Empresas gastam até 1.500 horas por ano com burocracia tributária; automação fiscal e IA podem reduzir custos em até 40% e aumentar a previsibilidade financeira
A área fiscal deixou de ser apenas um centro de custos e passou a
influenciar diretamente a competitividade das empresas. Organizações que
estruturaram seus departamentos fiscais e tributários com apoio de tecnologia
já começam a ampliar suas margens operacionais, ganhando previsibilidade
financeira e fortalecendo sua posição no mercado.
Além da redução de erros e retrabalho, a eficiência fiscal tem
viabilizado decisões estratégicas mais precisas, simulações de cenários e
crescimento sustentável. “A tecnologia transforma o ciclo fiscal em um ativo
estratégico, capaz de impactar diretamente lucro, caixa e capacidade de
investimento”, afirma Roberto De Lázari, diretor de parcerias estratégicas
da All Tax.
Segundo o executivo, o avanço tecnológico, somado à implementação da
Reforma Tributária, torna a reestruturação da área fiscal um imperativo para a
sobrevivência das empresas. “O fiscal deixa de ser reativo e passa a operar
como um hub de governança e performance”, diz.
Apesar da crescente digitalização dos negócios, muitas empresas ainda
operam com processos fiscais manuais e fragmentados. De acordo com
De Lázari, esse modelo consome cerca de 30% do tempo dos profissionais da
área. “Processos manuais geram inconsistências, retrabalho e interpretações
divergentes. O primeiro benefício concreto da tecnologia é a melhoria da
qualidade dos dados, que são essenciais para uma operação fiscal eficiente”,
afirma.
Além da ineficiência operacional, a falta de automação reduz a
visibilidade e a rastreabilidade, ampliando os riscos em um ambiente tributário
complexo e volátil como o brasileiro. O resultado são disputas administrativas,
judicialização e insegurança jurídica.
No dia a dia, isso se traduz em mais horas dedicadas à burocracia. Dados
do Banco Mundial indicam que empresas no Brasil gastam até 1.500 horas por ano
com obrigações tributárias, enquanto, nos países da OCDE, a média é de 155,7
horas.
A constante edição de normas e mudanças regulatórias agrava o cenário.
Segundo De Lázari, a incapacidade de adaptação em tempo real eleva o risco
de autuações, com multas que podem chegar a 150% do valor do imposto
devido.
Automação reduz erros e melhora o retorno financeiro
Em contraste, sistemas automatizados que integram todo o ciclo fiscal,
da captura de dados à entrega das obrigações, reduzem prazos de dias para
minutos e aumentam significativamente a segurança das operações. “A automação
elimina até 95% dos erros manuais e gera um ROI médio de 40% na redução do
custo operacional anual”, afirma o executivo.
A adoção de tecnologias inteligentes também ganha espaço no mercado.
Pesquisa da KPMG, publicada em outubro de 2025, aponta que 60% das empresas
brasileiras consideravam utilizar Inteligência Artificial Generativa em
relatórios fiscais. Do total, 37% já haviam implementado ou testado IA para
rastreamento de despesas e deduções, enquanto 22% usavam a tecnologia para
monitoramento e conformidade regulatória.
Esse movimento se intensifica com a chegada das chamadas Inteligências
Artificiais autônomas, ou Agentic AI. Diferentemente
das IAs tradicionais, baseadas em regras fixas, essas soluções
detectam alterações legislativas em tempo real, atualizam regras fiscais
automaticamente e executam apurações sem intervenção humana. “Essas tecnologias
sinalizam exceções, corrigem inconsistências e escalam análises quando
necessário, preservando governança, rastreabilidade e segurança jurídica”,
explica De Lázari.
Outro ganho relevante da automação fiscal é a capacidade de simular
regimes tributários e projetar impactos antes da implementação de mudanças
relevantes. Com base em dados reais, as empresas conseguem antecipar efeitos
tributários em até 12 meses, aumentar em 30% a assertividade das decisões e
reduzir riscos não mapeados.
“Quando aplicada corretamente, a tecnologia transforma o fiscal em uma
alavanca de negócio. Governança, precisão e controle passam a impactar
diretamente o resultado financeiro”, afirma o executivo.
Reforma Tributária acelera a transformação
A Reforma Tributária reforça essa urgência. O novo modelo de IVA Dual,
baseado em crédito e débito ao longo da cadeia produtiva, depende de dados
confiáveis e validações digitais desde a origem das operações. Erros ou informações
incorretas afetam diretamente o direito ao crédito tributário e,
consequentemente, a margem e o caixa das empresas.
“Na prática, o crédito passa a ser um elemento estrutural de margem e
liquidez”, explica De Lázari. Segundo ele, empresas com governança de
dados bem estruturada tendem a capturar mais créditos, com maior velocidade e
menor risco. “Quem já é organizado transforma governança fiscal em retorno
financeiro.”
Nesta primeira fase da reforma, os novos tributos CBS e IBS ainda não
serão efetivamente cobrados, mas já passarão a constar nos documentos fiscais.
Para o executivo, 2026 será decisivo para a preparação das empresas. “A reforma
premia quem controla dados e processos e penaliza quem opera no improviso”,
conclui.

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