Com prazo até
maio, profissionais do digital enfrentam maior cruzamento de dados pela Receita
e precisam revisar rendimentos para evitar malha fina e atrasos na restituição
A temporada do Imposto de Renda 2026 já começou e
acende um alerta para criadores de conteúdo, infoprodutores e profissionais do
mercado digital. Com o avanço do cruzamento de dados pela Receita Federal e
mudanças na tributação que acompanham a reforma tributária, erros simples podem
resultar em retenção na malha fina, atrasos na restituição e até autuações
fiscais.
Reinaldo
Boesso, CEO e cofundador da TMB
e especialista financeiro, afirma que o crescimento acelerado do mercado
digital ampliou a complexidade das declarações. “Muitos criadores recebem por
múltiplas plataformas, têm receitas em diferentes formatos e, em alguns casos,
misturam pessoa física e jurídica. Isso aumenta o risco de inconsistências se
não houver controle”, diz.
Dados da Receita Federal indicam que o Brasil deve
receber cerca de 43 milhões de declarações neste ano, com maior rigor na
verificação automática de informações. O uso de dados de instituições
financeiras, plataformas digitais e meios de pagamento ampliou a capacidade de
fiscalização, reduzindo espaço para omissões.
Para quem deixou a organização para a última hora,
ainda é possível reduzir riscos. O principal, segundo Reinaldo, é agir com
pragmatismo. “Quem não se organizou ao longo do ano precisa priorizar três
frentes, reunir todos os informes oficiais, cruzar as informações com
movimentações bancárias e evitar qualquer tipo de omissão de rendimento, mesmo
que pareça irrelevante.”
A declaração pré-preenchida, disponibilizada pela
Receita, aparece como uma alternativa rápida para reduzir erros. A ferramenta
já traz dados de fontes pagadoras, bancos e despesas médicas. “A declaração
pré-preenchida reduz significativamente o risco de erro, porque parte de dados
que já foram informados à Receita. Ainda assim, o contribuinte precisa revisar
tudo com atenção, principalmente rendimentos extras e ganhos não recorrentes”,
afirma.
No universo dos criadores, um dos principais pontos
de atenção está na diversificação de receitas. Monetização por plataformas,
vendas de cursos, mentorias e recebimentos via intermediadores financeiros
exigem organização detalhada. Segundo levantamento da própria TMB, mais de 70%
das transações no mercado de infoprodutos já ocorrem fora do cartão de crédito,
com uso de boleto parcelado e outras alternativas, o que amplia a quantidade de
registros financeiros a serem considerados .
Outro fator crítico é a documentação. Mesmo sem
controle ao longo do ano, ainda é possível reunir comprovantes essenciais. “Informes
de rendimento, recibos médicos e comprovantes de despesas dedutíveis precisam
estar organizados. Isso é fundamental caso a Receita solicite comprovação
depois”, explica o executivo.
Erros comuns de última hora seguem entre os
principais motivos de retenção. Divergências entre o que foi declarado por
empresas e o que o contribuinte informa continuam sendo a principal causa. “A
malha fina, na maioria das vezes, não acontece por fraude, mas por
inconsistência de dados. O sistema cruza tudo automaticamente”, afirma.
Além disso, a busca por restituição rápida pode levar
a decisões equivocadas. A Receita prioriza declarações sem erros, o que reforça
a importância da revisão. “Para receber a restituição sem problemas, o mais
importante não é a velocidade, mas a precisão. Declarar rápido e errado pode
atrasar muito mais do que revisar com calma e entregar corretamente”, diz.
A tendência, segundo especialistas, é que a digitalização e a reforma tributária ampliem ainda mais a fiscalização sobre rendimentos não tradicionais, incluindo atividades no ambiente digital. Para criadores de conteúdo, isso significa tratar a gestão financeira e tributária como parte estruturante do negócio, e não apenas uma obrigação anual.
Reinaldo Boesso - co-fundador e CEO da TMB, e formado em Análise de Sistemas. Possui pós-graduação em gestão empresarial e gestão de projetos e também é especialista financeiro, liderando times de M&A em fundos de investimento.
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Fontes consultadas
Receita Federal do Brasil
https://www.gov.br/receitafederal/pt-br
PNAD TIC IBGE
https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/populacao/17270-pnad-continua.html
Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL)
https://www.cndl.org.br
Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil)
https://www.spcbrasil.org.br
Associação Brasileira de Startups (Abstartups)
https://abstartups.com.br
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