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segunda-feira, 28 de setembro de 2026

"Código", "sintaxe" e "java" estão entre os 10 termos de programação que mais geram dúvidas nos brasileiros; confira os demais

 iStock
No novo levantamento da Locaweb, profissionais e empreendedores de diferentes áreas compartilharam as barreiras do vocabulário tech no dia a dia 

 

Um orçamento da empresa dividido entre “front-end” e “back-end”. Uma reunião em que a equipe de tecnologia justifica um prazo pela complexidade do “código”. Um projeto que depende de “integração via API” para sair do papel. Nos últimos anos — em especial, com a chegada da IA —, termos como esses deixaram de circular apenas entre desenvolvedores e aparecem em áreas sem relação direta com tecnologia… mas nem sempre acompanhados de uma explicação.

No mês em que o país celebra o Dia do Programador, comemorado em 13 de setembro, a Locaweb, especialista em hospedagem de sites e infraestrutura digital, ouviu profissionais de diferentes áreas para identificar quais conceitos da programação geram mais dúvidas no dia a dia. O resultado surpreende: “código”, termo que dá nome a uma das principais atividades da área, foi considerado o mais difícil pelos brasileiros, seguido por “sintaxe” e “java”.

Mas, afinal, quais outras expressões seguem gerando dúvidas, mesmo entre quem convive indiretamente com a área de tecnologia todos os dias? A resposta está no ranking a seguir, que reúne os dez conceitos mais citados, cada um com uma explicação da Locaweb. Confira!



“Código” e “sintaxe”: termos básicos da programação ainda são a maior dúvida

Líder do levantamento, “código” tem uma definição menos complexa do que o nome sugere. Em poucas palavras, trata-se do conjunto de instruções escritas por um desenvolvedor para que o computador execute uma tarefa — como exibir um botão de compra em um site ou calcular o preço de um frete. Na prática, é esse trabalho que está sendo contratado quando uma empresa fecha um projeto de desenvolvimento, seja com um fornecedor externo ou com uma equipe interna.

Em seguida, vem “sintaxe”, que funciona como a gramática de cada linguagem de programação: o conjunto de regras que determina como as instruções devem ser escritas para funcionar. Assim como um único erro pode mudar o sentido de uma frase, um símbolo fora do lugar também pode fazer com que um sistema inteiro deixe de funcionar, o que ajuda a explicar por que etapas de teste e revisão ocupam parte relevante de qualquer cronograma.

Ainda sobre os fundamentos, aparece entre as palavras desafiadoras o termo “algoritmos”, em quinto lugar, termo associado principalmente às redes sociais. Na programação, vale dizer que um algoritmo é uma sequência de instruções para resolver um problema ou realizar uma tarefa, algo próximo de uma receita, em que cada etapa precisa ser cumprida em determinada ordem. É o que está por trás do envio automático de e-mails, por exemplo, de uma recomendação de produto ou do cálculo de reposição do estoque de um e-commerce.

Java e Python: linguagens que seguem causando confusão 

Lançada em 1995 pela Sun Microsystems, “Java” ocupa a terceira posição e é uma linguagem de programação de uso geral, amplamente utilizada no desenvolvimento de sistemas, aplicações web e soluções corporativas. Entre suas características estão a orientação a objetos e a portabilidade entre diferentes sistemas por meio da Java Virtual Machine (JVM).

“Python”, por sua vez, aparece em sexto. Aqui, estamos falando de uma linguagem desenvolvida com foco em simplicidade e legibilidade, características que contribuíram para sua ampla adoção. Atualmente, é bastante utilizada em áreas como ciência de dados e inteligência artificial.

“Java se destaca pela robustez e escalabilidade em sistemas corporativos, enquanto Python é reconhecida pela produtividade e facilidade de aprendizado”, explica Patrice Ramos, diretor de Produtos e Engenharia da Locaweb. “Essa escolha não fica restrita à área técnica: ela influencia o prazo, o custo de manutenção de uma solução e a facilidade de encontrar profissionais para dar continuidade a determinados projetos”. 

Outro conjunto de expressões que aparecem no ranking diz respeito às camadas que formam um site ou aplicativo. Em quarto lugar está “API”, sigla para interface de programação de aplicações, que permite que diferentes programas se comuniquem e troquem informações de forma padronizada. É por meio de APIs, aliás, que um site conversa com o meio de pagamento, com a transportadora, com o ERP e com as ferramentas usadas por marketing, vendas e financeiro.

Já "front-end" responde pela parte que o usuário vê e utiliza, como o layout, usabilidade e desempenho de um app, enquanto "back-end" diz respeito ao que acontece nos bastidores: processamento e armazenamento de dados, segurança e integração com outros sistemas. Enquanto a camada visual se ocupa da interação, por exemplo,é o back-end que processa as solicitações, executa a lógica da aplicação e devolve os resultados ao usuário. 

Software ou hardware?

No final da lista, certos itens mostram que nem os termos mais antigos escaparam das dúvidas. "Cibersegurança", oitava colocada, reúne as práticas e tecnologias voltadas a proteger sistemas, redes e dados contra ataques e acessos indevidos — tema que deixou de ser exclusividade das áreas de TI à medida que vazamentos e golpes digitais se tornaram mais frequentes.

Logo depois vem a dupla "software/hardware", cuja distinção é simples: “hardware” são os componentes físicos de um equipamento, como processador, HD, SSD, placa-mãe e placa de vídeo, enquanto o “software” é o programa instalado no dispositivo ou acessado pela nuvem, que permite a realização de tarefas em diversos aparelhos.

“Boa parte desses conceitos descreve decisões que profissionais e empresas já tomam na rotina, mas que ficam invisíveis por trás do nome técnico, geralmente em inglês. Quando esse vocabulário é traduzido para o dia a dia de trabalho, ele deixa de ser uma barreira na conversa com fornecedores e com a área técnica e passa a ser um critério de decisão”, explica Ramos.

Metodologia

Para identificar os termos do universo da programação que mais geram dúvidas no país, nas últimas semanas, foram entrevistados 500 profissionais de diferentes áreas de atuação, maiores de 18 anos, residentes em todas as regiões e conectados à internet. 

Os participantes foram convidados a indicar quais termos e conceitos da área consideram mais difíceis de compreender. Em seguida, as respostas foram organizadas em um ranking com as dez expressões mais citadas.

