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domingo, 27 de setembro de 2026

Harmonização facial não é igual para todos: especialista explica como os procedimentos devem mudar em cada fase da vida

 

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Do cuidado preventivo à reestruturação facial, indicação de procedimentos deve acompanhar as mudanças anatômicas que acontecem ao longo do envelhecimento

 

A ideia de que a harmonização facial pode seguir uma mesma lógica para qualquer idade vem sendo questionada pela própria evolução da anatomia do rosto. Ao longo das décadas, pele, gordura, musculatura e estrutura óssea passam por transformações diferentes e, por isso, a indicação de procedimentos também precisa mudar.

Dados mais recentes divulgados em 2025 pela International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS) mostram a dimensão da procura por procedimentos estéticos não cirúrgicos. No ano anterior, foram realizados mundialmente mais de 20,5 milhões desses procedimentos por cirurgiões plásticos. A toxina botulínica foi o procedimento não cirúrgico mais realizado, com cerca de 7,9 milhões de aplicações, seguida pelo ácido hialurônico, com 6,3 milhões. No Brasil, o levantamento contabilizou 351 mil procedimentos com toxina botulínica e 176 mil com ácido hialurônico.

A variedade de recursos disponíveis, no entanto, não significa que eles possam ser aplicados da mesma maneira em todos os pacientes. Nesse cenário, a idade é apenas um dos fatores considerados na avaliação. Genética, exposição solar, estilo de vida e características individuais também interferem na forma como o rosto envelhece e a estratégia deve acompanhar as transformações anatômicas de cada fase da vida.


Dos 20 aos 30 anos, o foco é preservar

“Aos 20 anos, trabalhamos com a prevenção, refinando traços naturais ou suavizando detalhes de simetria sem intervir na estrutura. A partir dos 30, quando a produção natural de colágeno começa a declinar, a estratégia passa a ser a manutenção da qualidade da pele e a prevenção da perda de firmeza”, explica a Dra. Larissa Fabbri Prioli, cirurgiã plástica, professora de Medicina Regenerativa da UNIFESP e consultora do DMC Group.

Na faixa dos 20 anos, portanto, a abordagem tende a ser mais voltada à preservação das características naturais do rosto. Eventuais assimetrias ou detalhes específicos podem ser avaliados, mas a proposta é evitar intervenções que alterem a estrutura facial sem uma necessidade clara.

A partir dos 30, a atenção se volta progressivamente para a qualidade da pele e a manutenção da firmeza. É também nessa fase que a produção natural de colágeno começa a diminuir gradativamente, fazendo com que a estratégia passe a priorizar a preservação daquilo que o rosto já apresenta, em vez da criação de novos volumes.

Essa lógica também ajuda a explicar por que não existe uma idade única considerada ideal para começar a realizar procedimentos. O momento adequado depende da avaliação individual e do surgimento de necessidades específicas. Do ponto de vista preventivo, porém, a faixa dos 25 aos 30 anos pode marcar o início de alguns cuidados.

“O processo de envelhecimento varia bastante conforme a genética, o estilo de vida, a exposição solar e os hábitos do paciente. No entanto, do ponto de vista preventivo, o cuidado costuma começar por volta dos 25 a 30 anos, período em que o organismo reduz gradativamente a síntese endógena de colágeno. O objetivo nessa fase não é modificar feições nem exagerar em preenchimentos, mas preservar a arquitetura facial original e adiar o aparecimento de sinais mais profundos do tempo”, explica a médica.

Entre os recursos que podem integrar protocolos preventivos estão a toxina botulínica, os bioestimuladores de colágeno e procedimentos voltados à hidratação profunda da pele, como o skinbooster. A escolha depende das características e necessidades de cada paciente, com foco na qualidade cutânea.


Aos 40 e 50 anos, a estratégia muda

A partir dos 40 anos, as transformações passam a envolver não apenas a pele, mas também estruturas mais profundas, como explica a Dra. Larissa. 

“Aos 40 anos, surgem as primeiras perdas evidentes de volume em coxins de gordura e leve reabsorção óssea, demandando procedimentos de sustentação para reposicionar tecidos. Já a partir dos 50 anos, enfrentamos um cenário de reabsorção óssea mais acentuada, flacidez tissular marcante e rugas estáticas profundas. Nessa fase, a harmonização atua reestruturando a base da face e devolvendo suporte e volume perdidos, frequentemente integrada a tratamentos cirúrgicos para obter um resultado natural e harmônico”.

Essa mudança também altera a lógica da avaliação. Em vez de analisar apenas a aparência da pele ou a presença de rugas isoladas, o médico passa a observar o rosto como um conjunto, considerando a relação entre suas diferentes estruturas e a forma como elas se modificaram ao longo do tempo.

Isso é particularmente importante porque nem toda alteração percebida no rosto deve ser tratada com preenchimento ou com procedimentos injetáveis. Dependendo do grau de flacidez e das mudanças estruturais, insistir em uma abordagem exclusivamente não cirúrgica pode não produzir o resultado esperado. A avaliação individualizada permite definir quando uma intervenção minimamente invasiva é suficiente e quando outras estratégias podem ser mais adequadas.

A partir daí, a noção de “harmonização” também deixa de estar associada à simples adição de volume. O objetivo passa a ser preservar proporções, respeitar as características originais do rosto e considerar o conjunto de alterações provocado pelo envelhecimento, evitando que a tentativa de corrigir um sinal isolado produza um resultado artificial.


Prevenir ou corrigir? O rosto em repouso ajuda a indicar o caminho

Uma das diferenças importantes entre prevenção e tratamento está na forma como os sinais aparecem. A análise do rosto em movimento e em repouso ajuda o médico a identificar se determinada alteração está relacionada principalmente à atividade muscular ou se já existe uma modificação estrutural.

“Se as linhas aparecem apenas nas expressões, o foco é a prevenção; se já persistem com o rosto relaxado, acompanhadas por perda de volume ou sustentação, entramos na fase corretiva”, afirma a especialista.

A decisão, entretanto, não deve ser determinada apenas pela presença de um sinal de envelhecimento. O desconforto do próprio paciente também faz parte da avaliação. Uma alteração anatômica não significa, necessariamente, que exista indicação para tratá-la.

“A presença de um sinal ou alteração não obriga a realização de um tratamento se aquilo não afetar o seu bem-estar e a sua autoestima”, destaca Larissa. “A decisão final surge na consulta, quando alinhamos a indicação médica àquilo que realmente faz sentido e traz conforto para quem está sendo atendido.”

Na prática, a presença de um sinal de envelhecimento não significa que ele precise ser tratado. A decisão depende também de quanto aquela alteração incomoda o paciente e de quais são suas expectativas em relação ao procedimento. Por isso, a avaliação médica é fundamental para definir se existe indicação de intervenção e quais resultados são, de fato, possíveis em cada caso.

 

DMC
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