O combate
às fraudes financeiras sempre foi uma corrida desigual. Enquanto bancos,
fintechs, varejistas e empresas de serviços investem continuamente em novas
camadas de proteção, os criminosos evoluem na mesma velocidade, explorando
vulnerabilidades tecnológicas e, principalmente, o comportamento humano. O
resultado é um cenário em que autenticar um usuário se tornou tão importante
quanto oferecer uma boa experiência.
Os números
ajudam a dimensionar esse desafio. Dados divulgados pelo Observatório
Febraban, em 2025, mostram que 39% dos brasileiros afirmam já
terem sido vítimas de algum golpe ou sofrido
alguma tentativa nesse sentido, envolvendo suas contas
bancárias, o maior percentual da série histórica. Entre as modalidades mais
recorrentes, estão aqueles realizados pelo WhatsApp, falsas
centrais de atendimento, clonagem de cartões e fraudes envolvendo Pix.
Ao mesmo
tempo, o relatório Data Breach Investigations Report 2025, da
Verizon, que analisou mais de 22 mil incidentes de
segurança, mostrou que ataques relacionados à exploração de
vulnerabilidades aumentaram 34% em todo o mundo, quantidade que vem
crescendo a cada ano. O cenário evidencia que a proteção digital deixou de
ser apenas uma preocupação da área de tecnologia, e passou a ser um fator
estratégico para qualquer organização. E, nesse contexto, o Open Gateway
surge como uma mudança importante na forma de proteger as operações
digitais.
Ele propõe
que, ao invés de as empresas dependerem, exclusivamente, dos dados informados
pelo usuário ou de mecanismos tradicionais de autenticação, elas passem a
consultar as informações diretamente na origem da fonte,
na infraestrutura da rede móvel, o que permite validar, em tempo real,
sinais que, antes, eram inacessíveis para aplicações de mercado. É
justamente essa mudança que fortalece o combate às fraudes.
Um dos
exemplos mais relevantes nesse sentido é o SIM Swap, golpe em que
criminosos conseguem transferir o número da vítima para outro chip e passam a
receber códigos de autenticação enviados por SMS. Com a API de SIM Swap, uma
instituição financeira consegue verificar se aquela linha sofreu uma
troca recente de chip antes de aprovar uma transação ou permitir o acesso
à conta. Desse modo, se houver um comportamento suspeito, a empresa pode
exigir uma autenticação adicional ou até bloquear temporariamente a operação.
Outro
recurso importante é o Number Verification,
que permite confirmar se o dispositivo conectado realmente está utilizando o
número informado, sem depender do envio de códigos por SMS. Além de tornar a
autenticação mais transparente para o usuário, esse modelo reduz
vulnerabilidades associadas à interceptação de mensagens e elimina parte da
fricção existente nas jornadas digitais.
Por muito
tempo, aumentar a proteção das operações corporativas significava
adicionar novas etapas ao processo: mais senhas,
códigos e confirmações. Contudo, seu efeito colateral era
conhecido: quanto maior a segurança, maior o abandono da jornada. Agora,
o Open Gateway propõe um caminho diferente: ao invés de pedir mais
ações ao usuário, utiliza informações da própria rede para tornar a validação
mais inteligente e praticamente invisível.
Os
benefícios vão além do setor financeiro. Empresas de varejo, marketplaces,
seguradoras, telecomunicações e qualquer organização que dependa de identidade
digital, podem utilizar essas capacidades para reduzir fraudes em
cadastro, proteger processos de recuperação de conta e aumentar a confiabilidade
de transações de alto valor.
O Brasil,
inclusive, ocupa uma posição de destaque nessa transformação. As três maiores
operadoras do país foram pioneiras na implementação comercial das APIs do
GSMA Open Gateway voltadas à prevenção de fraudes, como SIM
Swap, Number Verification e Device Location. Ao mesmo
tempo, certas instituições bancárias já utilizam essas capacidades para
fortalecer processos de autenticação e reduzir riscos em operações financeiras.
Naturalmente,
nenhuma tecnologia elimina completamente as fraudes. Os ataques continuarão
evoluindo, impulsionados por engenharia social, inteligência artificial e novas
técnicas de invasão. A diferença é que o Open Gateway acrescenta uma camada de
confiança baseada na própria rede de telecomunicações, oferecendo sinais
adicionais para que empresas tomem decisões mais precisas antes de aprovar uma
operação.
Essa, talvez, seja
sua maior contribuição: deixar de tratar a segurança como uma barreira imposta
ao cliente, e transformá-la em um processo inteligente, contextual e
praticamente imperceptível.
Nos
próximos anos, a competitividade das empresas não será medida apenas pela
velocidade com que conseguem aprovar uma operação, mas pela capacidade de fazer
isso com segurança e sem aumentar a complexidade para o usuário. Nesse cenário,
o Open Gateway deixa de ser apenas uma inovação tecnológica, para se
tornar um novo padrão de confiança para a economia digital.
Pontaltech
Nenhum comentário:
Postar um comentário