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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Decisão sobre cuidado de idosos exige mais do que intuição, alerta especialista

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Com mais de 32 milhões de idosos no país, especialista Gregue Ranwey aponta critérios para evitar erros

 

Com o envelhecimento da população e o aumento de diagnósticos de doenças crônicas, a busca por serviços de cuidado domiciliar tem crescido de forma significativa no Brasil. Mais do que uma alternativa à internação hospitalar, o atendimento em casa passou a ser visto como uma solução que alia conforto, humanização e segurança. 

De acordo com o IBGE, até 2030 o número de pessoas com 60 anos ou mais deverá ultrapassar o de crianças de até 14 anos no Brasil. Atualmente, a população idosa soma 32,1 milhões de pessoas, o equivalente a 15,8% dos brasileiros, segundo o MDHC. As projeções indicam que, até 2070, esse grupo poderá representar 37,8% da população, chegando a cerca de 75 milhões de pessoas, conforme dados da Agência Gov. 

Esse cenário impacta diretamente o mercado de trabalho. Um levantamento do Instituto de Longevidade Mongeral Aegon, com base na PNAD Contínua, aponta que o número de cuidadores remunerados cresceu 15% entre 2019 e 2023, totalizando cerca de 840 mil profissionais. Em uma década, o avanço chega a 547%, evidenciando a rápida expansão do setor. 

Nesse contexto, muitas famílias se veem diante de decisões difíceis, que vão além da logística e envolvem questões emocionais, financeiras e até conflitos internos. Não é raro que o cuidado com um parente idoso gere divergências entre filhos, irmãos e responsáveis, especialmente na hora de definir se a melhor opção é contratar um cuidador, manter o familiar em casa ou buscar uma instituição de longa permanência. 

Segundo Gregue Ranwey, especialista em home care, a escolha do modelo de cuidado costuma ser um dos principais pontos de tensão dentro das famílias. Muitas vezes, cada familiar tem uma visão diferente sobre o que é melhor para o idoso, o que pode gerar desgaste emocional e conflitos. 

Para o especialista, não existe uma resposta única, mas sim uma decisão que deve considerar o perfil do paciente, o grau de dependência, a estrutura da família e o suporte disponível, sempre com foco na dignidade, na segurança e na qualidade de vida. 

Diante desse cenário, Gregue destaca os principais pontos que as famílias avaliam antes de contratar um serviço de cuidado domiciliar:

  • Qualificação profissional: Verificação da formação, experiência e capacitação contínua dos cuidadores e da equipe técnica;
     
  • Personalização do atendimento: Elaboração de um plano de cuidados adaptado às necessidades físicas, emocionais e à rotina do paciente;
     
  • Comunicação transparente: Atualizações frequentes sobre a evolução do quadro, intercorrências e ajustes no tratamento;
     
  • Humanização do cuidado: Respeito aos hábitos, às preferências e à autonomia do paciente;
     
  • Regularização e segurança: Cumprimento das normas sanitárias, documentação em dia e respaldo jurídico.

Para Gregue, a humanização do atendimento é um dos pilares para reduzir conflitos e fortalecer a relação entre familiares e profissionais. Quando há alinhamento nas informações, a família se sente segura, as decisões se tornam mais leves e o ambiente fica mais saudável para o paciente. 

Por fim, Gregue ressalta que investir em um serviço de cuidado de qualidade representa também mais tranquilidade para a família. A presença de profissionais capacitados e de uma estrutura organizada contribui para reduzir a ansiedade, evitar conflitos e garantir um acompanhamento mais seguro.

 

Gregue Ranwey Pereira Marçal - enfermeiro formado pelo Centro Universitário Adventista de São Paulo (UNASP-SP) e pós-graduado em Saúde Coletiva, com foco na Estratégia Saúde da Família (ESF). Com mais de 12 anos de experiência, atuou em Home Care, pronto atendimento hospitalar e Atenção Básica, incluindo coordenação de equipes e gestão de serviços de saúde. Mais recentemente, integrou a Associação Saúde da Família (ASF), onde liderou equipe multiprofissional e atendeu cerca de 1.200 famílias, unindo experiência clínica, gestão e visão estratégica para o desenvolvimento de soluções em saúde.



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