Pesquisa nacional mostra que 98,90% das escolas particulares terão reajuste; custos obrigatórios avançam, enquanto atrasos e inadimplência retiram até 5% da receita esperada pelas instituições.
O dado mais importante
sobre as mensalidades escolares de 2027, não está apenas no percentual de
reajuste. Está na distância crescente entre o dinheiro que as escolas precisam
desembolsar e o valor que efetivamente entra no caixa.
De acordo com a
nova pesquisa nacional da Meira Fernandes, 98,90% das instituições particulares
pretendem reajustar suas mensalidades para 2027, sendo que 80,66% projetam um aumento entre 7% e 11%. Ao mesmo tempo, 46,96% das escolas enfrentam atrasos
superiores a 5% nos pagamentos e 42,22% já estimam carregar inadimplência para
a virada do ano em até mais de 10%.
A combinação
cria o que os especialistas da Meira Fernandes classificam como “efeito tesoura”: de
um lado, crescem a folha salarial, obrigações legais, investimentos
pedagógicos, inclusão, segurança digital e adequações administrativas; do
outro, parte da receita mensal chega atrasada ou simplesmente deixa de entrar.
O resultado é
que as mensalidades de 2027 começam a ser definidas não apenas como um reajuste
anual, mas como uma ação real para, minimamente, recompor um orçamento
submetido a custos simultâneos e permanentes.
A pesquisa foi
realizada pela Meira Fernandes, empresa especializada em gestão e soluções para
instituições de ensino, que assessora cerca de 1.500 escolas particulares. O
levantamento ouviu mantenedores, diretores e gestores financeiros de escolas
localizadas em 08 estados: Ceará, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná,
Roraima, Santa Catarina e São Paulo - responsáveis conjuntamente por
aproximadamente 120.000 matrículas.
O
NÚMERO QUE MUDA A PAUTA
O principal
ponto revelado pelo estudo, realizado pelo quinto ano consecutivo, é que 9 em cada 10 escolas devem elevar e tentar recompor suas
mensalidades em 2027.
Entre as
instituições pesquisadas:
• 11,60% projetam reajuste entre 1% a 7%;
• 36,46% estimam aumento entre 7% a 9%;
• 44,20% estimam aumento entre 9% e 11%;
• 7,18% podem ultrapassar a marca de 12%;
• Apenas 0,5% afirmam que não haverá reajuste.
Mais do que
demonstrar uma tendência de preço, os percentuais revelam o nível de pressão
enfrentado pelas instituições antes mesmo do início do novo ano letivo – pressão
esta, que já é sentida desde o começo de 2026 e que vem se avolumando
significativamente nas secretarias e áreas de atendimento das escolas pelo
Brasil.
“Quando
olhamos apenas para o índice final da anuidade, não vemos todo o caminho
percorrido até que a escola chegue aquele número. O reajuste é a última linha
de uma planilha que começou a ser estudada muitos meses antes, por folha
salarial com reajuste médio de 6,95% em junho, obrigações legais, educação
especial, tecnologia, segurança com o Eca Digital e receitas que não entram no
prazo esperado”, afirma Dra. Mabely Meira Fernandes, Diretora Jurídica da
Meira Fernandes.
AS ESCOLAS GASTAM SOBRE 100% DO ORÇAMENTO, MAS RECEBEM MENOS
A pesquisa
mostra que o problema não está somente no aumento das despesas, está também na
instabilidade dos recebimentos.
Durante o
primeiro semestre de 2026:
• 51,93% das escolas registraram atrasos entre 2% a 5%;
• 15,19% tiveram atrasos entre 0,5% a 2%;
• 17,62% informaram atrasos superiores a 5%;
• No total, 100% das escolas pesquisadas convivem com um
desfalque mensal considerado relevante.
Na prática, a
escola precisa pagar 100%: da folha, dos encargos, dos fornecedores e dos
custos pedagógicos mesmo quando recebe apenas uma parte da receita prevista
para aquele mês.
“O
atraso não reduz a obrigação da escola. O salário precisa ser pago
integralmente, os encargos têm vencimentos, os fornecedores não esperam e o
aluno precisa encontrar toda a estrutura funcionando. A instituição assume
compromissos sobre 100% do orçamento, mesmo quando uma parcela importante das
mensalidades ainda não entrou”, explica Husseine Fernandes, Sócio-Diretor da Meira
Fernandes.
A situação tende
a se intensificar na virada do ano. Segundo a pesquisa, 21,67% das instituições projetam inadimplência acima de 6%
entre 2026 e 2027. Destas, 16,67%
estimam inadimplência entre 5% a 9% e 5% acreditam que o percentual poderá
superar 9,10% ou mais – o que é um número bastante expressivo.
