Com filas ainda elevadas, mercado americano aquecido em áreas estratégicas e possível aumento da demanda em 2027, especialistas defendem que o planejamento antecipado reduz riscos e amplia as opções de imigração legal
Quem pretende iniciar um processo de imigração para
os Estados Unidos ainda em 2026 enfrenta uma decisão que pode influenciar
diretamente o tempo de espera, o custo e até as possibilidades de aprovação.
Diante do aumento da procura por vistos permanentes nos últimos anos, advogados
especializados em imigração recomendam que candidatos iniciem o planejamento
ainda no segundo semestre deste ano, em vez de adiar o projeto para 2027.
Os Estados Unidos continuam registrando demanda
elevada por profissionais qualificados, investidores e empreendedores
estrangeiros, enquanto categorias de imigração baseadas em mérito profissional
permanecem entre as principais portas de entrada para brasileiros.
Segundo dados do Departamento de Estado americano,
o Brasil segue entre os países que mais solicitam vistos para os Estados
Unidos. Ao mesmo tempo, informações do USCIS (Serviço de Cidadania e Imigração
dos Estados Unidos) mostram que diversas categorias de imigração baseada em
emprego continuam recebendo um volume elevado de pedidos, pressionando prazos
de análise.
Para Daniel Toledo, advogado especializado em Direito Internacional, fundador da Toledo e
sócio da LeeToledo PLLC, o segundo semestre costuma representar um momento
estratégico para quem pretende estruturar um projeto migratório consistente.
"Quem inicia o planejamento agora não está apenas entrando em uma fila.
Está aproveitando um período para organizar documentação, fortalecer o
histórico profissional, reunir provas e apresentar um processo muito mais
sólido. Deixar para 2027 significa disputar espaço em um cenário que tende a
receber ainda mais candidatos", afirma.
Segundo o especialista, um dos erros mais comuns é
acreditar que basta decidir emigrar poucos meses antes da mudança."Os
processos migratórios são cada vez mais técnicos. Em muitos casos, a aprovação
depende de um trabalho de preparação que leva meses. Publicações científicas,
cartas de recomendação, estrutura empresarial, documentação financeira e
histórico profissional precisam ser organizados antes mesmo do protocolo do
pedido".
Embora não exista qualquer anúncio oficial de
mudanças nas cotas de Green Cards ou na legislação migratória, Toledo lembra
que o volume crescente de aplicações pode aumentar naturalmente o tempo de
processamento, principalmente nas categorias mais procuradas.
Ainda vale a pena iniciar um
processo em 2026?
Na avaliação do advogado, sim.
Isso porque diversos processos podem ser
protocolados ainda este ano, permitindo que parte da análise ocorra antes que
uma nova onda de solicitações pressione ainda mais o sistema. "O maior
benefício de começar agora é ganhar tempo dentro do próprio sistema americano.
Não existe garantia de que os prazos aumentarão em 2027, mas historicamente
observamos que quanto maior o número de aplicações, maior tende a ser o tempo
de processamento".
Outro fator é que muitos candidatos precisam de
vários meses apenas para reunir a documentação necessária.
No caso de vistos baseados em qualificação
profissional, por exemplo, é comum que o candidato precise providenciar
traduções juramentadas, diplomas, histórico acadêmico, comprovação de
experiência profissional, publicações, premiações, cartas de especialistas e
outros documentos técnicos. "O protocolo é apenas uma etapa. A maior parte
do trabalho acontece antes", aponta Toledo.
Esperar 2027 pode significar
começar do zero
Adiar o projeto migratório também pode representar
perda de oportunidades. Segundo o especialista, muitos profissionais deixam
para iniciar o processo apenas quando recebem uma proposta de trabalho ou
decidem efetivamente mudar de país. O problema é que a preparação dificilmente
acompanha essa urgência.
"Recebemos muitos clientes que precisam mudar
rapidamente, mas ainda não possuem documentação organizada. Em imigração,
planejamento costuma valer mais do que velocidade."
Quais categorias devem
continuar em destaque?
Na avaliação do especialista, a tendência é de
manutenção das categorias ligadas à geração de valor para a economia americana.
Entre elas estão:
- EB-1, destinado a profissionais
com trajetória de destaque internacional;
- EB-2
NIW,
voltado a profissionais altamente qualificados cuja atuação seja
considerada de interesse nacional para os Estados Unidos;
- EB-3, utilizado por empresas
americanas para contratação de mão de obra qualificada;
- L-1, para empresários que
expandem operações para os Estados Unidos;
- EB-5, direcionado a investidores
que realizam aportes capazes de gerar empregos no país.
Segundo Toledo, essas categorias atendem
necessidades estruturais da economia americana e não dependem apenas de mudanças
políticas. "Os Estados Unidos continuam precisando atrair investimento,
inovação e profissionais especializados. Independentemente das discussões
políticas sobre imigração, essas demandas econômicas permanecem”, destaca.
As profissões que devem continuar
em alta
A necessidade de mão de obra qualificada continua
sendo um dos principais motores da imigração baseada no emprego.
Áreas como tecnologia, inteligência artificial,
engenharia, saúde, enfermagem, construção civil, energia, logística, manufatura
avançada e agronegócio seguem registrando demanda elevada em diferentes estados
americanos.
O Bureau of Labor Statistics projeta crescimento
consistente do emprego em ocupações ligadas à saúde, tecnologia da informação e
engenharia ao longo da década, enquanto setores como construção civil continuam
enfrentando déficit de trabalhadores especializados.
Para Toledo, empresários também permanecem entre os
perfis mais procurados. "O empreendedor brasileiro deixou de olhar os
Estados Unidos apenas como destino de imigração. Hoje muitos enxergam o país
como uma plataforma de expansão internacional. Isso faz crescer a procura por
vistos ligados a investimentos e abertura de empresas."
Como terminar 2026 com o
processo encaminhado
Segundo o advogado, o segundo semestre deve ser
utilizado menos para preencher formulários e mais para construir um projeto
migratório consistente.
Entre as prioridades estão:
- definir
a categoria de visto mais adequada ao perfil;
- reunir
documentação profissional e financeira;
- organizar
comprovações de experiência e qualificação;
- estruturar
um planejamento patrimonial compatível com a mudança;
- iniciar
o protocolo ainda em 2026, sempre que o caso estiver maduro.
"Quem trata imigração como um projeto estratégico normalmente chega mais preparado aos Estados Unidos. O objetivo não deve ser apenas conseguir um visto, mas construir uma mudança sustentável para a família e para a carreira", conclui.
Daniel Toledo - advogado da Toledo e Advogados Associados especializado em Direito Internacional, consultor de negócios internacionais, palestrante e sócio da LeeToledo PLLC. Toledo também possui um canal no YouTube com mais de 1 milhão de seguidores com dicas para quem deseja morar, trabalhar ou empreender internacionalmente. Ele também é membro efetivo da Comissão de Relações Internacionais da OAB Santos, professor honorário da Universidade Oxford - Reino Unido, consultor em protocolos diplomáticos do Instituto Americano de Diplomacia e Direitos Humanos USIDHR.
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