Imagine um mundo onde cirurgiões contam com um "assistente digital" capaz de identificar detalhes invisíveis a olho nu. A Inteligência Artificial (IA) está revolucionando a prática médica, com impactos significativos na cirurgia geral, pois pode aumentar a precisão cirúrgica, diminuir complicações, otimizar o tempo de operação e apoiar decisões durante o procedimento. A tecnologia é aplicada em várias fases da cirurgia, desde o planejamento pré-operatório, até a assistência em tempo real durante a operação.
Esse cenário já é realidade, segundo o Dr. Bruno Ferola,
cirurgião do Hospital Mater Dei Santa Clara, que destacou como a tecnologia
otimiza o armazenamento de dados, reduz complicações e impulsiona a cirurgia
robótica.
Diagnóstico mais afiado e cirurgias mais precisas
O primeiro impacto da IA aparece antes mesmo do paciente
entrar no centro cirúrgico. De acordo com o cirurgião, a IA tem papel central
no aprimoramento de exames de imagem. "Por meio de bancos de dados, a
tecnologia melhora a análise de imagens, aumentando a precisão
diagnóstica", explicou. Um estudo publicado no
Nature Medicine (2022) corrobora que
algoritmos de IA identificam anomalias em radiografias e tomografias com até
95% de acurácia, superando avaliações manuais, em alguns casos.
E quando a cirurgia começa?
Em procedimentos minimamente invasivos, como as
laparoscopias, a IA atua como um "segundo par de olhos". Ela analisa
as imagens em tempo real, alertando o cirurgião sobre vasos sanguíneos delicados
ou tecidos que exigem atenção extra. A integração de inteligência artificial
(IA) tem ampliado ainda mais essas capacidades. Um estudo publicado no
Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences destaca que sistemas robóticos equipados com IA são capazes
de prever complicações, como sangramentos, com até 89% de precisão, além de
aprimorar a personalização de tratamentos, com base em históricos médicos.
Menos complicações, mais confiança
Sobre a resistência de profissionais, Dr. Bruno reconhece
que inovações geram desconfiança inicial, mas afirma: "à medida que os
benefícios se tornam evidentes, a adoção aumenta". De acordo com levantamento da
Associação Médica Americana, em 2024, 66%
dos médicos disseram que usavam IA. "Quando os resultados aparecem, a
tecnologia conquista seu espaço", afirma o médico.
O cirurgião continua no comando
A IA é uma ferramenta com grande potencial na cirurgia
geral. No entanto, sua aplicação na prática médica ainda esbarra em desafios,
como a necessidade de validação criteriosa, adaptação aos sistemas já em uso e
capacitação adequada dos profissionais da saúde.
O cirurgião enfatiza que a IA não substitui o julgamento
clínico. "A decisão e a ação são sempre prerrogativas do médico",
afirmou. Para Dr. Bruno, o caminho é "equilibrar inovação com
segurança", assegurando que avanços tecnológicos continuem aliados à
expertise médica. E enquanto os robôs ganham espaço nas salas de operação, uma
máxima permanece: por trás de toda tecnologia, há um cirurgião decidindo quando
— e como — usá-la.
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