CUSTOS INVISÍVEIS QUE NÃO APARECEM NA COMPARAÇÃO COM A INFLAÇÃO
A pesquisa
também investigou quais fatores muitas vezes invisíveis estão ampliando as
despesas das instituições, fatores estes que nunca são levados em conta quando
a recomposição da mensalidade é comparada diretamente com o índice anual de
inflação e entre os principais impactos apontados pelas escolas estão:
Folha
salarial e convenções coletivas: que teve um aumento direto de 6,95% para professores e
auxiliares da educação básica (pelo menos no estado de SP que possui a maior quantidade
de escolas particulares do Brasil), foi fechada em março e já aplicada em
junho, com um aumento de quase 1% comparado a 2025, que foi de 6,0%.
A
inclusão e atendimento especializado
tem sido foco de investimentos
constantes das escolas para atender demandas, exigências legais, o que se
agravou com o decreto 12.686/2025, sentenças e também o acolhimento e o direito
de crianças/adolescentes a uma educação justa e de qualidade.
No total 90,06%
das escolas registraram crescimento na demanda de alunos que necessitam de acompanhamento
individualizado, formação específica das equipes, adaptação de materiais ou
ampliação de profissionais.
Segurança
e cidadania digital: 6,08% tiveram que investir em revisão de documentos,
treinamento, ferramentas, comunicação com as famílias, prevenção ao
cyberbullying, proteção de dados e procedimentos relacionados ao ambiente
digital e o ECA Digital que passou também a fazer parte do dia a dia das
escolas no primeiro semestre. A responsabilidade já existe e a possibilidade de
sanções são reais, o cumprimento não é optativo.
Contratação
de profissionais especializados: 16,57% indicaram novos gastos ou necessidade de
planejamento para poder contar com profissionais mais especializados em seus
quadros e prover o serviço de educação adequado.
Custo
Turnover x Mão de obra: 28,18% afirma estar encontrando sérias dificuldade em
contratar mão de obra e sofrendo com os custos legais da rotatividade,
treinamento, tempo de adaptação e outros.
Somados, esses
custos invisíveis que não são aferidos na ponta na hora de se analisar o índice
de recomposição, transformam despesas que antes eram somente pontuais em custos
estruturais, incorporados definitivamente à operação da escola.
INCLUSÃO EXIGE ESTRUTURA, NÃO APENAS MATRÍCULA
Um dos pontos
mais sensíveis do levantamento está relacionado ao crescimento das demandas da
educação especial.
Segundo as
escolas pesquisadas, 33,15% registraram aumento de 5% a mais de 10%
no número de alunos que demandam
acompanhamento ou adaptações específicas. Em 90,06% das instituições, esse crescimento já impacta diretamente
a folha salarial ou o custo operacional.
Entre as medidas
adotadas estão a contratação ou disponibilização de profissionais, capacitação
de professores, adaptações pedagógicas, revisão de processos, materiais
individualizados e acompanhamento especializado.
“Inclusão
não pode ser tratada como uma palavra abstrata ou apenas como o ato de aceitar
uma matrícula. Para que seja efetiva, exige pessoas, formação, planejamento,
estrutura e acompanhamento. Tudo isso tem impacto financeiro, embora muitas
vezes esse custo não seja percebido pelas famílias ou pela sociedade, ele é
real e precisa ser olhado com a mesma atenção que o atendimento”, destaca Dra.
Mabely.
EDUCAÇÃO ESPECIAL: MENSALIDADE NÃO COBRE INTEGRALMENTE OS CUSTOS DE 86% DAS ESCOLAS
A educação
especial também é uma pressão financeira que a mensalidade atual não consegue
absorver integralmente na grande maioria das instituições pesquisadas.
Entre as todas
as escolas pesquisadas, 86,19% afirmam
que o valor das mensalidades não cobre integralmente os recursos necessários
para a educação especial. Desse total, 46,96%
dizem que a mensalidade efetivamente não cobre esses custos, enquanto 39,23% avaliam que ela cobre apenas parcialmente despesas como equipe especializada, treinamentos e demais
recursos envolvidos no atendimento aos alunos.
Apenas 7,18% das instituições afirmam que as mensalidades cobrem
totalmente os custos da educação especial. Outras 6,63% nunca realizaram esse cálculo, o que indica que parte das escolas ainda não conhece com
precisão o impacto financeiro dessas demandas em sua operação.
