Guerra no
Irã afeta o resultado; acumulado dos últimos 12 meses alcançou 4,92%
Impactado pelo
avanço nos preços dos combustíveis e dos alimentos influenciados pela Guerra no
Irã, que acelerou a cotação do petróleo, o custo de vida na Região
Metropolitana de São Paulo (RMSP) subiu 0,72% em março. O índice Custo de Vida por
Classe Social (CVCS), mensurado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços
e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), acumula alta de 4,92% nos
últimos 12 meses, enquanto nos três primeiros meses do ano há uma expansão de
2,09%. Em comparação com o mesmo período do ano passado, a alta é de 1,88%
[gráfico 1].
[GRÁFICO
1]
Custo de
vida por classe social — série histórica
Fonte:
IBGE/FecomercioSP.
De acordo com a FecomercioSP, o cenário se
intensificou em razão das pressões inflacionárias associadas ao conflito no
Oriente Médio, que passou a refletir, direta e indiretamente, no orçamento das
famílias da RMSP. Mesmo com o cessar-fogo, a normalização tende a ser mais
lenta. No momento, a atenção se intensifica, já que os grupos de alimentação e
transportes respondem por quase 45% do orçamento médio familiar, o que
compromete o equilíbrio financeiro das casas e contribui para aumento da
inadimplência.
Famílias de renda mais baixa são as mais afetadas
O aumento no custo de vida está relacionado ao
avanço mais intenso nos preços dos combustíveis e dos alimentos, repercutindo
ainda mais nas classes de renda mais baixa, com variações de 0,93% para a
classe D e de 0,86% para classe E. Para a classe A, a elevação foi de 0,61%.
No acumulado dos últimos 12 meses, as classes de
menor poder aquisitivo também foram as mais afetadas: 5,34% para classe E, e
5,22% para a classe D. Para as classes B e A, 4,57% e 4,78%, respectivamente —
visto que a distribuição de despesas é mais concentrada em grupos de alta
representatividade para as classes de menor poder aquisitivo [tabela 1].
[TABELA
1]
Custo de
vida por classe social — março de 2026
Fonte:
IBGE/FecomercioSP
Alta no transporte, com óleo diesel subindo 14,4%
O grupo de transporte foi um dos mais afetados
quanto à elevação no custo de vida, avançando 1,47%. O óleo diesel apresentou
alta de 14,4%, ao passo que a gasolina subiu 4,4% e o etanol, 1,3%. No segmento
de serviços, por sua vez, as passagens aéreas apontaram aumento de 7,8%. Por
faixa de renda, a expansão média foi ainda maior, com 2,77% para a classe D e
2,5% para a classe E, com variações significativas superiores às observadas nas
classes de maior renda (0,83% para a classe B e 0,87% para a classe A).
[TABELA
2]
Custo de
vida na Região Metropolitana de São Paulo — acumulado do ano
Fonte: IBGE/FecomercioSP
No grupo de alimentação e bebidas, a alta mensal
foi de 0,83%. Entre as faixas de renda, a variação chegou a 1% para a classe E
e acima do 0,79% registrado para a classe A. Esse comportamento reflete,
sobretudo, a elevação mais acentuada dos preços da alimentação no domicílio
(0,89%) em comparação com a alimentação fora do domicílio (0,73%), componente
que pesa mais fortemente no orçamento das famílias de menor renda. Em março, o
feijão-carioca, com alta de 15,6%, o tomate (12,2%) e os cortes de carne — como
acém (5%), alcatra (2,9%) e costela (2,3%) — foram os principais itens que
encareceram nos supermercados.
Os itens eletroeletrônicos, como o microcomputador,
com alta de 3,3%, e o televisor, com elevação de 2%, foram responsáveis pelo
avanço de 1,13% nos artigos do lar. O grupo de habitação foi influenciado por
produtos ligados a obras e reformas, como revestimento de piso e parede (2,4%),
além de cimento e tijolo, também com crescimento de 2,4% — peso mais relevante
para as famílias de maior renda.
Em saúde e cuidados pessoais, houve aumento tanto
no varejo — em itens de higiene e beleza — quanto nos medicamentos, com
destaque para hormônios (2,7%) e antibióticos (2,6%). Os planos de saúde
registraram aumento médio de 0,5%, enquanto os serviços odontológicos subiram
0,2%. Para o próximo mês, a tendência é de manutenção da pressão, em virtude do
período de reajuste dos medicamentos.
Na análise da FecomercioSP, a elevação recente na
cotação da arroba bovina e os fatores sazonais que reduzem a oferta de alguns
itens, além do encarecimento dos custos logísticos — pressionados pela alta do
óleo diesel —, começa a ser repassado aos preços, o que tende a pressionar o
grupo de alimentos dos lares nos próximos meses.
Nota
metodológica
CVCS
O Custo de Vida por Classe Social (CVCS), formado pelo Índice de Preços de Serviços (IPS) e pelo Índice de Preços do Varejo (IPV), utiliza informações da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e contempla as cinco faixas de renda familiar (A, B, C, D e E) para avaliar os pesos e os efeitos da alta de preços na Região Metropolitana de São Paulo em 247 itens de consumo. A estrutura de ponderação é fixa e baseada na participação dos itens de consumo obtida pela POF de 2008/2009 para cada grupo de renda e para a média geral. O IPS avalia 66 itens de serviços, e o IPV, 181 produtos de consumo.
FecomercioSP



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