Brasil tem 26,6 milhões de internautas 60+; golpes exploram banco, benefícios e relações de confiança

Público respondeu por 38% das novas conexões em nove anos; idade não explica sozinha o risco, mas falso sequestro, INSS e falsas centrais mostram como relações de confiança viram porta de entrada para fraudes.

 

O Brasil ganhou 20,1 milhões de internautas com 60 anos ou mais em nove anos. Hoje, são 26,6 milhões conectados — 1 em cada 6 usuários de internet no país —, segundo levantamento da Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados, com base na PNAD Contínua do IBGE. A idade, sozinha, não determina quem cai em uma fraude. Mas banco, Pix, aposentadoria, WhatsApp, compras e serviços públicos passaram a dividir espaço no mesmo celular, abrindo caminho para golpes que imitam situações conhecidas desse público. 

Pode ser uma falsa prova de vida, uma central bancária que sabe o nome do cliente, um advogado que cita um processo verdadeiro ou uma ligação simulando o sequestro de alguém da família. Para Wilder Martins, CISO e Head de Tecnologia da EXA, é justamente essa combinação entre informação verdadeira e identidade falsa que torna algumas abordagens eficientes. 

“O fraudador tenta reproduzir uma relação que já é confiável para aquela pessoa. Pode ser o banco que ela usa há anos, o benefício que recebe, um advogado ou alguém da família. E ele não precisa inventar tudo: pode usar dados verdadeiros para sustentar uma identidade falsa. Em segurança, conhecer seus dados não significa provar quem está do outro lado.” 

A frequência dessas tentativas é alta. Auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU), com quase 1,5 mil participantes 60+ ou seus representantes, apontou que 51% recebem todos os dias mensagens ou ligações suspeitas de golpe.. Dados da Federal Trade Commission (FTC), nos Estados Unidos, mostram também que algumas fraudes têm comportamento particular entre os mais velhos. Pessoas com 60 anos ou mais aparecem em maior proporção entre as vítimas que relatam perdas com falso suporte técnico, personificação de órgãos públicos, falsos prêmios e fraudes afetivas. Quando há prejuízo, os valores tendem a ser maiores.
 

O golpe começa antes do Pix

Para Wilder Martins, concentrar a prevenção apenas na hora do pagamento deixa de fora boa parte da fraude. O especialista chama de “jornada do golpe” a sequência que começa com a isca, passa pela construção de confiança e pela pressão para agir logo e termina no clique, entrega de um código ou movimentação financeira. “Golpe de engenharia social funciona como uma cadeia. Primeiro vem uma história que faça sentido, depois um elemento que dê credibilidade e, em seguida, a urgência para reduzir o tempo de checagem. O Pix normalmente está no final desse processo. Se a prevenção começa somente na hora de pagar, ela começa tarde.” 

Um exemplo recente veio do próprio INSS, que voltou a alertar aposentados e pensionistas sobre mensagens falsas que ameaçavam suspender benefícios por suposta falta de atualização da prova de vida. Além disso, a Inteligência Artificial tornou ainda mais fácil produzir textos, páginas, imagens e vozes convincentes. Para Wilder, isso muda o tipo de verificação que o usuário precisa fazer. 

“A IA reduz o custo de produzir uma fraude personalizada. Texto sem erro, página bem-feita ou até uma voz conhecida deixaram de ser boas provas de legitimidade. A checagem precisa sair da aparência e ir para a origem: quem iniciou o contato e por que está tentando me fazer agir agora?”
 

Como interromper a jornada do golpe 

Para quem tem 60+ e administra sozinho conta no banco, compras e serviços digitais:

  • Não resolva uma urgência pelo mesmo canal em que ela apareceu. Recebeu ligação do banco? Abra o aplicativo dele. Veio mensagem sobre benefícios? Entre no Meu INSS por conta própria.
  • Não use seus próprios dados como prova de identidade do interlocutor. Saber seu CPF, banco ou detalhes de um processo não comprova que o contato é legítimo.
  • Antes de clicar ou pagar, crie uma pausa. Pressão para decidir imediatamente é parte recorrente da engenharia social.


Para familiares:

  • Combine antes um canal de segunda checagem. Um telefonema ou mensagem para um contato conhecido pode ser suficiente para desmontar um falso sequestro ou pedido de dinheiro.
  • Evite assumir o controle da vida digital da pessoa. O objetivo é criar uma rota simples de confirmação para situações fora do comum.
  • quando surgir uma nova modalidade de golpe, avise a família ou o círculo próximo. Conhecer previamente o roteiro reduz o efeito surpresa quando a abordagem chega.

“A família funciona melhor como segunda camada de verificação do que como vigilância. A regra pode ser simples: uma situação inesperada pede uma segunda conexão. Não confirme uma história pelo mesmo canal que trouxe a história. Aqui na EXA criamos a EVA, agente de Inteligência Artificial via WhatsApp que analisa mensagens, links, QR Codes, códigos Pix e outros conteúdos suspeitos antes da interação ou transferência. É uma forma gratuita da população em geral, saber se está sendo vítima de um golpe, resume Wilder.


EXA - companhia brasileira de cibersegurança especializada na prevenção de golpes e fraudes digitais.


Supercorrente permite ler informação quântica sem destruí-la


Esquema da leitura de um qubit de Andreev sem o uso de qubits auxiliares
(Imagem: Marcus Egues e José Carlos Egues, com ajuda do ChatGPT)

Proposta teórica elimina a necessidade de circuitos auxiliares para "espionar" os bits quânticos, transformando a corrente elétrica do próprio sistema em um espelho da informação

 

Uma das dificuldades fundamentais da computação quântica está no próprio ato de obter informação de um bit quântico, o qubit. Ao contrário do que ocorre com um bit convencional, que pode ser consultado repetidamente sem que seu conteúdo seja alterado, a medição direta de um sistema quântico geralmente provoca o colapso do estado que se pretendia conhecer. Em outras palavras, ao ler a informação, modifica-se aquilo que está sendo lido.

Um novo estudo apoiado pela FAPESP propõe contornar esse problema utilizando uma propriedade peculiar de um certo tipo de qubit, chamado “qubit de Andreev”. Essa propriedade é uma supercorrente elétrica oscilante, produzida pela própria dinâmica quântica do sistema. A corrente funcionaria como uma espécie de assinatura macroscópica do estado microscópico do qubit, permitindo reconstruí-lo de maneira praticamente não destrutiva.

