Conhecida como uma das infecções mais
contagiosas, a doença tem na vacinação a principal forma de prevenção, o que
evita sua disseminação e o agravamento dos casos
Divulgação
Considerado eliminado do Brasil em 2016, o sarampo voltou a exigir
atenção das autoridades de saúde. O país registra um surto ativo concentrado no
estado de São Paulo, cenário que levou o Ministério da Saúde a ampliar a
vacinação nos municípios de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo, que
concentram a maior parte dos casos confirmados em 2026.
Causado por um vírus da família Paramyxoviridae, o sarampo é
transmitido pelo ar, principalmente por meio de tosse, espirro, fala ou contato
próximo com uma pessoa infectada. A doença está entre as infecções mais
contagiosas conhecidas e pode se espalhar rapidamente entre pessoas não
imunizadas.
Embora muitos pacientes apresentem evolução favorável, o sarampo
pode causar complicações como pneumonia e encefalite e, em casos mais graves,
levar à morte. Crianças pequenas, gestantes e pessoas imunossuprimidas estão
entre os grupos que exigem maior atenção.
Para Julio Onita, infectologista e coordenador do Serviço de
Controle de Infecção Hospitalar do Hospital IGESP, o cenário atual reforça a
necessidade de manter a vacinação em dia. “O risco de novos casos está
diretamente relacionado à circulação de pessoas não vacinadas e à introdução do
vírus por viajantes provenientes de regiões com transmissão ativa. Além disso,
pacientes imunossuprimidos, como aqueles em tratamento oncológico,
reumatológico ou neurológico, podem apresentar uma resposta imunológica
reduzida e desenvolver formas mais graves da doença. Por isso, manter a
cobertura vacinal em dia é essencial para interromper a circulação do vírus”,
afirma.
Como identificar os sintomas do sarampo?
Os primeiros sintomas costumam aparecer entre sete e 14 dias após
a exposição ao vírus e podem ser confundidos com os de outras infecções
respiratórias. O quadro geralmente começa com febre acima de 38°C, tosse seca,
coriza, conjuntivite e mal-estar.
Antes do surgimento das manchas na pele, também pode aparecer
pequena lesão esbranquiçada na parte interna da boca, um dos sinais
característicos do sarampo. Entre o terceiro e o quinto dia após o início dos
sintomas, surgem manchas avermelhadas na pele, inicialmente no rosto. Em
seguida, elas podem se espalhar para o pescoço, tronco, braços e pernas.
“A combinação entre febre alta, sintomas respiratórios e manchas
pelo corpo deve servir como sinal de alerta. Diante desse quadro,
principalmente em pessoas não vacinadas ou com esquema vacinal incompleto, é
fundamental procurar atendimento médico rapidamente e informar sobre viagens
recentes ou contato com casos suspeitos ou confirmados”, orienta o
especialista.
Como prevenir o sarampo?
A vacinação é a principal forma de prevenção contra o sarampo. No
Brasil, a imunização está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde
(SUS), por meio da vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e
rubéola, e da tetraviral, que também oferece proteção contra a varicela.
O esquema de imunização prevê duas doses, e o Ministério da Saúde
estabelece como meta alcançar 95% de cobertura vacinal da população-alvo,
índice considerado necessário para reduzir a circulação do vírus e proteger
também pessoas que não podem ser vacinadas.
A recomendação da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo
(SES-SP) é que todos os moradores de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do
Campo, com idade entre seis meses e 59 anos, procurem os postos de saúde a
partir desta segunda-feira (3), independentemente da situação vacinal, para
receber a vacina de reforço contra o sarampo.
Antes de viagens nacionais ou internacionais, especialmente para
regiões com circulação do sarampo, também é importante verificar a situação
vacinal. Em caso de dúvidas ou necessidade de atualização da caderneta, a
orientação é procurar uma unidade de saúde.
Evitar contato próximo com pessoas que apresentam sintomas
compatíveis com a doença também contribui para reduzir o risco de transmissão.
Isso porque o vírus pode ser transmitido cerca de cinco dias antes do início
dos sintomas e permanecer transmissível até quatro dias após o surgimento das
manchas avermelhadas. Em caso de suspeita, a recomendação é buscar atendimento
médico e informar sobre possíveis exposições ao vírus.
“O sarampo não é uma doença do passado. Enquanto houver pessoas
suscetíveis e cobertura vacinal insuficiente, o vírus continuará encontrando
oportunidades para circular. A boa notícia é que existe uma forma segura,
eficaz e amplamente disponível de prevenção: a vacinação”, conclui Julio Onita.
Rede IGESP
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