Técnica
da reprodução assistida é aplicável a outras doenças virais e separa
espermatozoides infectados, possibilitando tratamentos seguros
“A técnica é utilizada há 15 anos e possibilita a gravidez sem que existam riscos de contaminação aos envolvidos sem o vírus, a mulher ou ao futuro bebê”, explica o Dr. Paulo Serafini, especialista em reprodução humana e sócio-diretor do Grupo Huntington. “Apesar do procedimento não ser recente, poucos sabem de sua existência e até se surpreendem com a possibilidade. É uma oportunidade aos casais que têm o sonho de construir uma família saudável”.
Como é feita a lavagem seminal?
- O monitoramento da infecção do HIV é realizado. O esperma do paciente, que é coletado e submetido a processos de centrifugação e lavagem, é analisado;
- Ocorre a separação do plasma seminal, que contém o vírus dos espermatozoides;
- Uma amostra é enviada para analise da quantidade de vírus presente, garantindo a não contaminação da parceira nos casos de inseminação intrauterina ou FIV. A outra parte é congelada e mantida separada;
- Caso os testes apontem a ausência completa dos vírus, os espermatozoides congelados serão utilizados.
O Dr. Paulo justifica a realização destes exames, que “são importantes para avaliar a saúde como um todo. O sucesso no tratamento depende de fatores interligados, como a qualidade e a quantidade de espermatozoides antes e depois do processo de lavagem seminal”.
Mulher infectada dificulta tratamento
Existem três possibilidades entre os casais, que variam de acordo com quem está infectado pelo vírus. No caso de ser a mulher, há possibilidades de tratamento, mas com mais cuidados:
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Homem infectado e mulher
não |
Ambos infectados |
Mulher infectada e homem
não |
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É o quadro mais comum e
simples. O procedimento adotado é a lavagem seminal. A separação dos
espermatozoides infectados dos sadios permite a reprodução assistida. “É o
quadro mais comum. Após chegar à gravidez, não existem contra-indicações, por
se tratar de uma mulher sem carga viral”, explica o Dr. Serafini. |
O estado clínico de saúde da
mulher é o principal. Se a carga viral positiva for baixa em ambos e as
condições clínicas da mulher forem satisfatórias, há possibilidade de que o
vírus não seja transmitido ao bebê e o tratamento é realizado. |
É o quadro clínico mais
complicado. Nos casos de HIV, medicamentos podem diminuir a chance de
infecção da mãe ao bebê, além da opção pela cesárea seletiva – sem esses
cuidados, a chance de contaminação chega a 25%. No caso das hepatites, o
risco de transmissão está diretamente relacionado à carga viral materna e
pode chegar a 6%. Neste quadro, há um alto risco para outras doenças
sexualmente transmissíveis e, consequentemente, maiores possibilidades de
danos às tubas uterinas. Em casos de sucesso na gravidez, a amamentação deve
ser evitada. |
“Enquanto a quantidade de vírus não for reduzida com os medicamentos disponíveis, as técnicas de reprodução assistida são contraindicadas, pois os indutores de ovulação, que fazem parte do tratamento, podem interferir na função hepática. Também não recomendamos o tratamento quando há alto risco de contaminação por conta da mulher”, analisa o especialista. Quando as condições clínicas são ideais, a inseminação intrauterina e a Fertilização In Vitro são os procedimentos mais indicados.
Huntington Medicina Reprodutiva - www.huntington.com.br