O trabalho, publicado na revista Physical Review B Letter, foi coordenado por José Carlos Egues, professor titular do Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo (IFSC-USP), e por Yugui Yao, da Escola de Física do Instituto de Tecnologia de Beijing, na China. Segundo os autores, o método pode dispensar os qubits auxiliares, ou ancilas, empregados nas principais técnicas atuais de leitura quântica não destrutiva.

Antes de detalhar essa dinâmica, é fundamental entender o contexto do fenômeno. Qubits são as unidades elementares de informação dos computadores quânticos. Enquanto um bit clássico assume necessariamente o valor 0 ou 1, um qubit pode existir em várias superposições possíveis desses dois estados. É justamente isso que confere à computação quântica algumas de suas características mais poderosas, mas também torna a informação extremamente vulnerável à interação com o ambiente e ao próprio processo de medição.

“Na formulação convencional da mecânica quântica, uma medição projetiva faz o sistema assumir um dos estados associados à grandeza medida. Assim, se um qubit foi preparado em determinada superposição de 0 e 1, sua medição direta tende a destruir essa superposição e, consequentemente, a informação que ela continha”, diz Egues.

Para contornar a dificuldade, foram desenvolvidas as chamadas “medições quânticas não demolidoras”, ou QND (quantum nondemolition measurements). Em muitos desses protocolos, a informação do qubit é transferida para um sistema quântico auxiliar, a ancila. A palavra “ancila” vem do latim ancilla e significa escrava ou serva. Em sentido figurado, o termo é usado modernamente para indicar algo que presta serviço a outra coisa. No caso em questão, as medidas são feitas na ancila, preservando-se, tanto quanto possível, o qubit original.

O procedimento funciona, mas tem seus inconvenientes, pois é preciso preparar as ancilas, acoplá-las ao qubit, transferir a informação e realizar sucessivas medições. Em sistemas com muitos qubits, essa infraestrutura adicional pode representar uma sobrecarga experimental considerável.

“A nossa estratégia é diferente: em vez de transferir a informação para um qubit auxiliar, procuramos obtê-la a partir de um sinal produzido pelo próprio qubit em estudo”, afirma o pesquisador.

Como já mencionado, o qubit estudado é um “qubit de Andreev”. O nome homenageia o físico soviético Alexander Andreev (1939-2023), que descreveu, em 1964, um processo quântico característico da interface entre materiais normais e supercondutores. Os chamados “estados de Andreev”, produzidos por esse processo e confinados na região nanométrica que separa dois materiais supercondutores, podem ser utilizados para codificar os estados básicos 0 e 1 e suas possíveis superposições.

“No sistema considerado, essa região é um ponto quântico – isto é, uma estrutura nanométrica na qual os elétrons ficam espacialmente confinados – formado em um nanofio de arseneto de índio [InAs] conectado, de ambos os lados, a materiais supercondutores. É nesse ambiente que se formam os estados que caracterizam o qubit de Andreev”, descreve Egues.

Uma das propriedades desse sistema é a circulação de uma “supercorrente”. Trata-se de uma corrente elétrica que flui sem resistência. E o estudo mostrou que, quando o qubit se encontra em uma superposição de seus estados básicos, essa corrente apresenta uma componente que oscila no tempo. A oscilação é produzida pela interferência quântica entre os estados que compõem a superposição e – o que é mais importante – carrega informações sobre o próprio estado do qubit. “É justamente essa propriedade que utilizamos para fazer a leitura do qubit. É essa supercorrente que está no centro de nossa proposta”, pontua o pesquisador.

Esquema da leitura de um qubit de Andreev sem o uso de qubits auxiliares.
No dispositivo proposto, a informação quântica do qubit aparece como uma
supercorrente oscilante que circula em um grande loop supercondutor. O sinal
magnético gerado por essa corrente é detectado por uma pequena bobina acoplada
a um SQUID, permitindo inferir o estado do qubit com perturbação mínima
 (
imagem: Marcus Egues e José Carlos Egues, com ajuda do ChatGPT)

Uma assinatura do estado quântico

Um estado qualquer de um qubit pode ser representado geometricamente por um ponto na chamada “esfera de Bloch”. Nesta, cada ponto da superfície corresponde a uma determinada superposição dos estados básicos 0 e 1. E a posição desse ponto é definida por dois ângulos: um indica em que proporção os estados 0 e 1 participam da superposição; o outro, a relação de fase entre eles. Conhecer esses dois ângulos equivale, portanto, a conhecer o estado do qubit.

“Nosso estudo mostrou que essas informações ficam registradas na própria supercorrente. Esta tem uma parte constante e outra que oscila. O valor da parte constante e o tamanho da oscilação revelam quanto de cada estado 0 e 1 entra na superposição; e o momento em que essa oscilação começa revela a relação de fase entre eles. Assim, medindo como a corrente varia ao longo do tempo, é possível reconstruir o estado inicial do qubit”, explica Egues.

Há, no entanto, outro aspecto importante no fenômeno. Em sistemas supercondutores desse tipo, normalmente é preciso aplicar uma tensão elétrica para fazer a supercorrente oscilar no tempo, em vez de permanecer constante. É o chamado “efeito Josephson AC”. No sistema estudado, porém, a corrente pode oscilar sem a aplicação de qualquer tensão externa. “O nosso sistema gera uma supercorrente que varia no tempo, como uma corrente alternada, mas sem voltagem. É a própria evolução do estado do qubit que produz essa oscilação”, conta Egues.

A corrente constitui, assim, uma manifestação macroscópica da dinâmica quântica microscópica do sistema. E é justamente essa ponte entre as duas escalas que os pesquisadores exploram para fazer a leitura do qubit.

O qubit de Andreev é incorporado a um circuito fechado de material supercondutor, no qual circula a supercorrente já descrita. Próximo a esse circuito, é colocado um SQUID (superconducting quantum interference device), instrumento extremamente sensível à detecção de campos magnéticos muito fracos.

