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sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Setembro Amarelo: práticas integrativas ganham espaço na saúde mental, saiba como funcionam

Com evidências científicas no alívio da tensão e na melhora do sono, práticas integrativas ganham espaço como suporte à saúde mental, sem dispensar o acompanhamento profissional 

 

O setembro amarelo traz ao debate a importância de olhar para a saúde mental de forma contínua, acessível e humana. Em busca de estratégias para enfrentar a rotina de estresse, ansiedade e fadiga emocional, um número crescente de brasileiros tem recorrido às Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS). 

Balanços do Ministério da Saúde mostram a consolidação dessa tendência: em 2024, o Sistema Único de Saúde (SUS) registrou cerca de 7,1 milhões de procedimentos em PICS, um crescimento de 70% em relação a 2022, sendo a Atenção Primária responsável por quase 80% dessa demanda. 

Reconhecidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e regulamentadas no Brasil desde 2006, as PICS atuam no equilíbrio entre corpo e mente, ajudando a regular o ritmo biológico, melhorar a qualidade do sono e aliviar sintomas leves de ansiedade.

Entretanto, cada modalidade possui níveis distintos de comprovação científica. A meditação de atenção plena (mindfulness) e o yoga figuram entre as mais respaldadas por revisões sistemáticas para a redução dos níveis de cortisol (hormônio do estresse) e auxílio na prevenção de recaídas depressivas. Já a acupuntura destaca-se como terapia complementar relevante para o manejo de dores crônicas associadas ao estresse e distúrbios do sono.

“As práticas integrativas oferecem recursos terapêuticos que auxiliam a pessoa a desenvolver uma presença maior de si e com essa percepção possa se autorregular, promovendo assim o equilíbrio emocional. Contudo, elas precisam ser encaradas em alguns casos como recursos de apoio e prevenção, sendo ajustadas às necessidades específicas de cada indivíduo”, explica Adriana Fabozzi, psicóloga do Polo de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde Parque Maria Helena, serviço da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo e gerenciado pelo CEJAM.

 

Terapia complementar não substitui tratamento convencional

Um dos pontos de atenção destacados pelos médicos é a necessidade de entender os limites de cada intervenção. Embora contribuam na promoção da qualidade de vida, as PICS não substituem a avaliação médica psiquiátrica, a psicoterapia regular ou o uso de medicamentos psicotrópicos quando há indicação clínica.

Abandonar ou adiar tratamentos convencionais em quadros de depressão moderada a grave ou transtornos de ansiedade estruturados pode levar ao agravamento dos sintomas. Por isso, a recomendação é que as práticas integrativas sejam somadas ao plano de cuidado, com a devida orientação da equipe de saúde.

“Em quadros psiquiátricos estruturados, a psicoterapia e o acompanhamento médico são insubstituíveis. O paciente jamais deve interromper medicações prescritas ou prescindir do tratamento psicológico para se dedicar exclusivamente a terapias complementares. O segredo está na integração consciente e acompanhada de ambos os caminhos”, adverte a especialista.

 

Setembro Amarelo e a prevenção responsável do suicídio

No âmbito do setembro amarelo, falar sobre saúde mental exige responsabilidade e clareza. As práticas integrativas auxiliam no bem-estar, mas não constituem, isoladamente, uma medida de prevenção do suicídio ou de controle de crises agudas. 

A prevenção efetiva baseia-se na escuta qualificada, no suporte familiar, na redução do estigma e no acesso rápido a serviços especializados de saúde. Diante de uma desesperança profunda ou isolamento severo, a busca por atendimento profissional imediato é indispensável.

 

Principais benefícios relatados e acompanhados pelas PICS:

  • Alívio da tensão e ansiedade leve: regulação do sistema nervoso autônomo por meio do controle respiratório e relaxamento corporal;
  • Melhora da qualidade do sono: redução da agitação mental antes de dormir, favorecendo um sono mais reparador;
  • Desenvolvimento do autocuidado: maior percepção dos sinais de estresse do corpo, facilitando a busca preventiva por pausa e cuidado;
  • Suporte somático: alívio de dores musculares e tensões físicas decorrentes de sobrecarga emocional.

 

Onde buscar acolhimento e avaliação no SUS

Pessoas que percebem dificuldades para lidar com emoções intensas, tristeza persistente ou sintomas de ansiedade devem procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) ou o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) mais próximo. Na rede pública, os profissionais de saúde realizam a avaliação inicial, podendo indicar o encaminhamento para outros serviços especializados ou sugerir a inclusão em grupos de PICS.

Em situações de crise emocional e emergência, o atendimento gratuito e confidencial pode ser feito pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), pelo telefone 188, além dos serviços de pronto atendimento (SAMU 192 e Prontos-Socorros).


 
Linha de Cuidados em Saúde Mental

O CEJAM possui uma Linha de Cuidados em Saúde Mental que integra diferentes etapas da assistência para promover um cuidado contínuo, qualificado e alinhado às necessidades de cada pessoa. Estruturada para atuar na prevenção, no diagnóstico precoce e no acompanhamento de quadros leves a complexos, a iniciativa conecta as Unidades Básicas de Saúde (UBS) e as equipes de Saúde da Família aos serviços especializados, como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).

Além do atendimento nas unidades, a diretriz contempla ações extramuros na comunidade, como a Terapia Comunitária Integrativa (TCI) e grupos educativos em parques e praças públicas. Essa atuação no território busca ampliar o acesso à escuta acolhedora e integrar a rede socioassistencial, alinhado às diretrizes da atenção psicossocial.



CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”
@cejamoficial


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