Os números
revelam um desafio que vai além da matrícula: garantir uma educação efetiva
exige profissionais, capacitação, planejamento e recursos permanentes. Quando
esses custos não estão plenamente contemplados na mensalidade, a escola precisa
absorver a diferença, realocar verbas de outras áreas ou incorporar essa
pressão ao planejamento financeiro do próximo ano.
“O
dado mostra que a educação especial não pode ser analisada apenas sob o ponto
de vista da matrícula. Em mais de oito a cada dez instituições, a mensalidade
não cobre integralmente os recursos necessários para oferecer esse atendimento.
Existe uma diferença entre acolher o aluno e possuir estrutura financeira para
garantir, de forma contínua, todos os profissionais, treinamentos e adaptações
envolvidos”, afirma Husseine Fernandes, Sócio-Diretor da Meira
Fernandes.
A REMATRÍCULA VIRA DISPUTA PELO EQUILÍBRIO FINANCEIRO
A pressão não
acaba por aí - ela também aparece nas metas de retenção de alunos e na disputa
cada vez mais acirrada por alunos, e um dado impactante é que atualmente a
quantidade de nascimentos diminui drasticamente – estamos em patamares da
década de 70 - enquanto novas escolas continuam a abrir portas e
disponibilizar carteiras para serem ocupadas. Consequentemente a captação e
rematrícula tem sido citada, informalmente, pelas donas de escolas como um dos
principais gargalos de gestão.
Como
consequência o estudo apontou que até novembro de 2026:
• 71,82% das escolas pretendem alcançar entre 70% e 95% de
rematrículas;
• 16,57% projetam chegar entre 40% e 70%;
• Apenas 2,76% acreditam que terão alcançado 100% do quadro
para 2027 e;
• 8,84% poderão chegar ao fim do período com menos de 40%
de rematrículas.
O calendário das
campanhas também vem sendo antecipado. A necessidade de previsibilidade
financeira faz com que algumas instituições já iniciem a rematrícula no primeiro
semestre ou já nas primeiras semanas de agosto na volta às aulas, mesmo antes
das famílias começarem tradicionalmente a planejar o ano seguinte e
visualizarem o esperado 13º salário.
“Rematrícula
deixou de ser apenas uma campanha comercial. Tornou-se uma ferramenta de
sobrevivência financeira. Quanto mais tarde a escola conhece sua base de alunos
para o próximo ano, menor é sua capacidade de planejar equipes, turmas,
investimentos e compromissos”, completa Husseine Fernandes.
REAJUSTE NÃO SIGNIFICA SOBRA NO CAIXA
Para o time de
especialistas responsáveis pelo estudo, um dos maiores erros na análise das
mensalidades escolares é presumir que o reajuste se transforma automaticamente
em aumento de margem ou lucro.
Parte relevante
do índice é consumida antes mesmo do início do ano letivo pela recomposição
salarial, encargos, benefícios, custos regulatórios, investimentos pedagógicos,
perdas provocadas pela inadimplência e custos invisíveis ou impostos por novas
regulamentações do governo.
“A comparação
direta entre mensalidade e inflação é incompleta porque a inflação geral não
reproduz a estrutura total de custos de uma escola. Educação é uma atividade
intensa de pessoas, submetida a convenções coletivas, obrigações legais e
exigências pedagógicas próprias. O termo mais correto, em grande parte dos casos,
é recomposição como trazemos acima para análise e conversas”, afirma Dra. Mabely.
A especialista
reforça que o debate não deve ignorar o impacto para as famílias, mas precisa
considerar também a sustentabilidade da instituição:
“Famílias
e escolas estão sempre do mesmo lado. Ambas querem continuidade, segurança,
qualidade e desenvolvimento para os alunos. Esse é o DNA e a paixão das Donas
de Escolas - a transparência sobre os custos é o caminho para que o reajuste
não seja percebido como uma decisão isolada, mas como parte da manutenção do
projeto educacional que impacta nosso futuro enquanto nação”, conclui.
SOBRE A PESQUISA:
Este é o 5º ano
consecutivo em que a Meira Fernandes realiza sua pesquisa sobre mensalidades,
matrículas, rematrículas, atrasos e inadimplência no segmento educacional.
O levantamento
foi realizado entre 11 de junho e 03 de
agosto de 2026, de forma PRESENCIAL/DIGITAL, com escolas de diversos estados brasileiros. As instituições
participantes são responsáveis por aproximadamente 120.000 alunos matriculados.
O questionário foi direcionado principalmente a mantenedoras, diretoras e profissionais responsáveis pelas áreas administrativa e financeira das escolas particulares.



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