Ao circular pelo circuito, a supercorrente produz um campo magnético que varia com ela. O SQUID detecta essas variações e, a partir delas, determina como a corrente está se comportando. Como esse comportamento traz, por sua vez, informações sobre o estado do qubit, é possível reconstruí-lo sem medir diretamente o próprio qubit.

Egues recorre a uma analogia simples: “Podemos pensar no qubit como sendo uma bússola e no SQUID como outra bússola. A corrente no circuito produz um campo magnético, e o SQUID ‘sente’ esse campo. Como o acoplamento entre os dois é muito fraco, o efeito do instrumento de medida sobre o qubit tende a ser muito pequeno”.

Essa questão é crucial, pois, na física quântica, o instrumento de medida não é um observador passivo. Ao interagir com o sistema, ele produz uma retroação capaz de alterar justamente aquilo que se pretende medir. Essa influência do dispositivo de medição naquilo que está sendo medido causou grande perplexidade entre os físicos nos primórdios da física quântica. Mas ela é inevitável. Constitui, por assim dizer, uma característica intrínseca da realidade material. No dispositivo proposto, a retroação também existe. Mas as simulações realizadas no estudo indicaram que ela pode ser reduzida a valores tão pequenos que se tornem irrelevantes.

“Nosso método não elimina o problema fundamental da medição quântica. Mas pode aproximar-se do limite de uma leitura não destrutiva e, ao mesmo tempo, evitar o uso de qubits auxiliares – as ancilas – empregados em outros protocolos de medição quântica não demolidora”, pondera Egues.

Há ainda outra vantagem. Depois de cada medição, não é necessário preparar novamente o qubit a partir do estado inicial. As medidas podem ser realizadas sucessivamente, enquanto o sistema evolui, permitindo acompanhar sua dinâmica ao longo do tempo.

Dentro dos limites da margem de erros

Os pesquisadores também procuraram saber se a proposta continuaria funcionando diante das imperfeições inevitáveis de um experimento real. Para isso, realizaram simulações incorporando ruído às medidas e levando em conta a retroação provocada pela pequena bobina captadora.

Dependendo do número de medições considerado, as simulações produziram fidelidades de 99,52%, 99,81% e 99,85%. Os resultados ficam dentro dos limiares usuais adotados em esquemas de correção quântica de erros.

O estudo é inteiramente teórico. Mas, segundo Egues, isso não significa que o dispositivo dependa de componentes ainda inexistentes ou de avanços tecnológicos futuros para ser construído. “Todos os números que colocamos são realistas. Em princípio, isso pode ser realizado. Inclusive, usamos nos cálculos parâmetros de sistemas que já existem. O que ainda não existe é essa geometria, esse setup que propusemos”, argumenta.

Segundo ele, isso diferencia o trabalho de outras propostas teóricas cuja realização depende de avanços na fabricação de materiais ou de dispositivos. A detecção de correntes e campos magnéticos extremamente pequenos por SQUIDs, por exemplo, é uma tecnologia já estabelecida.

A proposta reúne, assim, dois resultados. O primeiro é de física fundamental: a previsão de uma supercorrente oscilante, semelhante à do efeito Josephson AC, mas gerada sem tensão externa pela própria evolução coerente do qubit. O segundo é tecnológico: utilizar as características dessa corrente como uma assinatura que permita reconstruir o estado do qubit com perturbação mínima.

Se a previsão for confirmada experimentalmente, o método poderá oferecer uma arquitetura mais simples para a leitura de qubits de Andreev, dispensando ancilas e sucessivas reinicializações. E poderá explorar uma característica especialmente sugestiva desses sistemas: a possibilidade de acessar informação quântica microscópica por meio de uma corrente elétrica macroscópica que o próprio qubit produz.

O artigo Andreev qubit readout from dynamic interference supercurrent pode ser acessado em: journals.aps.org/prb/abstract/10.1103/6gkt-hghj.

 

José Tadeu Arantes

Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/supercorrente-permite-ler-informacao-quantica-sem-destrui-la/59275



IA invisível: quando a tecnologia deixa de ser percebida e passa a facilitar a jornada do cliente

Quando falamos em inteligência artificial no atendimento ao cliente, é comum pensarmos em ferramentas capazes de responder perguntas, interpretar solicitações e conduzir conversas de maneira cada vez mais natural. Mas, existe uma dimensão menos discutida dessa evolução: a capacidade de a tecnologia funcionar sem exigir esforço adicional de quem está do outro lado. Uma IA "invisível", verdadeiramente integrada à jornada, não precisa ser percebida a cada interação, mas utilizar o contexto disponível para antecipar necessidades, evitar perguntas repetidas e facilitar a resolução de problemas, tornando a experiência mais simples, fluida e conectada. 

É importante compreender este termo não como se referindo a uma ferramenta que "não aparece" nas interações, mas que não gera atritos ao usuário, pedindo para o cliente repetir uma informação que a marca já tem, forçando um menu de opções que não cobre o caso dele, ou devolvendo uma resposta genérica quando o histórico da conversa já dava contexto suficiente para resolver a necessidade. Um atendimento invisível é desenhado a partir do contexto, considerando o que o consumidor comprou, em que canal ele fala com a marca, o que já foi dito em interações anteriores, e usando isso para agir, não apenas para responder. 

Essa fluidez na conversa exige que o dado circule entre sistemas antes de exigir inteligência do modelo – do contrário, sem essa base, qualquer agente vira só um chatbot "bem-vestido", que não irá atender a necessidade o cliente que entra em contato. Dados divulgados em uma pesquisa da McKinsey mostram o quanto que essa lacuna entre a adoção da IA e uma transformação operacional significativa, infelizmente, ainda é predominante no mercado: embora 88% das empresas já utilizem essa tecnologia em, pelo menos, uma função, quase dois terços ainda permanecem em fases de teste. 

A pressa em automatizar sem, antes, organizar os ativos internos, é o erro mais recorrente que vemos no mercado brasileiro atualmente, acelerado, ainda, pela chegada de soluções nativas que tornam muito fácil "ligar" um agente sem, necessariamente, integrá-lo à realidade operacional corporativa. Isso, na prática, faz com que haja uma tentativa de automação de uma estrutura de atendimento que já é fragmentada, enfrentando barreiras que vão desde a existência de canais e sistemas legados, à ausência de protocolo claro de quando escalar a IA para um humano; e responsabilidade compartilhada ou ausência dela para o agente. 

