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| Foto de i yunmai na Unsplash |
Nunca houve tanta facilidade para falar sobre emagrecimento. As chamadas canetas emagrecedoras, medicamentos como Ozempic e Mounjaro, ganharam espaço e passaram a fazer parte da rotina de muitas pessoas que buscam reduzir o peso. Quando existe indicação médica e acompanhamento adequado, elas podem ser ferramentas importantes no tratamento da obesidade.
Mas existe uma pergunta que deveria acompanhar
qualquer processo de emagrecimento, especialmente depois dos 40 anos, “quanto
desse peso perdido veio da gordura e quanto veio do músculo?”
A resposta faz diferença porque o corpo muda com o
passar dos anos. A massa muscular e a força começam a apresentar uma queda
gradual a partir da meia-idade, e esse processo pode se acelerar com o envelhecimento.
A sarcopenia, termo usado para descrever a perda progressiva de massa muscular
e função, está relacionada à redução da força e da capacidade funcional ao
longo do tempo.
Quando uma pessoa entra em um processo de
emagrecimento, portanto, existe uma preocupação que vai além do número mostrado
pela balança. Perder peso é diferente de perder gordura. E preservar a massa
muscular precisa fazer parte dessa equação.
Um substudo do ensaio clínico SURMOUNT-1 ajuda a
entender essa questão. Pesquisadores acompanharam 160 participantes que fizeram
exames de composição corporal por densitometria, no início e após 72 semanas. A
média de idade desse grupo foi de 46,2 anos. Entre os participantes que
receberam tirzepatida, aproximadamente 74% do peso perdido veio da massa de
gordura e 26% da massa magra.
Isso não significa que a medicação esteja
provocando uma perda inadequada de músculo. O resultado mostra algo mais
simples e importante. Quando o peso diminui, a composição corporal também muda.
Parte da massa perdida pode ser massa magra, e esse é um aspecto que precisa
ser acompanhado durante o tratamento.
Para quem já passou dos 40, essa atenção ganha
ainda mais importância. A perda muscular relacionada à idade pode comprometer
força, mobilidade e independência. Por isso, o objetivo de um emagrecimento bem
conduzido deveria ser reduzir o excesso de gordura preservando, tanto quanto
possível, aquilo que ajuda o corpo a continuar forte e funcional.
O papel da musculação durante
o emagrecimento
É nesse ponto que o treino de força deixa de ser
apenas uma estratégia para mudar a aparência do corpo.
Durante o emagrecimento, a musculação oferece um
estímulo para que o organismo preserve e desenvolva a musculatura. O objetivo
aqui não é simplesmente aumentar o gasto calórico de uma sessão, mas manter
força, capacidade física e função enquanto o peso diminui.
Esse cuidado é relevante porque a perda de massa
magra durante um processo de emagrecimento pode ter consequências que vão muito
além da estética. Menos músculo pode significar menos força para realizar
atividades cotidianas, como subir escadas, carregar compras, levantar da
cadeira ou manter uma rotina ativa.
A evidência disponível também reforça a importância
do treinamento resistido durante a perda de peso. Dados reunidos pelo American
College of Sports Medicine mostram que a inclusão desse tipo de exercício pode
ajudar a preservar a massa livre de gordura durante o emagrecimento.
Isso muda a forma como devemos enxergar a
musculação nesse processo. Ela não precisa ser tratada como uma ferramenta para
compensar calorias ou acelerar o número da balança. Sua importância está em
proteger uma estrutura que será necessária muito depois de o objetivo inicial
de emagrecimento ser alcançado.
Também é por isso que alimentação, ingestão
adequada de proteínas, sono e treinamento precisam caminhar juntos. A
estratégia deve considerar a idade, o histórico de treinamento, a rotina, a
condição física e a resposta de cada pessoa ao processo.
Depois dos 40, emagrecer pode continuar sendo um
excelente objetivo. O que muda agora é a necessidade de olhar para o resultado
de forma mais completa.
Uma pessoa pode terminar um processo alguns quilos
mais leve. Outra pode terminar com menos gordura, mantendo força e capacidade
para se movimentar bem. Na balança, talvez a diferença não pareça tão grande,
mas, no dia a dia e nos anos seguintes, ela pode ser.
As canetas podem fazer parte de um tratamento
quando existe indicação médica. O treino de força pode fazer parte da
estratégia para preservar aquilo que o emagrecimento não deveria levar embora.
E no fim, o melhor resultado é conseguir emagrecer
sem abrir mão da força necessária para continuar vivendo bem.
*Rairtoni Pereira é personal trainer há mais de 10
anos, ajudando pessoas a desenvolverem hábitos saudáveis e uma relação positiva
com o próprio corpo. É autor do livro "5 Atitudes para criar o hábito de
se exercitar todos os dias".

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