Pesquisa do King's College London acompanhou estudantes de mestrado a distância durante oito semanas e identificou melhora significativa no bem-estar após a prática
Um estudo publicado em 17 de
setembro de 2026 na revista científica Frontiers in Psychology identificou
efeitos positivos da meditação Heartfulness sobre estresse, ansiedade, sintomas
depressivos e bem-estar entre estudantes de pós-graduação que estudavam a
distância. Conduzida pelo Institute of Psychiatry, Psychology and Neuroscience
do King's College London, a pesquisa acompanhou alunos de mestrado de
diferentes países durante oito semanas de prática regular.
O ensaio clínico randomizado reuniu inicialmente 73 estudantes de dois
mestrados a distância da universidade, moradores de 17 países em seis
continentes. Os participantes foram distribuídos entre dois grupos de
intervenção, que receberam sessões semanais de uma hora, ao vivo e online,
durante oito semanas, seguidas por encontros mensais de reforço ao longo de três
meses.
Heartfulness e os efeitos sobre estresse e
bem-estar
Entre os
participantes que praticaram Heartfulness, os pesquisadores identificaram
reduções significativas nos níveis de estresse, ansiedade e sintomas depressivos,
além de aumento significativo do bem-estar, oito semanas após o início do
programa.
Os
resultados também indicaram que parte desses benefícios se manteve ao longo do
acompanhamento. Três meses após o fim da intervenção, as melhorias em estresse
e bem-estar permaneceram significativas entre os participantes. A
redução da ansiedade também se manteve significativa quando a análise
considerou exclusivamente aqueles que completaram integralmente o programa.
Os
resultados foram observados em um público que, segundo os autores, merece atenção
especial. Estudantes de pós-graduação em programas a distância podem estar
particularmente expostos a fatores associados ao sofrimento psicológico, como
isolamento social, conciliação entre estudos e trabalho e menor interação
presencial com colegas e instituições.
Como era a prática de Heartfulness
No estudo,
as sessões de Heartfulness foram conduzidas por dois instrutores voluntários
com mais de dez anos de experiência, formados na sede do Heartfulness Institute
em Hyderabad, na Índia.
Cada
encontro começava com um breve relaxamento corporal, seguido por 20 a 30
minutos de meditação silenciosa. Os participantes eram orientados a fechar os
olhos e direcionar a atenção para uma fonte sutil de luz percebida no coração,
dentro da prática de meditação com Transmissão, (ou Pranahuti), característica
do método.
As sessões
também incluíam um exercício voltado à liberação de impressões e padrões
emocionais, associado à prática de Limpeza (Cleaning) do Heartfulness. A intervenção
foi realizada integralmente a distância, mostrando também a possibilidade de
oferecer a prática a participantes distribuídos geograficamente em diferentes
países e continentes.
Estudo inédito sobre Heartfulness
Além dos
resultados observados entre os praticantes, a pesquisa representa um passo
importante para a produção de evidências científicas sobre o Heartfulness. Os
autores destacam que ainda são relativamente poucos os ensaios clínicos que
investigam a prática, especialmente estudos que a colocam em comparação com
outra intervenção estruturada de meditação.
No desenho
da pesquisa, os participantes foram distribuídos entre um programa de
Heartfulness e outro de Mindfulness. Ao comparar os dois grupos, os
pesquisadores não encontraram diferenças estatisticamente significativas nos
resultados relacionados a estresse, ansiedade, sintomas depressivos e
bem-estar. Isso indica que os benefícios observados no grupo de Heartfulness
ocorreram em magnitude semelhante aos registrados no outro grupo de intervenção.
Para os
autores, os resultados contribuem para a literatura ainda emergente sobre
Heartfulness e sugerem que a prática pode ser uma alternativa viável, acessível
e de baixo custo para programas de promoção do bem-estar psicológico, inclusive
em formatos remotos.
Limites da pesquisa
Os próprios
pesquisadores destacam algumas limitações. O estudo teve caráter exploratório e
contou com uma amostra menor do que a inicialmente planejada: 61 participantes
foram incluídos na análise final, diante de uma meta de 80. Esse número reduz a
capacidade de identificar diferenças moderadas entre as intervenções.
A evasão
também foi elevada: 40% dos participantes não completaram todas as etapas do
estudo, embora a taxa tenha sido semelhante nos dois grupos. Além disso, a
pesquisa não contou com um grupo de controle sem intervenção. Dessa forma, os
resultados mostram mudanças associadas à participação nos programas estudados,
mas não permitem medir, neste desenho específico, quanto dessas mudanças se
deve exclusivamente à prática de meditação em comparação com a ausência de
qualquer intervenção.

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