Um dos pontos mais importantes a ser levado em consideração no desenvolvimento de uma IA invisível e verdadeiramente eficaz, é o discernimento de até onde uma empresa deve permitir que um agente tome decisões sozinho. Aqui, o critério não deve ser tecnológico, mas sim de risco e reversibilidade (Two-Way Door vs. One-Way Door Decisions). 

Ações de baixo risco e fáceis de reverter, como consultar status de pedido, remarcar um horário, aplicar uma política de troca já parametrizada ou qualificar um lead, podem – e devem – ser autônomas, já que são onde a IA gera ganho real sem exposição. Por outro lado, ações de alto risco ou difíceis de reverter, que envolvem valores financeiros relevantes, exceções a contratos, disputas ou dados sensíveis, precisam manter o recurso humano no circuito, mesmo que a IA prepare a decisão. 

A autonomia deste agente é um processo em escala, devendo, a todo o momento, ser apoiada por uma governança constante, orquestrando a trilha de auditoria de toda decisão tomada, gatilhos claros de escalonamento para o humano, testes de cenário adversarial antes do go-live, assegurando o monitoramento em tempo real do que o agente está fazendo — não só do que ele responde, mas das ações que executa em sistemas de backend — e mantendo a aderência à LGPD no tratamento dos dados dos clientes que alimentam essas decisões. 

Quanto mais o agente pode agir sozinho, mais essa camada de controle precisa estar madura antes de sua adoção prática, não sendo construída às pressas depois de um erro público. Isso também auxiliará para que a IA não apenas responda rapidamente às demandas, mas, sobretudo, reduza o esforço do cliente para chegar à resolução desejada. O verdadeiro salto de valor acontece quando o agente age proativamente a partir do contexto: seja identificando um atraso na entrega e já reagendando ou notificando antes de o cliente perguntar; reconhecendo que a conversa começou por outro canal e continua por WhatsApp sem pedir para que reconte a história; ou concluindo a ação no mesmo fluxo da conversa, sem redirecionar para um site, um app ou um número de protocolo. 

Para garantir esses benefícios, é crucial definir, antes de escalar velocidade, onde estão os limites que o agente não pode ultrapassar sozinho, testando-os em um ambiente controlado antes de expor ao cliente real. Crie um comitê multidisciplinar para acompanhar o comportamento do agente; garanta um ambiente de observabilidade contínua, não só dashboard de volume, mas de padrão de decisão; e faça um loop de revisão frequente dos casos em que o agente escalou, ou que não teve este resultado. 

No final, o indicador mais seguro de uma IA invisível é sua taxa de resolução efetiva sem necessidade de reabertura ou escalonamento humano, cruzada com satisfação pós-interação e, principalmente, taxa de contato repetido. Um placar equilibrado, de verdade, olha para quatro frentes juntas: eficiência (custo e volume), efetividade (resolução real), experiência (satisfação) e impacto de negócio (retenção, redução de churn). Se não, uma empresa que só reporta "quantas conversas a IA automatizou" estará, na prática, escondendo se o consumidor foi bem atendido, ou só bem desviado. 

 

Karina Coelho - Head de CS na Pontaltech.
Pontaltech


Hard skills digitais: 7 competências que serão indispensáveis até 2030

Imagem gerada por Inteligência Artificial

Inteligência Artificial, big data, cibersegurança e letramento tecnológico estão entre as habilidades que mais devem crescer em importância no mercado de trabalho nos próximos anos

 

A transformação do mercado de trabalho até 2030 deve colocar as competências tecnológicas no centro das estratégias de contratação e qualificação profissional. Segundo o Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, habilidades relacionadas à Inteligência Artificial e big data lideram a lista das competências com crescimento mais acelerado em importância, seguidas por redes e cibersegurança e letramento tecnológico. O levantamento também estima que 39% das habilidades atualmente utilizadas pelos trabalhadores deverão ser transformadas ou se tornar obsoletas até o final da década. Este cenário reforça uma mudança que já pode ser percebida nas empresas, já que conhecimentos digitais deixam de estar concentrados nos departamentos de tecnologia e passam a fazer parte das exigências para profissionais de diferentes áreas. 

Para Leonardo Andreoli, diretor nacional da Prepara IA, rede de ensino profissionalizante do Grupo MoveEdu que conta com metodologia voltada à Inteligência Artificial e ao desenvolvimento de hard skills, o profissional do futuro não será necessariamente aquele que domina todas as tecnologias, mas quem consegue incorporá-las à sua atividade. “Não significa que todo profissional precisará se tornar programador. A grande mudança está em saber utilizar a tecnologia para executar melhor o próprio trabalho. Hoje, a Inteligência Artificial já pode apoiar profissionais de vendas, administração, finanças, marketing, atendimento e inúmeras outras áreas. Quanto mais essas soluções avançarem, maior será a necessidade de desenvolver conhecimentos técnicos para utilizá-las de maneira eficiente”, explica Andreoli. 

Diante desse cenário, o especialista aponta sete hard skills digitais que tendem a ganhar relevância até 2030.

 

1. Inteligência Artificial e IA generativa

Saber utilizar ferramentas de Inteligência Artificial deve se tornar uma habilidade transversal. Além de conhecer as plataformas, será necessário aprender a elaborar comandos, contextualizar solicitações, analisar resultados e identificar possíveis erros ou limitações. “A IA pode acelerar muitas atividades, mas existe uma diferença grande entre simplesmente acessar uma ferramenta e saber utilizá-la profissionalmente. Quanto maior o conhecimento do usuário, melhores tendem a ser as aplicações da tecnologia no cotidiano”, destaca o diretor nacional da Prepara IA.

 

2. Análise e interpretação de dados

Em um ambiente empresarial cada vez mais orientado por informações, profissionais capazes de organizar, interpretar e visualizar dados terão espaço em diferentes áreas. Conhecimentos de planilhas avançadas, dashboards, bancos de dados e ferramentas de BI (Business Intelligence), por exemplo, podem apoiar decisões comerciais, financeiras e operacionais. Segundo Andreoli, o ponto central será transformar números em conhecimento. “As empresas possuem uma quantidade enorme de dados. O diferencial está em conseguir interpretar essas informações e utilizá-las para identificar problemas, oportunidades e caminhos para o negócio”, ressalta.

