Professor de Biologia do CEUB explica
por que o escorpião-amarelo se adaptou às cidades, quais locais servem de
abrigo e como tornar as residências menos atrativas
Encontrar um escorpião dentro de casa é motivo de preocupação, sobretudo diante do aumento dos acidentes registrados em diferentes regiões do país. Mas a presença desses animais nas residências não ocorre por acaso. Segundo o professor de Biologia do Centro Universitário de Brasília (CEUB), Fabrício Escarlate, o avanço da urbanização criou condições favoráveis à sobrevivência e à proliferação de algumas espécies, especialmente o escorpião-amarelo. O especialista explica onde esses animais costumam se esconder e orienta como reduzir os riscos.
“O escorpião-amarelo se beneficia das alterações feitas no
ambiente. Quando desmatamos uma área e construímos casas, acabamos criando
condições favoráveis para que ele encontre abrigo, alimento e se prolifere”,
explica. De acordo com o biólogo, embora o Brasil tenha diferentes espécies de
escorpião, o escorpião-amarelo é o que melhor se adaptou aos ambientes urbanos.
“Em áreas rurais, é comum encontrar outras espécies, que normalmente oferecem
baixo risco. Quanto maior a presença de construções e mudanças, maior tende a
ser a ocorrência do escorpião-amarelo”, afirma.
Onde os escorpiões se escondem?
Escuros, silenciosos e protegidos, locais como frestas, rachaduras, buracos nas paredes, espaços entre tijolos, pilhas de madeira, telhas e materiais de construção são esconderijos ideais. “Esses ambientes oferecem proteção contra predadores e mantêm um microclima favorável à sobrevivência do animal”, explica Escarlate.
Esses répteis também podem ser encontrados em caixas de gordura,
fossas, redes de esgoto e galerias subterrâneas. Além de abrigo, esses locais
oferecem alimento em abundância, principalmente baratas. “O ambiente urbano
reúne tudo de que o escorpião precisa para sobreviver: esconderijos e alimento.
Onde há muitas baratas, aumentam as chances de o animal permanecer e se
proliferar”, alerta o professor do CEUB.
O que atrai os escorpiões para dentro de casa?
Materiais de construção, entulho, frestas nas paredes e grande
quantidade de baratas criam um ambiente ideal para o escorpião-amarelo. "O
problema não é apenas o abrigo. O ambiente urbano reúne tudo o que esse animal
precisa para sobreviver: esconderijos e alimento em abundância", explica o
biólogo.
Como reduzir o risco de acidentes?
Apesar de não existir uma solução única para eliminar os
escorpiões, algumas medidas podem diminuir as chances de encontrá-los. Entre as
principais recomendações estão:
- Manter quintais e áreas externas limpos e sem entulho;
- Evitar o acúmulo de tijolos, telhas, madeiras e restos de
obra;
- Vedar frestas, rachaduras e buracos em paredes e pisos;
- Manter caixas de gordura, fossas e redes de esgoto limpas;
- Controlar a infestação de baratas.
"A organização dos materiais de construção não impede
completamente a presença dos escorpiões, mas facilita a visualização do animal
e reduz os esconderijos disponíveis", orienta o especialista.
O que fazer ao encontrar um escorpião?
Caso encontre um escorpião dentro de casa, a orientação do biólogo
do CEUB é evitar manuseá-lo ou tentar capturá-lo sem proteção adequada. O ideal
é acionar o serviço de controle de zoonoses ou o órgão responsável do município
para que o animal seja removido com segurança. "O mais importante é
investir na prevenção. Ambientes limpos, organizados e com menos oferta de
alimento tornam a residência muito menos atrativa para os escorpiões",
conclui Fabrício Escarlate.
Centro Universitário de Brasília - CEUB
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