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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Queda nos casos de dengue em 2026 não elimina risco de quadros graves, alertam especialistas da Rede Mater Dei

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Janeiro registra redução significativa em comparação às epidemias de 2024 e 2025, mas riscos da reinfecção exigem cautela. Imunização avança em cidades como Nova Lima com vacina do Butantan 

 

O início de 2026 trouxe um cenário epidemiológico distinto para a dengue no Brasil. Embora o verão continue marcado por calor e chuvas intensas — combinação ideal para a proliferação do mosquito Aedes aegypti — os números preliminares indicam uma desaceleração nas infecções em comparação aos anos anteriores. Segundo o Painel de Monitoramento de Arboviroses, ferramenta do Ministério da Saúde, somente em janeiro de 2026, foram contabilizados mais de 44 mil casos. Esse número é significativamente menor do que os observados em anos anteriores: em janeiro de 2024, foram mais de 300 mil casos prováveis. No mesmo período de 2025, foram quase 100 mil. 

Mas o que pode ter levado a essa diminuição? De acordo com a Dra. Silvana Barros, infectologista, mestre em microbiologia e Chefe do Serviço de Epidemiologia e Controle de Infecção Hospitalar da Rede Mater Dei de Saúde, a variação no número de casos de dengue é complexa e depende de múltiplos fatores. 

“A dengue historicamente apresenta ciclos epidêmicos, com anos de alta circulação seguidos por anos de menor incidência. Além disso, a circulação significativa nos anos anteriores pode ter levado a uma imunização natural de parte da população, uma vez que a alta incidência da doença em um período pode levar a um grande número de pessoas com imunidade para o sorotipo circulante, reduzindo o número de indivíduos suscetíveis a esse sorotipo específico”, aponta a especialista. “O avanço da vacinação contra a doença também pode impactar na redução dos casos. O conceito de ‘esgotamento de suscetíveis’ é a base do efeito rebanho da vacina. Ao vacinar, o objetivo é remover o indivíduo suscetível, o que quebra o ciclo de transmissão entre o vetor (Aedes aegypti) e o hospedeiro humano. Com menos hospedeiros, a doença tem menos chances de circular.”
 

Riscos da reinfecção e da automedicação

Apesar do atual alívio nas estatísticas, o momento exige atenção redobrada para os casos de reinfecção, que tendem a ser mais agressivos. A imunidade adquirida após contrair um dos quatro sorotipos da dengue (DENV-1, 2, 3 ou 4) é permanente apenas para aquele tipo específico. 

"O risco de desenvolver a forma grave da doença é significativamente maior na segunda infecção, especialmente se causada por um sorotipo diferente do primeiro", alerta a Dra. Silvana. Isso ocorre devido a um fenômeno conhecido como Aumento Dependente de Anticorpos (ADE - Antibody-Dependent Enhancement), em que os anticorpos da primeira infecção se ligam ao novo vírus e, em vez de destruí-lo, facilitam a sua entrada nas células de defesa, resultando em uma replicação viral muito maior e na resposta imunológica mais agressiva, processo que pode desencadear a dengue grave. Além disso, a circulação de sorotipos como o DENV-2 historicamente está associada a maiores chances de choque por dengue. 

Em caso de suspeita de dengue, com a apresentação de sintomas como febre alta, dor no corpo, dor nas juntas, no fundo dos olhos ou de cabeça, manchas pelo corpo e diarreia, o recomendado é que as pessoas procurem assistência médica e não se automediquem. 

“A automedicação é muito perigosa na dengue porque existem algumas substâncias que aumentam o risco de complicações (como sangramentos) e, portanto, não devem ser utilizadas, incluindo algumas medicações para o controle de dor e febre. Um exemplo são os anti-inflamatórios como o ácido acetilsalicílico, conhecido como aspirina”, alerta o Dr. Victor Castro Lima, infectologista do Hospital Mater Dei Salvador. “Caso esteja com sintomas de dengue, a pessoa deve procurar uma avaliação médica para ver se realmente a suspeita é compatível ou não e seguir as orientações que o médico determina.”
 

Vacinação e prevenção

O cenário de 2026 também é marcado pela esperança da nova vacina do Instituto Butantan (Butantan-DV). O Ministério da Saúde iniciou uma ação piloto utilizando o imunizante, que é de dose única, em três municípios, incluindo Nova Lima (MG) — cidade onde a Rede Mater Dei possui unidade – Botucatu (SP) e Maranguape (CE). 

"A vacina do Butantan demonstrou 89% de proteção contra a dengue grave em testes. Por ser dose única, facilita muito as campanhas e busca reduzir drasticamente a circulação do vírus pelo efeito rebanho", destaca a Dra. Silvana. 

No entanto, o Dr. Victor Castro lembra que a adesão à vacina Qdenga, disponível anteriormente, foi baixa. "Até o momento, menos de 40% da população elegível se vacinou. É frustrante ter uma ferramenta disponível contra uma doença potencialmente grave e letal, que causa surtos e epidemias no nosso país há décadas, e ela não chegar efetivamente à população", pontua o médico. 

Além da imunização, as medidas de barreira mecânica e controle ambiental continuam indispensáveis, especialmente diante das condições climáticas atuais. O Dr. Victor ressalta que o verão em regiões tropicais, marcado por calor e chuvas, cria o cenário perfeito para a explosão populacional do vetor. "A chuva acumula água e o calor estimula a proliferação dos mosquitos. É o fator ideal. Se não estivermos atentos a esses criadouros, isso favorece o desenvolvimento deles e a transmissão de doenças". Por isso, a recomendação é manter a rotina de eliminação de qualquer foco de água parada, vedar reservatórios e utilizar repelentes e telas de proteção como medidas profiláticas complementares.

   

Rede Mater Dei de Saúde.

 

Unidades

Minas Gerais: Hospital Mater Dei Santo Agostinho, Hospital Mater Dei Contorno, Hospital Mater Dei Betim-Contagem, Hospital Mater Dei Nova Lima, Hospital Mater Dei Santa Genoveva, CDI Imagem e Hospital Mater Dei Santa Clara.

Bahia: Hospital Mater Dei Salvador e Hospital Mater Dei Emec

Goiás: Hospital Mater Dei Goiânia

 

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