Castanhas, gelo, pipoca e balas duras estão entre os alimentos que mais oferecem risco; especialista explica quando o problema exige tratamento
Morder uma castanha, mastigar um grão de pipoca não
estourado ou até o hábito de triturar gelo podem parecer atitudes inofensivas,
mas, dependendo da condição do dente, podem provocar trincas e fraturas. Dados
publicados na revista científica Arquivos em Odontologia, da Faculdade
de Odontologia da Universidade Federal de Minas Gerais (FO-UFMG), mostram que,
entre 2014 e 2023, foram notificados mais de 1,65 milhão de casos de
traumatismos dentários no Brasil. Embora não exista um levantamento específico
sobre fraturas causadas pela alimentação, esse é considerado um dos acidentes
mais frequentes nos consultórios odontológicos.
Segundo o presidente da Câmara Técnica de Prótese
Dentária do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP), Dr. Fernando
Igai, a maioria das fraturas não acontece apenas por causa do alimento, mas
porque o dente já apresenta algum grau de fragilidade.
"Um dos principais fatores que enfraquecem o
dente é a perda de estrutura causada pela cárie, por restaurações extensas ou
por tratamentos endodônticos realizados em dentes com pouco remanescente
dentário. Nessas condições, o risco de fratura aumenta
significativamente", explica.
Além da condição do dente, alguns hábitos também
favorecem esse tipo de lesão.
"Alimentos muito duros ou o choque térmico
provocado pela ingestão de um alimento quente logo após um alimento gelado
também podem contribuir para a fratura", afirma o especialista.
Entre os alimentos que exigem maior atenção estão
castanhas, gelo, balas duras, pipoca (principalmente os grãos não estourados),
torresmo, ossos e outros alimentos muito rígidos.
O que fazer quando o dente
quebra?
Ao perceber uma trinca ou fratura, a recomendação é
procurar um cirurgião-dentista o quanto antes. O profissional fará o exame
clínico para avaliar a extensão do dano e definir o tratamento mais adequado.
"O tratamento depende da gravidade da lesão.
Nos casos mais simples, uma restauração pode resolver o problema. Quando a
fratura é maior, pode ser necessário realizar tratamento endodôntico e
confeccionar uma coroa protética. Já nas situações mais graves, em que o dente
não pode ser recuperado, pode haver indicação de extração seguida da instalação
de implante e prótese", explica Dr. Fernando.
O problema vai além da
estética
Além do impacto visual, um dente fraturado pode
comprometer funções importantes da boca.
"Para além da estética, um dente fraturado prejudica
a mastigação. E, quando existem diversos elementos dentários fraturados, ocorre
a perda da dimensão vertical, o que pode causar problemas musculares, disfunção
da articulação temporomandibular (ATM) e dor", conclui o especialista.

Nenhum comentário:
Postar um comentário