Com a chegada das baixas temperaturas, a atenção à saúde deve ir além das doenças respiratórias. Evidências científicas recentes mostram que o frio também aumenta significativamente o risco de problemas cardiovasculares. Dados apresentados pelo Instituto do Coração (InCor) durante o 46º Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP), realizado em 2026, apontam que temperaturas abaixo de 14°C podem estar associadas a um aumento de até 30% nas mortes por doenças cardiovasculares. Além disso, estudos publicados em 2025 demonstram que ondas de frio elevam a incidência de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e descompensação da insuficiência cardíaca, com maior impacto entre idosos e pessoas com hipertensão, diabetes e outras doenças crônicas.
A
explicação está na resposta natural do organismo ao frio. Para preservar a
temperatura corporal, ocorre a vasoconstrição, ou seja, o estreitamento dos
vasos sanguíneos, que aumenta a pressão arterial e faz o coração trabalhar mais
intensamente. Em pessoas com hipertensão, diabetes, colesterol elevado,
obesidade ou histórico de doenças cardiovasculares, esse esforço adicional pode
favorecer eventos graves, como infarto, AVC e outras complicações
circulatórias.
A
partir desse cenário, cardiologista e coordenador de Cardiologia da Rede D’Or
Regional Leste, Guilherme Saba, listou sete medidas que ajudam a proteger a
saúde cardiovascular durante o inverno:
1. Não
interrompa a prática de exercícios físicos
Nos
meses frios, o sedentarismo tende a aumentar, o que contribui para o
agravamento dos fatores de risco cardiovasculares. A recomendação é manter uma
rotina de atividades físicas, preferencialmente nos horários mais quentes do
dia e sempre realizando um aquecimento antes do exercício. Além de melhorar a
circulação, a prática regular ajuda a controlar a pressão arterial, o
colesterol e a glicemia.
2.
Monitore a pressão arterial
Como o
frio provoca a contração dos vasos sanguíneos, a pressão arterial tende a subir
naturalmente. Pessoas hipertensas devem redobrar a atenção, mantendo o
acompanhamento médico, utilizando corretamente os medicamentos prescritos e
realizando medições periódicas.
3.
Evite exageros na alimentação típica da estação
Fondue,
caldos, carnes gordurosas e alimentos ricos em sódio costumam ganhar espaço no
inverno. Embora possam fazer parte da alimentação, o consumo excessivo favorece
o aumento da pressão arterial e do colesterol. O ideal é manter uma dieta
equilibrada, rica em frutas, legumes, verduras, fibras e proteínas magras, além
de não descuidar da hidratação.
4.
Proteja-se do frio
Manter
o corpo aquecido reduz a necessidade de uma resposta intensa de vasoconstrição.
Roupas adequadas, especialmente para proteger cabeça, mãos e pés, ajudam o
organismo a manter a temperatura corporal com menor sobrecarga ao sistema
cardiovascular.
5. Não
ignore sintomas de alerta
Dor ou
pressão no peito, falta de ar, suor frio, palpitações, tontura e dor irradiando
para braço, costas ou mandíbula exigem atendimento médico imediato. Quanto mais
rápido o tratamento é iniciado em casos de infarto ou AVC, maiores são as
chances de recuperação e menores os riscos de sequelas.
6.
Mantenha consultas e exames preventivos em dia
O
inverno é um período estratégico para reforçar o acompanhamento de doenças
crônicas. Pessoas acima dos 50 anos ou que possuam fatores de risco devem
manter consultas regulares para controlar pressão arterial, diabetes e
colesterol.
7.
Cuide também do sono e do estresse
Dormir
bem e controlar o estresse contribuem para o equilíbrio da pressão arterial e
da frequência cardíaca. Associados à prática de exercícios e à alimentação
saudável, esses hábitos reduzem significativamente o risco cardiovascular ao
longo de todo o ano.
Embora
o frio aumente a probabilidade de eventos cardiovasculares, especialistas
reforçam que grande parte desses casos pode ser evitada com prevenção,
acompanhamento médico e controle dos fatores de risco. Manter hábitos saudáveis
durante o inverno é uma das formas mais eficazes de proteger o coração e
reduzir a ocorrência de complicações graves.
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