Especialista
explica como adaptar a escova de dentes, o fio dental e os cuidados com a
higiene bucal em cada fase da vida para prevenir gengivite, retração gengival,
cárie e boca Seca
Imagem de divulgação GUM
A maioria das pessoas
escolhe a escova de dentes da mesma forma há anos, sem considerar que a saúde
bucal muda ao longo da vida. Embora esse hábito pareça inofensivo, utilizar a
mesma escova e manter a mesma rotina de higiene bucal da infância pode aumentar
o risco de problemas como gengivite, retração gengival, sensibilidade dentária,
cárie e boca seca.
De acordo com a Pesquisa
Nacional de Saúde (PNS/IBGE), cerca de 46% dos adultos brasileiros não utilizam
escova, pasta e fio dental de forma combinada, evidenciando um déficit
histórico no hábito de higiene preventiva no país. “A necessidade de adaptar as
ferramentas de higiene bucal não é uma questão estética, mas de biologia
aplicada. escolha da escova de dentes, do fio dental e dos demais produtos de
higiene bucal precisa evoluir conforme a idade e as necessidades de cada
pessoa”, explica a Dra. Brunna Bastos, mestre e cirurgiã-dentista pela
Faculdade de Odontologia da USP e especialista da GUM.
Infância e juventude: a
barreira contra o açúcar e as alterações hormonais
Na infância, o desafio
central é a prevenção de cárie no esmalte em maturação. Já na adolescência, a
tempestade hormonal da puberdade altera a vascularização da gengiva. Segundo
dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a gengivite atinge mais de 75% dos
adolescentes, estimulada pela combinação de flutuações hormonais e higiene
inadequada.
Vida adulta: o custo do
estresse, do bruxismo e da força excessiva
Na fase adulta, o estresse
do cotidiano torna-se o principal vilão para a saúde bucal. O hábito
involuntário de ranger ou apertar os dentes (bruxismo) gera microtraumas e
retração gengival. “Se o adulto continuar usando uma escova de cerdas médias ou
duras, achando que "força é sinal de limpeza", ele acelera o desgaste
do esmalte e expõe a dentina”, explica a especialista.
Dados do Ministério da Saúde
mostram que mais de 50% dos adultos brasileiros entre 35 e 44 anos possuem
algum grau de sangramento ou inflamação gengival, problema frequentemente
agravado pelo uso incorreto do fio dental ou por escovas inadequadas.
Terceira idade: a epidemia
da boca seca e o risco de cárie de raiz
Com o envelhecimento, o
principal gargalo é a xerostomia (sensação de boca seca). Uma revisão
sistemática publicada no Journal of the American Dental Association (JADA)
aponta que 1 em cada 4 idosos sofre de xerostomia, condição agravada pelo uso
contínuo de medicamentos para hipertensão, diabetes ou depressão. A saliva é o
protetor natural da boca, responsável por neutralizar ácidos e remineralizar os
dentes. Sem ela, idosos desenvolvem uma proliferação acelerada de bactérias,
levando a cárie mais agressiva e inflamações graves ao redor de implantes e
próteses. Nessa etapa, as escovas tradicionais perdem totalmente a eficiência.
Guia prático: a ferramenta certa
para cada fase da vida
Segundo a Dra. Brunna
Bastos, adaptar os produtos de higiene bucal às diferentes fases da vida é uma
das formas mais eficazes de prevenir doenças bucais e manter a saúde dos dentes
e gengiva. "Não existe uma única escova de dentes ideal para todas as
pessoas. O tamanho da cabeça, a maciez das cerdas e os recursos de limpeza
interdental devem acompanhar as mudanças naturais do organismo. Cuidar da saúde
bucal significa entender que cada fase da vida exige necessidades
diferentes."

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