Especialista em comportamento animal explica como preparar o pet para viajar e alerta para erros que podem comprometer o bem-estar do animal durante as férias
Os animais de estimação estão cada vez
mais presentes na rotina das famílias brasileiras, inclusive nos momentos de
lazer. Dados do Ministério do Turismo mostram que as buscas por hotéis pet friendly cresceram
238%, enquanto as pesquisas sobre transporte de cães em aviões aumentaram 170%.
Além disso, um levantamento da Hoteis.com revelou que 82% dos brasileiros
pretendem viajar com seus pets.
O
cenário reflete uma mudança de comportamento dos tutores, que passaram a
incluir os animais em programas antes reservados apenas à família. No entanto,
segundo Dan Batista, especialista em comportamento animal e sócio-fundadora
da Comportpet, uma viagem bem-sucedida depende mais do que escolher um
destino que aceita cães.
"Muitas
pessoas organizam toda a logística da viagem, mas esquecem de avaliar como o
animal vai lidar com aquela experiência. Para o cão, uma viagem representa uma
sequência de mudanças: novos ambientes, cheiros desconhecidos, deslocamentos
longos e alterações na rotina. Quando não há preparo, aquilo que deveria ser um
momento agradável pode gerar medo, ansiedade e desconforto", explica. Com
a movimentação das férias de julho, a especialista reuniu orientações para quem
pretende viajar acompanhado do pet.
1. Nem todo cão gosta de viajar e tudo bem
Antes
de incluir o animal no roteiro, é importante analisar seu perfil comportamental
e suas condições físicas. Existe uma ideia de que o pet sempre ficará feliz por
estar junto da família, mas isso nem sempre acontece.
“Alguns cães se adaptam muito bem a novos ambientes, enquanto outros apresentam
insegurança diante de mudanças. Filhotes muito novos, cães idosos, animais
reativos ou que sofrem com enjoos frequentes merecem uma atenção especial. Em
alguns casos, permanecer em um ambiente familiar ou em um hotel especializado
pode ser uma escolha mais confortável para o próprio animal. A decisão deve
levar em conta o bem-estar do cão e não apenas a vontade dos tutores de
levá-lo", comenta.
2. A preparação começa muito antes de arrumar as malas
Um dos
erros mais comuns é acreditar que o pet se adaptará naturalmente à viagem no
dia da partida.
"O
ideal é apresentar gradualmente os elementos que farão parte da experiência. Se
o animal nunca entra em uma caixa de transporte ou raramente anda de carro, por
exemplo, ele pode interpretar aquela situação como algo ameaçador. Pequenas
exposições positivas ajudam a construir familiaridade e confiança",
explica.
A
especialista também recomenda manter próximos objetos que façam parte da rotina
do animal. "Brinquedos, mantas, caminhas e itens que carregam o cheiro da
casa funcionam como referências de segurança. São elementos que ajudam o cão a
entender que, mesmo em um lugar diferente, parte da sua rotina continua
presente", afirma.
3. O tutor é a principal referência emocional do pet durante
a viagem
Mudanças
de ambiente costumam gerar um volume muito grande de estímulos para os cães
Para Dan, a manutenção de hábitos conhecidos também contribui para uma
adaptação mais tranquila. "Quando o animal se vê cercado por sons, pessoas
e cheiros desconhecidos, ele procura referências que transmitam segurança. E a
principal delas é o tutor. Por isso, manter uma postura tranquila e previsível
faz toda a diferença para que o cão se sinta confiante. Sempre que possível,
vale preservar horários de alimentação, passeios e descanso. A previsibilidade
ajuda o animal a entender que, apesar das novidades, ele continua em um
ambiente seguro", comenta Cleber.
4. Segurança no transporte não é apenas uma questão de
regra, mas de proteção
Viajar
com o cão solto dentro do carro ainda é uma prática comum, mas apresenta riscos
importantes. A especialista recomenda o uso de equipamentos apropriados, como
caixas de transporte, cadeirinhas e cintos de segurança desenvolvidos
especificamente para pets.
"Em
uma frenagem brusca, o animal pode sofrer lesões graves ou até provocar
acidentes. O transporte adequado reduz esses riscos e oferece mais estabilidade
física e emocional durante o trajeto. Outro ponto importante é criar experiências
positivas relacionadas ao deslocamento. Quando o carro é associado apenas a
situações desagradáveis, como consultas veterinárias, é natural que o animal
demonstre resistência ou ansiedade", recomenda.
5. O comportamento sempre dá sinais quando algo não está bem
Nem
sempre o estresse se manifesta de forma evidente. Ao identificar esses
comportamentos, o ideal é diminuir os estímulos e permitir que o animal
recupere o equilíbrio.
"Muitas
vezes os tutores esperam sinais extremos para perceber que o animal está
desconfortável, mas os cães costumam se comunicar muito antes disso. Bocejos
repetitivos, respiração acelerada, inquietação, lambedura excessiva do focinho,
postura encolhida ou busca constante por proteção são alguns sinais que merecem
atenção. O comportamento é a principal forma de comunicação dos cães. Quando
aprendemos a observar esses sinais, conseguimos agir antes que o desconforto
evolua para uma situação mais intensa", explica a especialista.
6. A adaptação continua mesmo após a chegada ao destino
"Muitos
tutores querem apresentar imediatamente todos os espaços e atividades ao pet,
mas é importante respeitar o tempo de adaptação. Primeiro ele precisa observar,
explorar e entender aquele ambiente. Chegar ao local da viagem não significa que
o cão já esteja confortável com o novo ambiente", analisa.
Criar
um espaço de referência ajuda nesse processo.
Para
Dan, o segredo de uma viagem tranquila está no equilíbrio entre diversão e
respeito às necessidades emocionais do animal. No fim das contas, viajar com um
animal não significa apenas levá-lo junto, mas garantir que ele esteja
emocionalmente preparado para viver aquela experiência.
"Quando
o tutor entende que a experiência precisa ser confortável também para o pet,
tudo muda. O cão se sente mais seguro, aproveita melhor os momentos ao lado da
família e cria associações positivas com a viagem. Ter um local definido para a
caminha, os brinquedos, a água e a alimentação facilita a adaptação. O cão
passa a reconhecer aquele espaço como um ponto seguro dentro de um cenário
desconhecido", conclui Dan Batista.
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