 

3. Automação de processos

Automatizar tarefas repetitivas também tende a fazer parte das rotinas profissionais. Plataformas no-code e low-code, integrações entre sistemas e ferramentas baseadas em IA já permitem criar fluxos automatizados mesmo sem conhecimentos avançados de programação.

Nesse cenário, identificar processos que podem ser automatizados será tão relevante quanto dominar as próprias ferramentas.

 

4. Cibersegurança

Com mais dados armazenados digitalmente e sistemas conectados, aumenta também a preocupação das empresas com ataques, vazamentos e fraudes. Por isso, conhecimentos básicos sobre segurança digital devem ultrapassar as equipes de TI. “A cibersegurança também depende do comportamento das pessoas. Saber identificar uma tentativa de fraude, utilizar corretamente os acessos corporativos e compreender cuidados básicos com dados são conhecimentos que passam a fazer parte da formação profissional”, afirma o executivo.

 

5. Computação em nuvem e ferramentas colaborativas

A utilização de sistemas e arquivos armazenados em nuvem já faz parte do cotidiano de inúmeras empresas e deve avançar nos próximos anos. Saber trabalhar com documentos compartilhados, plataformas corporativas, armazenamento remoto e ambientes colaborativos será uma habilidade básica para diferentes ocupações. Mais importante do que conhecer uma plataforma específica será ter facilidade para compreender novos ambientes digitais e adaptar-se às ferramentas adotadas pelas organizações.

 

6. Programação e lógica computacional

Mesmo com o crescimento das ferramentas de IA capazes de gerar códigos, conhecimentos em programação continuam relevantes para determinadas profissões. A lógica computacional também pode beneficiar profissionais que não trabalham diretamente com desenvolvimento, ajudando na estruturação de problemas e na compreensão do funcionamento das tecnologias.

“A Inteligência Artificial consegue gerar códigos, mas ainda é necessário saber avaliar o que foi produzido, testar, corrigir e entender se aquela solução realmente atende ao problema. A tecnologia muda a maneira de programar, mas não elimina a necessidade de conhecimento”, pontua o diretor da Prepara IA.

 

7. Integração de ferramentas digitais

Até 2030, saber utilizar uma ferramenta isoladamente pode não ser suficiente. A tendência é que profissionais precisem conectar diferentes recursos, como IA, planilhas, CRM, plataformas de gestão, ferramentas de comunicação e sistemas de automação. Para Andreoli, esse movimento muda inclusive o significado de “dominar tecnologia” no ambiente profissional. “Indo além de decorar funcionalidades, será importante entender o problema e saber quais recursos podem ser combinados para resolvê-lo. Essa capacidade de aplicação prática é o que transforma uma hard skill em resultado para o profissional e para a empresa”, pontua. 

As próprias transformações previstas pelo Fórum Econômico Mundial mostram que preparar-se para 2030 não significa apenas adquirir uma lista de conhecimentos técnicos. Com tecnologias evoluindo rapidamente, uma habilidade aprendida hoje poderá ser atualizada diversas vezes ao longo da trajetória profissional. Nesse contexto, formações profissionalizantes e cursos de curta duração ganham relevância por permitirem que jovens em início de carreira e profissionais já inseridos no mercado acompanhem novas demandas de maneira mais ágil. 

“O ano de 2030 pode parecer distante, mas as competências apontadas para o futuro já estão sendo exigidas hoje. O desafio é não esperar uma tecnologia se tornar obrigatória para começar a aprendê-la. Criar uma rotina de atualização e desenvolver familiaridade com novas ferramentas será fundamental para quem quiser continuar competitivo no mercado de trabalho”, finaliza Leonardo Andreoli.

 

Prepara IA

 

Brasileiros fazem 133 milhões de pagamentos com cartões por dia


Do cafezinho ao pagamento de uma passagem aérea, do transporte por aplicativo ao pedágio, da assinatura do seu streaming preferido à pipoca na sala de cinema: os cartões estão presentes em uma parcela cada vez maior das transações realizadas pelos brasileiros. No primeiro semestre deste ano, foram 23,9 bilhões de operações com cartões, o que representa uma média de 133 milhões por dia, segundo dados da Abecs, associação que representa o setor de meios eletrônicos de pagamento. 

A evolução mostra como o cartão deixou de estar restrito às compras tradicionais e passou a acompanhar diferentes momentos da jornada diária do consumidor, seja em pagamentos presenciais, por aproximação ou parcelados, seja na utilização de serviços e soluções de mobilidade, como transporte por aplicativo, metrô e pedágios. Essa presença se reflete também na diversidade de categorias em que os cartões são utilizados. 

Os cartões de crédito lideram em número de operações, com 11,1 bilhões de transações no semestre, alta de 7,4% em relação a igual período de 2025. Na sequência aparecem os cartões de débito, com 8,1 bilhões de operações, e os pré-pagos, com 4,6 bilhões. 

R$ 2,3 trilhões movimentados – A expansão também aparece nos valores transacionados. No primeiro semestre, o setor de cartões movimentou R$ 2,3 trilhões, crescimento de 8% na comparação anual. Desse total, R$ 1,7 trilhão foi movimentado por cartões de crédito, R$ 481,6 bilhões por cartões de débito e R$ 191,1 bilhões por cartões pré-pagos.

 

Abecs


O que ler para crescer em 2027? Executivos compartilham suas indicações

De ecossistemas de parceiros a finanças comportamentais, 15 lideranças indicam leituras que influenciam decisões reais de crescimento e posicionamento

 


2027 batendo na porta e é o período em que empresas revisam metas, ajustam estratégias e buscam alternativas para iniciar o ano com resultados melhores. Para executivos e empreendedores que precisam tomar decisões sobre crescimento, posicionamento, eficiência operacional ou gestão de equipes, a leitura certa pode antecipar erros e acelerar aprendizados.

 

Para esta lista, 15 lideranças de empresas com atuação em áreas como tecnologia, inovação, serviços e negócios B2B compartilham quais livros recomendam para quem quer crescer com mais clareza estratégica em 2027. As indicações vão de gestão de parcerias e posicionamento de produto a finanças comportamentais e cultura organizacional, temas recorrentes nas decisões do dia a dia.


