Especialista explica como a amamentação
fortalece a imunidade do bebê desde os primeiros dias e traz benefícios para
toda a vida
Muito além de ser o alimento ideal para os primeiros meses de vida, o leite materno funciona como uma das primeiras e mais importantes formas de proteção do organismo do bebê. Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do UNICEF, a ampliação das taxas de amamentação poderia evitar mais de 820 mil mortes de crianças menores de cinco anos todos os anos no mundo. Rico em anticorpos, células de defesa e compostos bioativos, ele fortalece um sistema imunológico ainda imaturo, reduzindo a ocorrência de infecções e contribuindo para a prevenção de alergias e outras doenças ao longo da vida.
A importância desse alimento é o foco do Agosto Dourado, campanha dedicada à conscientização sobre os benefícios da amamentação e ao fortalecimento das redes de apoio às famílias. Popularmente conhecido como “ouro líquido”, o leite materno oferece uma proteção que não pode ser reproduzida por outros alimentos. "O leite materno contém componentes imunológicos fundamentais, como anticorpos e fatores anti-inflamatórios que ajudam o organismo do bebê a combater vírus, bactérias e outros agentes infecciosos justamente no período em que seu sistema imunológico ainda está em formação. É uma proteção biológica única", explica professor da Faculdade São Leopoldo Mandic e médico pediatra, Dr. Péricles Motta.
Além da proteção imediata contra doenças e infecções comuns na infância, a amamentação também é associada a benefícios de longo prazo. Estudos mostram que crianças amamentadas apresentam menor risco de desenvolver alergias, obesidade, diabetes e outras doenças crônicas ao longo da vida.
Outro aspecto importante dessa fase é a formação da microbiota intestinal, favorecida pelo leite materno. Desempenha papel essencial no desenvolvimento da imunidade e na redução da ocorrência de doenças alérgicas.
"O leite materno ajuda a construir uma microbiota intestinal
mais saudável, que participa diretamente do desenvolvimento da imunidade. Hoje
sabemos que essa interação entre intestino e sistema imunológico influencia a
saúde da criança por muitos anos", destaca o especialista.
Apoio faz diferença
Apesar dos inúmeros benefícios, o início da amamentação pode ser desafiador para muitas mulheres. Dificuldades na pega correta, dor, insegurança e dúvidas são situações frequentes, especialmente nas primeiras semanas após o parto.
"Amamentar é um processo de aprendizado tanto para a mãe quanto para o bebê. O suporte da equipe de saúde, da família e da rede de apoio faz toda a diferença para que esse momento aconteça de forma mais tranquila e segura", destaca.
A recomendação do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde é que o aleitamento materno seja exclusivo até os seis meses de vida e complementado por outros alimentos saudáveis até os dois anos ou mais.
Além da amamentação, o Agosto Dourado também reforça a importância da doação de leite humano, um gesto capaz de salvar a vida de recém-nascidos prematuros e bebês internados que não podem ser amamentados pelas próprias mães. O leite doado é coletado, processado e distribuído pelos Bancos de Leite Humano, seguindo rigorosos critérios de qualidade e segurança. Para o especialista, toda mulher saudável que esteja amamentando e tenha produção excedente pode contribuir. "Cada frasco doado representa uma oportunidade de recuperação para bebês extremamente vulneráveis. É um ato de solidariedade que faz diferença na redução de complicações e na sobrevivência neonatal", destaca.
Durante esse mês e todo o ano, é importante reforçar que ampliar o
acesso à informação baseada em evidências e fortalecer políticas públicas de
incentivo à amamentação e a doação são medidas essenciais para que mais
crianças tenham acesso aos benefícios do leite materno e para que as mães
possam vivenciar esse período com acolhimento, segurança e respeito às suas
necessidades.
São Leopoldo Mandic
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