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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

04.02 - Dia do Câncer

  

Câncer além do corpo: o impacto invisível que também precisa de cuidado 

Estudo aponta altos índices de ansiedade e depressão entre pacientes, e especialistas reforçam que saúde mental é parte essencial do tratamento oncológico


 

Quando se fala em câncer, a atenção costuma se concentrar nos desafios físicos da doença, mas cresce o alerta para um impacto igualmente relevante: o emocional. Um estudo publicado na Frontiers, editora de periódicos científicos, revelou que 25% dos pacientes com câncer apresentam sintomas de depressão, e até 45% relatam níveis elevados de ansiedade. O diagnóstico e o tratamento impõem mudanças profundas na rotina, nas relações e na forma de lidar com o futuro, afetando pacientes, familiares e cuidadores. 


De acordo com a Dra. Mariana Ramos, professora de Psicologia da Afya Centro Universitário Itaperuna, o cuidado emocional deve caminhar junto com o tratamento médico. “O câncer não afeta apenas o corpo físico, ele atravessa a identidade, os vínculos e a forma como a pessoa se percebe no mundo. O diagnóstico provoca impactos profundos na vida emocional e psicológica, levando muitos pacientes a se enxergarem de maneira diferente, já que o corpo deixa de ser apenas um meio de existir e passa a ser também um lugar de medo, incerteza e vigilância constante. Ansiedade, tristeza profunda e sensação de impotência são reações comuns, e precisam ser acolhidas sem julgamento”, explica.


Dra. Mariana afirma que o acompanhamento psicológico deve ser compreendido como parte integrante do tratamento do câncer. Segundo ela, a psicologia oferece um espaço ético, sigiloso e protegido, no qual o paciente pode falar livremente sobre medos, angústias, raiva, culpas e incertezas, sem a pressão de “ser forte o tempo todo”. 


Nesse sentido, a psicóloga afirma, ainda, que esse cuidado contribui para a elaboração emocional, reduz sintomas de ansiedade e depressão, melhora a adesão ao tratamento médico e favorece a qualidade de vida. “Trabalhar emoções não significa pensar positivo a qualquer custo, mas compreender e reorganizar a experiência interna, promovendo mais autonomia, dignidade e humanidade no processo de cuidado”, enfatiza.


O impacto emocional também se estende aos familiares, que frequentemente assumem o papel de cuidadores e vivem sob constante tensão. Por isso, falar sobre saúde mental em períodos como esse é fundamental para reduzir o estigma, estimular o acolhimento e fortalecer redes de apoio. Dessa forma, a especialista lista 8 dicas importantes para ajudar a manter a saúde mental mais forte em um período difícil:

  1. Permita-se sentir: tristeza, medo e insegurança fazem parte do processo; não reprima emoções.
  2. Busque apoio profissional: acompanhamento psicológico ajuda a elaborar sentimentos e reduzir o sofrimento.
  3. Mantenha vínculos: conversar com pessoas de confiança diminui o isolamento emocional.
  4. Respeite seus limites: descanso, pausas e autocuidado não são luxo, são necessidade.
  5. Cultive pequenas rotinas de bem-estar: atividades simples, como caminhar, ouvir música ou praticar respiração consciente, ajudam a estabilizar as emoções.
  6. Evite comparações com outros pacientes: cada experiência é única, assim como o tempo de adaptação, as reações emocionais e o percurso de cada pessoa.
  7. Permita-se pedir ajuda quando necessário: contar com familiares, amigos ou profissionais não é sinal de fraqueza, mas de cuidado consigo mesmo.
  8. Reconheça que cuidar da saúde mental também é uma forma de cuidar do corpo: emoções influenciam diretamente o bem-estar físico e a adesão ao tratamento.

A psicóloga reforça que, em cenários marcados pela incerteza e pelo sofrimento, cuidar da saúde mental é uma dimensão fundamental do tratamento e da qualidade de vida, e segundo a mesma, esse cuidado deve ser entendido como um gesto de dignidade, fortalecimento e esperança. “Não sabemos o tamanho do nosso potencial até que a vida nos convide a um autodesafio. Buscar apoio psicológico não é sinal de fraqueza, desistência ou falta de fé, mas uma atitude responsável de quem cuida da própria saúde emocional”, conclui a especialista.

 

Afya
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