Volume de dívidas chegou a R$ 212,8 bilhões, com cerca de 7 contas inadimplidas por empresa
A inadimplência entre as empresas voltou a crescer em março de 2026 e atingiu 8,9 milhões de CNPJs, segundo o Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian, primeira e maior datatech do Brasil. O resultado representa avanço em relação a fevereiro e mantém o indicador próximo ao maior nível da série histórica, registrado em dezembro de 2025.
No período, o total de dívidas negativadas chegou a 62 milhões, somando R$ 212,8 bilhões. Em média, cada empresa inadimplente possuía cerca de 7 contas negativadas, com dívida média de R$ 23.992,97 por CNPJ e ticket médio de R$ 3.431,12. Confira o detalhamento completo no gráfico e na tabela abaixo:
A economista-chefe
da datatech, Camila Abdelmalack, explica que o comportamento da inadimplência
reflete um conjunto de pressões que ainda não foram dissipadas: “O contingente
de empresas com restrições de crédito segue elevado, refletindo a persistência
de um ambiente financeiro ainda significativamente apertado. Apesar do início
do ciclo de flexibilização monetária, as expectativas correntes para a taxa
terminal indicam um ajuste insuficiente para promover uma reversão mais
consistente das condições de crédito. O patamar ainda restritivo dos juros ao
final do ciclo, aliado a spreads elevados e critérios de concessão mais
cautelosos, limita a recomposição da capacidade financeira das empresas e
dificulta a normalização da inadimplência no curto prazo”, explica.
“Como se trata
de um indicador de estoque, a inadimplência incorpora um acúmulo de pressões
financeiras ao longo do tempo, o que torna sua reversão mais lenta. Em
paralelo, o processo de desaceleração da atividade econômica tende a impactar o
faturamento das empresas e dificultar a recomposição de caixa. Nesse contexto,
ainda não há sinais consistentes de inflexão na trajetória da inadimplência”,
complementa a economista.
Setores
inadimplentes e perfil das dívidas
O setor de “Serviços” concentrou 55,5% das empresas negativadas em março. Na sequência aparecem “Comércio” (32,4%), “Indústria” (8,1%) e o setor “Primário” (0,9%). Confira o detalhamento na tabela abaixo.
A decomposição
da inadimplência por origem das dívidas evidencia uma predominância estrutural
do setor não financeiro, responsável por cerca de três quartos do total das
pendências. Esse grupo engloba, principalmente, dívidas com serviços,
utilities, telefonia, varejo, securitizadoras, cooperativas e outros
fornecedores ao longo da cadeia produtiva, refletindo o uso intensivo do
chamado crédito comercial como instrumento de financiamento do capital de giro.
Já o setor financeiro, que inclui obrigações junto a bancos, cartões de crédito
e financeiras, responde por uma parcela menor, mas relevante, e permanece
condicionado por um ambiente de crédito restritivo, marcado por custo elevado,
spreads altos e critérios de concessão mais conservadores. Essa combinação
limita a capacidade das empresas de reestruturar passivos e alongar prazos,
contribuindo para a persistência de um estoque elevado de inadimplência.
“Uma parte importante das dívidas inadimplidas está relacionada a negociações com fornecedores e prestadores de serviços, que são amplamente utilizadas pelas empresas como forma de financiar a operação e equilibrar o fluxo de caixa. Em um ambiente de juros elevados e maior seletividade no crédito bancário, esse tipo de endividamento ganha ainda mais espaço, mas se torna mais difícil de administrar quando há acúmulo de pendências. Esse cenário acaba prolongando o processo de regularização financeira das empresas”, explica Camila.
Perfil das dívidas inadimplidas
Visão nacional
Regionalmente, o Sudeste concentrou o maior volume de empresas inadimplentes, com destaque para São Paulo (3.049.372), seguido por Minas Gerais (873.579) e Rio de Janeiro (860.493). Na sequência aparecem estados como Paraná (582.437) e Rio Grande do Sul (510.021). A concentração acompanha o peso econômico e a maior densidade empresarial dessas regiões.
Micro e pequenas empresas
As micro e
pequenas empresas seguiram como maioria expressiva da inadimplência no país,
com 8,4 milhões de CNPJs negativados em março. O grupo concentrou 56,3 milhões
de dívidas e R$ 185,3 bilhões em débitos. Em média, cada micro e pequena
empresa acumulou 6,7 contas negativadas, com dívida média de R$ 21.948,02 e
ticket médio de R$ 3.293,51.
“As micro e
pequenas empresas são mais sensíveis a um ambiente de crédito restritivo, pois
dependem majoritariamente de linhas de curto prazo e têm menor poder de
negociação. Com os juros ainda em patamar elevado e a concessão de crédito mais
seletiva, essas empresas enfrentam maior dificuldade para recompor o capital de
giro. Esse quadro é agravado por desafios estruturais de gestão financeira,
como menor capacidade de planejamento, controle de fluxo de caixa e alongamento
de passivos, o que contribui para a persistência da inadimplência”, analisa
Camila Abdelmalack.
Para conferir
mais informações e a série histórica do indicador, clique aqui.
Metodologia
O Indicador Serasa Experian de Inadimplência das Empresas mensura o número de empresas brasileiras que se encontram em situação de inadimplência. Uma empresa é considerada inadimplente quando possui ao menos um compromisso financeiro vencido e cujo não pagamento foi formalmente comunicado pelo credor. Essa apuração é realizada com base nas notificações registradas até o último dia do mês de referência.
experianplc.com





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