 

10x é mais fácil que 2x


Autor do livro “Crescimento Atômico”, em que reúne as seis forças que estruturam negócios capazes de crescer com previsibilidade, margem e escala, o fundador e CEO do Atomic Group, Filipe Bento, destaca o livro “10x é mais fácil que 2x: Realize mais fazendo menos”, de Benjamin Hardy e Dan Sullivan. Segundo Bento, o ponto central do livro é a quebra de paradigma de que “é mais difícil ter um crescimento exponencial”, ao trazer uma perspectiva de que poucas coisas feitas com excelência podem levar o empreendedor a outro nível de crescimento.
 

“O livro mostra que o crescimento exponencial pode vir de uma mudança na forma de pensar: em vez de tentar melhorar tudo ao mesmo tempo, você identifica aquilo que realmente move o negócio e concentra energia ali. E isso conversa diretamente com uma ideia que considero fundamental: mentalidade é a chave e uma das bases do crescimento, ponto em que também abordo no livro ‘Crescimento Atômico’”, destaca o CEO.


 

Elon Musk e Zero to One


Indicações de Lisandro Vieira, CEO da WTM International, empresa especializada em operações de importação e exportação de serviços e tecnologia, Elon Musk, de Walter Isaacson, mostra ambições e capacidade de transformar ideias improváveis em negócios de escala global. Já Zero to One, de Peter Thiel, traz uma provocação importante para qualquer empresário: você está apenas competindo melhor no mercado que já existe ou está construindo algo que realmente diferencia a sua empresa? Essa pergunta vale para inovação, para internacionalização e para qualquer estratégia de crescimento.
 

“Depois de mais de 25 anos empreendendo, uma coisa ficou muito clara para mim: a empresa dificilmente cresce além da visão de quem está à frente dela. Por isso, acredito muito em buscar repertório, olhar para outros mercados e entender como pessoas que construíram negócios relevantes pensam, decidem e, principalmente, executam. Empreender também é isso: ampliar a visão antes de ampliar o negócio”, afirma Vieira.


 

Estratégia da Inovação Radical


A indicação de leitura do CEO da Syngular, Heitor Pires, é o livro “Estratégia da Inovação Radical”, de Pedro Waengertner. A obra propõe uma reflexão sobre a capacidade das empresas de se reinventarem em um ambiente marcado por mudanças cada vez mais rápidas. Mais do que apresentar métodos ou fórmulas, o autor discute como a inovação deve fazer parte da cultura organizacional e estar diretamente conectada à estratégia do negócio.
“É uma leitura relevante para líderes que buscam construir organizações mais adaptáveis, competitivas e preparadas para os desafios do futuro”, afirma Heitor.


 

Obviously Awesome


Thiago Carvalho, cofundador da Urmobo, plataforma especializada em mobilidade corporativa e UEM, indica o livro “Obviously Awesome”, de April Dunford, uma das grandes referências em posicionamento de produtos de tecnologia.

No livro, April mostra de forma prática como o posicionamento influencia diretamente o marketing, as vendas e, por fim, a capacidade de uma empresa crescer, aspecto fundamental para quem atua em tecnologia B2B. “Gosto muito do livro porque ele parte de uma questão que parece simples, mas que muitas empresas erram: não adianta ter um ótimo produto se o mercado não entende claramente por que ele é diferente, para quem ele é e qual valor entrega”, comenta Thiago.


 

How Brands Grow


Guta Tolmasquim, CEO da Purple Metrics, empresa especializada em Marketing Mix Modeling (MMM), recomenda o livro “How Brands Grow”, de Byron Sharp. Considerada a “bíblia do marketing científico” pela executiva, o livro analisa, ao longo dos anos, padrões de como as marcas de fato crescem e ganham mercado. “A obra contraria muitas falsas verdades das áreas de marketing, além de trazer dados para pautar as estratégias de crescimento das empresas”, diz Guta.

 

Ecossistema de Parceiros: Método Octo


Dados da Partnership Mastermind/Crossbeam mostram que negociações que envolvem parceiros geram, em média, 73% mais receita e contratos 62% maiores. Nesse contexto, Juliana Tubino e Nara Vaz Guimarães criaram o Método Octo, a base para construir, evoluir e escalar ecossistemas de parceiros com um sistema operacional próprio. A metodologia está reunida no livro “Ecossistema de Parceiros: Método Octo®”, um guia sobre como transformar parcerias em fonte previsível de receita, com processos, métricas e governança que sustentam o crescimento no longo prazo. "Vimos muitos casos de empresas que tentam operar parcerias sem processos, métricas ou governança, o que acaba gerando frustração pela falta de resultados. Para que elas se tornem, de fato, uma alavanca de crescimento, é preciso tratar a gestão de parceiros como uma disciplina de negócios”, conta Juliana, cofundadora do Ecossistema Octo.


 

RevOps — Revenue Operations: Como fazer o seu negócio crescer de forma previsível e escalável


Fábio Duran, CEO da 8D Hubify, empresa especializada em Revenue Operations e que atua de forma integrada com a Dialetto, recomenda “RevOps — Revenue Operations: Como fazer o seu negócio crescer de forma previsível e escalável”, de Sean Lane e Laura Adint. “A obra apresenta RevOps como uma disciplina de gestão da receita, e não apenas como uma estrutura para aproximar marketing, vendas e customer success. Nela, os autores mostram que a previsibilidade depende da capacidade de conectar estratégia, pessoas, processos, dados e tecnologia ao longo da jornada do cliente.”

 

Fábio observa, porém, que a obra foi escrita a partir da realidade norte-americana. “O leitor brasileiro precisa adaptar alguns exemplos e recomendações ao tamanho, ao orçamento e ao nível de maturidade da sua empresa. Os fundamentos são muito válidos, mas não devem ser aplicados como uma receita pronta. A principal mensagem é que crescer com eficiência não significa fazer cada área correr mais, mas construir uma operação em que toda a empresa avance na mesma direção.”


 

Reinvente sua Empresa e Satisfação Garantida


Rodrigo Nunes, cofundador e CTO do Reportei, recomenda “Reinvente sua Empresa”, de Jason Fried e David Heinemeier Hansson, e “Satisfação Garantida”, de Tony Hsieh. O primeiro apresenta uma visão diferente sobre como construir uma empresa e questiona ideias tratadas como verdades entre empreendedores, como a necessidade de fazer mais que os concorrentes e de trabalhar em um ambiente em que tudo é urgente.
 

