Ainda cercada por mitos, o que muitas vezes dificulta o diagnóstico precoce, a leucemia é um tipo de câncer que afeta as células do sangue, com origem na medula óssea, levando à produção anormal de glóbulos brancos. Ela pode acometer pessoas de todas as idades, com comportamentos e evoluções muito diferentes. Além disso, enquanto algumas formas avançam rapidamente, outras permanecem silenciosas por anos e são descobertas por acaso.
No Fevereiro Laranja, campanha de conscientização sobre a doença,
a hematologista Lisa Aquaroni Ricci, do Instituto de Oncologia de Sorocaba
(IOS), esclarece fatos pouco conhecidos sobre a leucemia e ajuda a
desmistificar sinais, riscos e possibilidades de tratamento.
1.
A leucemia pode surgir em qualquer fase da vida
Ao contrário do que muitos imaginam, a leucemia não é uma doença
restrita a uma única faixa etária. Ela pode acometer crianças, adultos e
idosos. “A leucemia pode acontecer em qualquer idade. Ela não é exclusiva de crianças
ou de pessoas mais velhas, embora alguns tipos sejam mais comuns em
determinadas fases da vida”, explica a médica.
Na infância, o tipo mais frequente é a leucemia linfoblástica
aguda. Segundo a especialista, hoje em dia a maioria das crianças apresenta
grandes chances de cura quando o tratamento adequado é iniciado precocemente.
Já nos adultos, podem surgir diferentes tipos da doença, enquanto em idosos,
especialmente após os 60 anos, é mais comum a leucemia linfóide crônica.
2.
Na maioria dos casos, não existe uma causa única
Outro ponto importante é entender que, na maior parte das vezes,
não há um único fator responsável pelo surgimento da leucemia. “Alguns fatores
podem aumentar o risco, como idade mais avançada, tratamentos prévios com quimioterapia
ou radioterapia e exposição prolongada a produtos químicos ou radiação, mas não
existe uma causa única”, afirma Lisa Ricci.
Por conta disso, é fundamental combater a culpa que muitas pessoas
sentem após o diagnóstico. “A maioria dos pacientes não fez nada de errado e
não poderia ter evitado a doença", diz.
3.
Nem toda leucemia é agressiva
Apesar da imagem de doença grave e rapidamente progressiva, a
leucemia nem sempre evolui de forma agressiva. Existem leucemias agudas, que se
desenvolvem rapidamente, e leucemias crônicas, que podem crescer lentamente ao
longo de anos. Cada tipo de leucemia tem um comportamento próprio, e isso
influencia diretamente na forma como a doença é acompanhada e tratada.
4.
Algumas leucemias não causam sintomas no início
É verdade que certos tipos de leucemia, especialmente as crônicas,
podem não provocar sintomas no início. Nesses casos, a pessoa se sente bem,
leva uma vida normal e a doença acaba sendo descoberta por acaso, em um exame
de sangue de rotina. Isso é relativamente comum e mostra a importância dos
exames periódicos, mesmo quando não há queixas.
5. A leucemia pode afetar outros órgãos além do sangue
A leucemia tem início na medula óssea, que é a fábrica do sangue,
mas pode atingir outros órgãos. Gânglios linfáticos podem aumentar no pescoço,
axilas ou virilha; o baço pode crescer e causar sensação de estufamento,
desconforto abdominal ou saciedade precoce; e o fígado também pode aumentar,
provocando alterações nos exames ou desconforto abdominal.
Em situações mais raras, alguns tipos de leucemia podem atingir o
sistema nervoso central, como o cérebro ou a medula espinhal, causando sintomas
como dor de cabeça persistente, visão dupla ou formigamentos. “Por isso, em
determinados casos, indicamos tratamento preventivo para essa região”, explica
a médica. Ela ressalta que nem todos os pacientes apresentam esses
acometimentos e que muitas pessoas têm apenas alterações no sangue, visto que
cada tipo de leucemia se comporta de forma diferente.
6.
No início, a leucemia pode ser confundida com doenças comuns
Os sintomas iniciais da leucemia costumam ser inespecíficos e
podem se parecer com problemas frequentes do dia a dia. Febre, cansaço e dores
no corpo podem lembrar uma infecção; fraqueza, palidez e falta de ar podem ser
confundidas com anemia por deficiência de vitaminas; e manchas roxas ou
sangramentos fáceis podem sugerir distúrbios de coagulação.
“Isoladamente, esses sintomas geralmente têm causas simples. Mas,
quando persistem, aparecem em conjunto ou pioram, é fundamental procurar
avaliação médica”, orienta a especialista.
7.
Nem toda leucemia é tratada com quimioterapia
Atualmente, nem todas as leucemias exigem tratamento com
quimioterapia tradicional. Algumas crescem lentamente e podem ser apenas
acompanhadas, sem necessidade de tratamento imediato, como ocorre em certos
casos de leucemia linfóide crônica. Outras precisam de tratamento rápido, mas
contam com alternativas modernas.
Entre as opções estão terapias-alvo, que agem
diretamente nas células doentes, imunoterapia, transplante de medula óssea e a
terapia CAR-T, indicada em situações específicas. “O tipo de tratamento depende
do tipo de leucemia, da fase da doença e das condições clínicas de cada
paciente”, conclui Dra. Lisa.
Instituto de Oncologia de Sorocaba
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