Prática integrativa é uma das 29 modalidades oferecidas no SUS, respaldadas pela política pública que existe há duas décadas e contabilizou mais de 10 milhões de atendimentos em 2025
A Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) no Sistema Único de Saúde (SUS) completou 20 anos recentemente, colaborando para o avanço dos atendimentos. Entre as 29 modalidades oferecidas no SUS está o reiki, que é celebrado mundialmente em agosto. O reiki foi incorporado à rede pública brasileira em 2017 pela Portaria nº 849 do Ministério da Saúde e vem se destacando no país.
O Dia Internacional do Reiki, também conhecido como Dia do Reikiano, é comemorado no dia 15/08, data que coincide com a celebração de aniversário do japonês Mikao Usui. Criador do reiki, Usui sistematizou a prática em 1922. A palavra reiki une os termos japoneses “rei”, energia universal, e “ki”, energia vital individual.
Praticar reiki
significa promover a canalização da energia vital do universo por meio das
mãos, de acordo com a terapeuta reikiana e acupunturista Ana Paula Souza, de
São Paulo (SP). “A prática atua sobre os sete chacras e provoca um relaxamento
profundo ao desbloquear os pontos de estagnação energética. A energia só flui
quando o chacra está desbloqueado”, explica a terapeuta.
Experiência
pessoal
Ana Paula Souza não chegou ao reiki por acaso. A terapeuta buscou a técnica pela primeira vez em um momento de instabilidade pessoal, no período seguinte ao próprio divórcio, entre 2015 e 2016. “Eu queria me libertar de algumas dores, principalmente emocionais”, afirma. Os efeitos percebidos foram determinantes para investir em uma nova carreira.
Segundo ela, o equilíbrio energético trouxe mais clareza mental e facilidade de comunicação, o que beneficiou as relações pessoais e profissionais. “Comecei a me relacionar melhor, no âmbito afetivo, profissional e, principalmente, familiar”, conta Ana Paula. A aproximação com terapias manuais também tem raiz familiar: a mãe de Ana Paula trabalhava como massagista e usava pontos dos pés para tratar órgãos do corpo, técnica que se assemelha ao trabalho da reflexologia.
Foi então em 2017, ano em que iniciou a formação completa em reiki, que Souza levou a prática para dentro de um hospital, durante a internação do próprio pai. “Percebi o quanto aquilo me renovava e fazia bem para as pessoas que estavam em tratamento no hospital. Não é só cura para quem está doente, é uma troca energética que beneficia o terapeuta também”, relata.
Depois, o trabalho energético levou Ana Paula a complementar a atividade com uma terapia mais relacionada ao corpo físico. “Eu senti que faltava o cuidado mais intensivo com a matéria, voltado para tratar diretamente o corpo físico”, diz a terapeuta. A busca fez com que Ana Paula investisse na formação em acupuntura e medicina tradicional chinesa, concluída em 2025.
A tendência é que a acupuntura avance cada vez mais no Brasil. Além de ser uma das terapias mais difundidas na rede pública, sendo oferecida no SUS desde 2026, existe uma novidade para o segmento: a acupuntura ganhou regulamentação federal em janeiro de 2026, com a sanção da Lei nº 15.345, que disciplina o exercício profissional da acupuntura no país.
Para Ana Paula
Souza, a formação foi uma necessidade que também surgiu a partir da sua própria
experiência: “Experimentei os benefícios da terapia antes de decidir estudar.
Fiz a formação para poder oferecer isso a outras pessoas”, conta. Atualmente, a
terapeuta atua em São Paulo, atendendo pacientes com sessões de acupuntura, auriculoterapia
e sessões de reiki, combinando as técnicas conforme a demanda de cada paciente.
Reconhecimento
e avanço das práticas
O Ministério da Saúde divulgou que “em 2023, foram registrados 7.177.678 procedimentos relacionados às PICS. Em 2024, esse número passou para 8.790.552 procedimentos, representando aumento de aproximadamente 22,5% em relação ao ano anterior. Já em 2025, foram contabilizados 10.071.944 procedimentos, o que corresponde a um crescimento de cerca de 14,6% em relação a 2024”, segundo dados publicados em relatório do órgão.
Considerando o
crescimento acumulado de atendimentos de PICS entre 2023 e 2025, houve alta de
40,3% na oferta no SUS, evidenciando a expansão progressiva dessas práticas nos
serviços na rede pública. Além do reconhecimento pelo Ministério da Saúde, as
medicinas tradicionais, complementares e integrativas (MTCI) são oficialmente
reconhecidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), levando em consideração a
promoção da saúde integral do ser, em todas as suas dimensões. Apesar do
avanço, as práticas integrativas complementam o tratamento médico convencional,
sem substituí-lo.
Fontes dos dados públicos:
Link (sobre os dados do Ministério da Saúde).
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