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Perdas significativas de peso podem deixar excesso de pele e alterar o contorno corporal; o cirurgião plástico Rafael De Fina explica os critérios médicos considerados na indicação de tratamentos
O
emagrecimento significativo pode mudar não apenas a balança, mas também o
contorno corporal. Dados de 2025 da American Society of Plastic Surgeons (ASPS) revelam que 82% dos cirurgiões
plásticos membros da sociedade receberam consultas relacionadas ao uso de
medicação GLP-1 para perda de peso, tornando o tema um dos mais significativos
na especialidade. À medida que as medidas diminuem, uma questão pode surgir
entre pacientes que chegam ao peso planejado: a permanência de excesso de pele
e a perda de firmeza após o emagrecimento. A situação pode ocorrer
independentemente do método utilizado para perder peso e exige avaliação
individualizada para determinar quais abordagens podem ser consideradas.
Rafael
De Fina, cirurgião plástico e diretor técnico da Clínica De Fina, explica: “A
perda de peso significativa, seja por canetas emagrecedoras ou outros métodos,
pode deixar um excesso de pele que não foi previsto no início do tratamento. A
questão não está no medicamento em si, mas na magnitude da mudança corporal e
na capacidade individual do tecido de acompanhar essa redução.”
Por
que a pele não retrai na mesma proporção do emagrecimento
Fibras
de colágeno e elastina são responsáveis por sustentar a pele e permitir sua
adaptação às mudanças do corpo. Quando ocorre uma redução significativa de volume,
a capacidade de retração cutânea pode não ser suficiente para acompanhar
completamente essa mudança.
A
intensidade dessa resposta varia conforme idade, genética, qualidade do
colágeno, velocidade e quantidade de peso perdido. De Fina explica: “Uma pessoa
que perdeu menos peso em um período mais longo pode ter uma alteração discreta,
enquanto uma redução maior e mais rápida pode deixar áreas com menor retração.”
Além
disso, treinos de força, ingestão adequada de proteínas e manutenção de um peso
estável fazem parte dos cuidados que acompanham uma mudança corporal, embora
não determinem isoladamente quanto a pele irá retrair.
Exion
ou cirurgia plástica: como essa indicação é definida
Quando
a queixa está relacionada principalmente à qualidade da pele, com perda
discreta de firmeza e alteração leve do contorno, tecnologias como o Exion
podem ser avaliadas dentro de um planejamento individualizado. Na Clínica De
Fina, a plataforma combina radiofrequência monopolar e ultrassom, recursos
utilizados para estimular processos relacionados à produção de colágeno e
elastina e contribuir para a melhora da firmeza e da qualidade da pele.
Sobre
os critérios para indicação, De Fina afirma: “A indicação depende da avaliação
das características apresentadas. A área tratada, o grau de flacidez, a
espessura do tecido e a quantidade de pele excedente interferem na escolha da
abordagem. O objetivo, nesses casos, não é retirar tecido, mas trabalhar a
qualidade da pele.”
Já nos
casos com excesso cutâneo significativo, a cirurgia plástica pode ser
considerada. “A diferença está principalmente na quantidade de tecido excedente
e no impacto que essa sobra provoca no contorno corporal e no conforto do
paciente”, complementa o especialista.
Avaliação
médica é essencial para definir a abordagem
A
análise da flacidez não se resume a observar se a pele está “caída”. É preciso entender
a extensão da alteração e a relação entre pele, tecido subcutâneo e contorno
corporal.
Durante
a avaliação, são considerados fatores como quantidade de peso perdida, período
em que ocorreu a redução, estabilidade do peso atual, região afetada, qualidade
e elasticidade da pele, presença de excesso cutâneo, condições nutricionais e
impacto no conforto e na rotina.
Para
quem perdeu uma quantidade significativa de peso, De Fina também ressalta a
importância de evitar decisões precipitadas: “A cirurgia de contorno corporal
costuma ser planejada quando o peso já está estabilizado, pois novas oscilações
podem modificar o resultado.”
O
emagrecimento é uma etapa importante, mas não necessariamente encerra o
processo de mudança do contorno corporal. A resposta da pele após essa
transformação varia de pessoa para pessoa, o que torna a avaliação médica parte
importante do planejamento.
“A
partir da avaliação médica, considerando a estabilidade do peso, o grau de
flacidez e a presença de excesso cutâneo, é possível definir uma estratégia que
preserve segurança e naturalidade”, finaliza Rafael De Fina.

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