Já “Satisfação Garantida” aborda como a cultura empresarial influencia a experiência dos clientes e das pessoas que trabalham na organização. "O livro orienta que todo colaborador deve conhecer a parte de suporte da empresa para entender como ela funciona e como é o atendimento ao cliente. Ambas as leituras são obrigatórias no onboarding do Reportei, inclusive todos vivem uma experiência na área de suporte por recomendação do livro", afirma.


 

Avaliação Psicológica dos Fatores Psicossociais do Trabalho


Ana Carolina Wolf Baldino Peuker, fundadora e CEO da Bee Touch, é uma das organizadoras de “Avaliação Psicológica dos Fatores Psicossociais do Trabalho: Teoria e Prática na Era Digital”, ao lado de Sibele Faller. A obra reúne fundamentos e referências técnicas e científicas sobre fatores de risco psicossociais no trabalho.

 

“O excesso de cursos, lives e discursos sobre NR-1 acabou produzindo um paradoxo no país. Aumentamos a exposição ao tema, mas também ampliamos a confusão das empresas em relação a ele. Esse cenário se aproxima do chamado efeito Dunning-Kruger. Quanto menor a compreensão da complexidade envolvida, maior pode ser a confiança em uma solução rápida, mágica ou em uma resposta definitiva”, afirma Ana. Segundo a executiva, essa é uma das razões para indicar o livro. “Ele traz os fundamentos que balizam o tema da NR-1 relacionados aos fatores de risco psicossociais, com referências técnicas e científicas de especialistas no tema no país.”



Gestão de Alta Performance


Danrley Morais, cofundador e CTO da Runflow, recomenda a leitura de “Gestão de Alta Performance: Tudo o que um gestor precisa saber para gerenciar equipes e manter o foco em resultados”. Escrita por Andrew Grove, ex-CEO da Intel, a obra detalha o método utilizado para aumentar o faturamento da empresa de US$ 2 bilhões para mais de US$ 20 bilhões em um curto período.

 

“A maioria das pessoas com quem converso em grandes empresas traz essa literatura como indispensável para qualquer um que planeje alcançar uma cadeira de gestão", destaca o executivo. Segundo Danrley, o livro tornou-se obra de cabeceira para diversos líderes e foi fundamental para ajudá-lo a estruturar times e resolver problemas em escala.

 

Com um estilo de escrita direto, Grove utiliza analogias simples para explicar conceitos complexos. Para o CTO, essa compreensão é o verdadeiro diferencial do livro: "Em uma era em que qualquer pessoa pode criar qualquer coisa, é muito importante ter clareza sobre processos e sobre aquilo que de fato vai mover o ponteiro.”


 

Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes


Daniela Martins, diretora de RH e de marketing da Franq, indica o livro “Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes”, de Stephen Covey. Ela conta que ganhou a obra de um gestor, que depois virou seu sócio e segue até hoje sendo um amigo. “Li pela primeira vez há muitos anos e continuo voltando a ele. O que, para mim, é o melhor sinal de que um livro vale a leitura”, destaca.

 

Para Daniela, o que o Covey faz não é entregar técnica de produtividade, mas mudar a ordem das coisas: eficácia começa no caráter e nos hábitos que a gente escolhe cultivar, não na agenda cheia. “Dois dos ensinamentos me acompanham até hoje: ‘primeiro o mais importante’, que me obriga a separar o urgente do que de fato constroi algo, e ‘procure primeiro compreender, depois ser compreendido’, que mudou a forma como eu escuto as pessoas. É um livro para ler devagar e reler”, finaliza.


 

Deep Work


“Deep Work”, de Cal Newport, é a recomendação de Roberto Cruz, co-CEO da Pixeon, uma das principais empresas de tecnologia para a saúde do Brasil. “Em um cenário em que estamos cada vez mais conectados, é o livro que mais me ajudou a ter pensamento estratégico. Recomendo para quem se sente reativo no dia a dia e sente que nunca sobra espaço para decidir o que importa”, afirma.
 

O livro defende que a capacidade de manter o foco profundo se tornou uma vantagem competitiva em meio a reuniões e distrações constantes, além de apresentar formas de desenvolver essa concentração, ensina como treiná-la como músculo e reservar mais tempo para ser estratégico.


 

Psicologia Financeira


A indicação do CFO da Roboteasy, Renan Vieira Lemos, é “Psicologia Financeira: lições atemporais sobre fortuna, ganância e felicidade”. Na obra, o autor Morgan Housel discute exemplos de investidores que tiveram sucesso e daqueles que falharam, ressaltando como o aspecto psicológico é fundamental na gestão das finanças. “O livro mostra que boas decisões não dependem apenas de conhecimento técnico, mas também de comportamento, disciplina e visão de longo prazo”, explica Renan.

Renan considera que a leitura o ajudou a tomar melhores decisões de risco e crescimento na Roboteasy. “Housel traz reflexões práticas sobre como construir negócios sustentáveis em contextos de incerteza, algo essencial para quem lidera uma empresa de tecnologia em fase de expansão”, afirma o CFO.


 

O Lado Difícil das Situações Difíceis


A recomendação de João Paulo Lins, CEO da Tempest Security Intelligence, empresa referência em cibersegurança no Brasil, é O Lado Difícil das Situações Difíceis, de Ben Horowitz. “É um livro de gestão sobre a realidade de construir uma empresa num mundo adverso, além de ser um dos livros de negócios que mais fogem das fórmulas prontas”, explica João.

 

Segundo o executivo, a obra aborda o que normalmente não aparece nos livros de gestão, como o que fazer quando não existe uma boa resposta, quando o plano não funciona e quando é preciso tomar decisões difíceis sobre pessoas, caixa, estratégia e crescimento.

 

“Essa é a minha indicação. Acho especialmente relevante para o momento que estamos vivendo, no qual tecnologia e IA estão criando oportunidades enormes, mas ao mesmo tempo temos um ambiente econômico e geopolítico muito mais imprevisível. Nesse cenário, não basta ter uma boa ideia ou uma boa estratégia. A diferença está cada vez mais na capacidade de decidir, adaptar e executar quando as coisas não saem como previsto”, afirma o CEO.

 

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