de testosterona e ao equilíbrio emocional (ansiedade). O homen que faz vasectomia possui a mesma capacidade de ter relações sexuais que possuía antes deste procedimento.

Mito ou verdade? Após a vasectomia não há ejaculação?

Mito. A vasectomia impede a passagem dos espermatozóides para se juntarem ao líquido seminal, - que é produzido principalmente pelas vesículas seminais e próstata-. Ou seja, o homem continuará produzindo esperma e ejaculando, só que sem a presença dos espermatozóides no seu conteúdo (que são os principais responsáveis pela fecundação).

Mito ou verdade? Homens que nunca tiveram filho não devem fazer vasectomia.

Verdade. O Ministério da Saúde possui critérios bem estabelecidos para a realização da vasectomia, que apesar de ser um procedimento simples não deve ser banalizado. Esses critérios são:

1- Ter pelo menos dois filhos vivos;
2- Ter, no mínimo, de 25 anos;
3- Deve ser respeitado um período de 60 dias entre a manifestação de desejo pelo método por parte do paciente e a realização da cirurgia, para que neste período o paciente possa buscar mais informações sobre o procedimento e realizá-lo de forma mais amadurecida.Recomenda-se ainda que o homem possua estabilidade conjugal havendo um comum acordo do casal.

Mito ou verdade? A cirurgia de vasectomia diminui o tamanho o pênis.

Mito. Após a puberdade, o pênis adquire o seu tamanho “final” por volta dos 18 anos. A vasectomia em nada interfere no seu comprimento, já que se encontra em seu tamanho definitivo. O único procedimento cirúrgico capaz de diminuir o pênis seria sua amputação, que só está indicado em casos de câncer de pênis.

Mito ou verdade? Homens acima dos 60 anos já estão estéreis e, por isso, não precisam fazer vasectomia ou qualquer outro método contraceptivo.

Mito. No ano 2000, um estudo foi publicado na revista Human Reproduction comprovando, pela primeira vez, que os homens também têm sua chance de engravidar diminuída com o envelhecimento. A produção masculina de testosterona, hormônio que influencia na geração de espermatozóides, começa a minguar a partir dos 30 anos, o que explica esse fato. Mas, exceto em caso de doenças, não há limite de idade para que um homem possa ser pai. Ou seja, depois dos 60 anos as chances de um homem conseguir engravidar sua parceira podem até ser menores, mas continua sendo possível, e a depender do número de relações sexuais semanais, da idade da parceira e da qualidade dos espermatozóides do paciente pode ser ainda uma chance relativamente alta.






Dr. Carlos Araujo - especializado no implante de próteses penianas. Formado em medicina pela UNESP – Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho de Botucatu (1985) e é presidente e diretor clínico do Instituto Paulista. Possui especialização em cirurgia vascular e opera no Brasil e nos Estados Unidos (Los Angeles). É membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, da ISSM – International Society for Sexual Medicine, AUA – American Urological Association, SUPS – Society of Urologic Prosthetic Surgeons e da Sexual Medicine Society of North America.




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