Especialistas explicam quais vacinas costumam ser
indicadas, os cuidados necessários e porque a imunização é parte fundamental do
tratamento.
Quem está em
tratamento contra o câncer, incluindo leucemias e linfomas, pessoas com doenças
autoimunes, indivíduos com imunodeficiências primárias, pacientes em tratamento
para doenças inflamatórias intestinais, como doença de Crohn e retocolite
ulcerativa, que utilizam medicamentos imunossupressores, e pessoas
transplantadas costumam ter dúvidas sobre quais vacinas podem receber e em que
momento da imunização. Afinal, quais imunizantes são recomendados para quem é
imunodeprimido?
Essas são dúvidas frequentes entre pacientes imunodeprimidos, pessoas cuja resposta imunológica está reduzida em decorrência de doenças, como HIV e alguns tipos de câncer, ou de tratamentos, como quimioterapia, transplantes e medicamentos imunossupressores.
Segundo Rosana Richtmann, consultora em vacinas da Dasa e infectologista do laboratório Exame, no Distrito Federal, a vacinação é uma das principais estratégias para reduzir o risco de infecções graves, internações e complicações que podem comprometer a continuidade do tratamento.
"Existe a percepção equivocada de que pessoas imunodeprimidas não podem
ser vacinadas. Na realidade, muitas delas precisam ainda mais da proteção
oferecida pelas vacinas. O que muda é que a recomendação deve ser
individualizada, levando em conta a doença de base, o tratamento em curso e o
grau de imunossupressão."
Luísa Chebabo,
infectologista dos laboratórios Sérgio Franco e Bronstein, no Rio de Janeiro,
reforça que a definição do esquema vacinal deve ser feita em conjunto com a
equipe médica, já que a indicação varia conforme a condição clínica, o
tratamento e o momento da imunização.
Nem toda vacina é indicada para todos os pacientes
“As vacinas
inativadas são consideradas seguras para a maioria das pessoas imunodeprimidas
porque não contêm microrganismos vivos capazes de causar infecção. Já as
vacinas vivas atenuadas, produzidas com versões enfraquecidas de vírus ou
bactérias, exigem uma avaliação criteriosa, pois, em casos de imunossupressão
moderada ou grave, podem representar riscos”, completa Luísa.
Por isso, antes de
atualizar o calendário vacinal, é fundamental conversar com o médico para
definir quais imunizantes são recomendados e qual o momento mais adequado para
recebê-los.
Quais vacinas costumam fazer parte dessa estratégia de proteção?
Embora a indicação
seja individualizada, algumas vacinas costumam integrar a estratégia de
proteção de pacientes imunodeprimidos:
· Influenza: reduz
o risco de gripe, complicações respiratórias e hospitalizações.
· Pneumocócicas:
ajudam a prevenir infecções graves, como pneumonia e meningite.
· Hepatite B:
indicada de rotina para toda a população, mas especialmente importante para
pessoas vivendo com HIV, pacientes com doenças crônicas e candidatos a transplantes.
· Herpes-zóster:
diminui o risco de reativação do vírus da catapora e de complicações
associadas.
· Vírus Sincicial
Respiratório (VSR): passou a integrar a estratégia preventiva para grupos mais
vulneráveis, especialmente idosos e pessoas com maior risco de desenvolver
formas graves da infecção, conforme indicação médica.
Mais do que
prevenir infecções
Os benefícios da
vacinação vão além da prevenção de doenças infecciosas. A imunização pode
reduzir hospitalizações, diminuir a necessidade do uso de antibióticos e evitar
interrupções em tratamentos importantes.
"Quando
conseguimos prevenir uma infecção, não estamos apenas evitando uma doença
aguda. Estamos protegendo a continuidade de tratamentos oncológicos,
preservando a condição clínica do paciente e reduzindo o risco de complicações
que podem levar a internações ou comprometer sua qualidade de vida",
afirma Luísa Chebabo.
Outro aspecto
importante é a chamada proteção indireta. Manter familiares e cuidadores com a
vacinação em dia ajuda a reduzir a circulação de agentes infecciosos no
convívio com pacientes mais vulneráveis.
Atendimento
domiciliar pode ser um aliado
Sempre que
possível, a vacinação deve ser atualizada antes do início de tratamentos que
reduzem a resposta imunológica. Quando isso não é viável, o esquema vacinal
deve ser adaptado caso a caso pela equipe médica.
Em algumas
situações, também é importante reduzir a exposição a ambientes com grande
circulação de pessoas. Nesse contexto, quando houver indicação médica, a vacinação
e a realização de exames em domicílio podem representar uma alternativa para
pacientes mais vulneráveis, como pessoas em tratamento oncológico ou com
mobilidade reduzida. Além de evitar deslocamentos desnecessários, o atendimento
domiciliar contribui para a continuidade do cuidado em um ambiente mais
confortável e seguro.
Rosana
Richtmann reforça que o mais importante é não adiar a conversa sobre vacinação.
"Cada condição clínica exige uma avaliação individualizada. Hoje sabemos
que a imunização é parte fundamental do cuidado e da proteção de pessoas com
maior vulnerabilidade a infecções", finaliza.
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