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sábado, 14 de fevereiro de 2026

O impacto emocional do retorno às aulas: como acolher sem superproteger

Pressão, insegurança e sensação de reinício coexistem no começo do ano. Entender esse movimento ajuda o aluno a se reorganizar emocionalmente

 

O retorno às aulas marca mais do que a retomada da rotina acadêmica. Para muitos estudantes, especialmente entre o final do Fundamental e o início do Médio, esse momento ativa uma mistura complexa de emoções: empolgação, ansiedade, comparação, expectativa e medo de não corresponder. O adolescente volta tentando entender a si mesmo em um ambiente que também está se reorganizando. 

Segundo Hugo de Almeida, diretor do PB Colégio e Curso, o início do ano funciona como uma espécie de lupa emocional. “O aluno volta mais sensível. Ele avalia como os colegas o veem, como o professor o percebe, como ele mesmo se enxerga. Tudo parece maior nesse período”, afirma.
 

Por que o começo do ano mexe tanto com o emocional

Durante as férias, o estudante se desconecta de pressões. Com a volta, ele precisa recalibrar limites, expectativas e a própria autoconfiança. Isso vale para diferentes idades, mas aparece com intensidade maior na pré-adolescência e adolescência, quando fatores como humor, autoestima e imagem social se tornam centrais.

Hugo explica que o emocional do aluno influencia diretamente o rendimento:
“Quando ele está inseguro, ele participa menos, pergunta menos, se arrisca menos. Isso não é falta de interesse, é proteção emocional.”

Além disso, o retorno traz microtensões: reencontro com colegas, medo de fracassar, comparação com quem parece mais preparado, receio de não se adaptar à nova turma ou ao novo professor.
 

Acolher sem superproteger: o ponto de equilíbrio

Famílias e escolas normalmente oscilam entre duas posturas: exigir demais ou aliviar demais. Nenhuma das duas funciona. O que ajuda é o equilíbrio entre acolhimento e clareza.

Para Hugo, acolher não significa impedir a frustração. “Frustração é parte da construção emocional. Ajudar o aluno é mostrar que ele consegue lidar com ela. Superproteger é negar a oportunidade de amadurecimento.”

A postura ideal envolve ouvir sem dramatizar, orientar sem sufocar, e mostrar confiança antes de oferecer soluções prontas.
 

Estratégias emocionais que ajudam o aluno a se reencontrar

Hugo reforça que o estudante precisa de uma base emocional para entrar no ritmo cognitivo. Três atitudes fazem grande diferença nos primeiros dias:

• validar emoções reais, como insegurança e receio, sem transformar em problema

• oferecer previsibilidade (horários, rotina, ambiente de estudo)

• reforçar pequenas vitórias, não apenas desempenho ou produtividade 

“Quando o aluno percebe que o adulto confia na capacidade dele, ele relaxa. E quando relaxa, ele aprende melhor”, explica.
 

O que a escola pode fazer nesse período

No PB, reconhecido pela forte preparação para vestibulares e por um acompanhamento individualizado, as primeiras semanas são dedicadas à leitura emocional dos alunos. Professores observam humor, permanência, interação social, resistência à frustração e necessidade de apoio. 

“O objetivo é identificar rapidamente quem precisa de suporte emocional para evitar que a insegurança se transforme em dificuldade acadêmica. A intervenção correta no momento certo muda o ano inteiro do estudante”, afirma Hugo. 

Para o diretor, o retorno às aulas deve ser visto como um período de adaptação, não de desempenho.
“O aluno não precisa começar perfeito, precisa começar. O emocional dele precisa ser respeitado. Quando a escola e a família caminham juntas, o estudante se sente forte para enfrentar o ano”, conclui Hugo de Almeida, diretor do PB Colégio e Curso.

 

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