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| Joaquincorbalan |
Com aumento de
quase 90% no consumo em 2025, medicamentos exigem cuidado integral com a saúde.
Medicina estética é aliada fundamental no processo de emagrecimento
O Brasil registrou um aumento de 88% no uso de
canetas emagrecedoras em 2025, consolidando-se como o segundo maior mercado do
mundo em buscas por medicamentos como Monjauro, Ozempic, Saxenda e Wegovy. O
crescimento explosivo acompanha dados alarmantes: 62,6% da população brasileira
está com excesso de peso, e a obesidade dobrou, atingindo 25,7% dos
brasileiros, segundo o Ministério da Saúde.
Diante desse cenário, a médica nutróloga e especialista
em dermatologia estética Vanessa Penteado alerta para os efeitos colaterais
visíveis do emagrecimento rápido e reforça a importância do acompanhamento
médico multidisciplinar. "As canetas emagrecedoras mudaram a história do
tratamento da obesidade, mas não é uma caneta estética, é um medicamento. E
medicamento precisa de critério", afirma.
As chamadas canetas emagrecedoras são medicamentos
injetáveis originalmente desenvolvidos para o tratamento do diabetes tipo 2,
mas que hoje também têm indicação formal para obesidade. Elas atuam em
hormônios intestinais, principalmente o GLP-1 e, em alguns casos, o GIP, que
regulam a saciedade, o esvaziamento gástrico e o controle do apetite. Em termos
simples, elas ajudam o cérebro a entender que o corpo já está satisfeito, reduzindo
a fome e a compulsão alimentar.
"Vivemos uma verdadeira epidemia de obesidade.
Essas medicações trouxeram algo que antes era raro: perda de peso
significativa, sustentada e com melhora metabólica real", destaca a
especialista. Os benefícios incluem redução do peso corporal, melhora da
glicemia, queda da resistência à insulina, redução do risco cardiovascular e
melhora da autoestima. No entanto, a perda de peso rápida pode gerar efeitos
colaterais importantes. Entre eles estão náuseas, vômitos, refluxo,
constipação, perda de massa muscular (sarcopenia), flacidez facial e corporal e
envelhecimento precoce da pele — fenômenos conhecidos como "Ozempic
face" e "Ozempic body".
Para Vanessa Penteado, o impacto na saúde vai além
do peso. "Quando bem indicada, a caneta melhora a saúde metabólica. Quando
mal indicada, ela pode trocar um problema por outro."
Terapia regenerativa e
preparação da pele
A especialista enfatiza que a medicina estética tem
papel essencial nesse processo e destaca uma abordagem que vem ganhando força:
a preparação regenerativa da pele antes dos tratamentos específicos. "Eu
sempre falo que preciso arar, adubar, para depois plantar. É um conceito que
uso muito e que tem sido amplamente discutido nos congressos de medicina
estética", explica.
Segundo a médica, a preparação da pele envolve o
uso de laser e terapia regenerativa com exossomos, esperma de salmão e
vitaminas. "Aramos a pele para depois plantarmos os tratamentos. Isso é
fundamental, principalmente quando pensamos em condições inflamatórias como
melasma e acne. Hoje sabemos cada vez mais que precisamos tratar o organismo de
dentro para fora, melhorando toda a parte inflamatória, para que o paciente
tenha resposta melhor no tratamento e não sofra com efeito rebote."
Medicina oral: cuidado de
dentro para fora
Vanessa Penteado ressalta ainda a importância da
medicina oral como complemento aos tratamentos estéticos externos. "Tratar
de dentro para fora potencializa os resultados. Quando associamos suplementação
adequada e cuidado nutricional aos procedimentos dermatológicos, observamos
respostas muito superiores e mais duradouras", afirma.
Tratamentos corporais em alta
Com o aumento do uso das canetas emagrecedoras, os
tratamentos de flacidez corporal estão em alta demanda. A médica aponta as
principais tecnologias e protocolos utilizados: ultrassom microfocado,
radiofrequência monopolar e bioestimuladores de colágeno, tanto injetáveis
quanto linhas de sustentação, como o Aptos.
"Uma região que merece atenção especial é a
glútea. Com o emagrecimento rápido, o bumbum cai muito rápido. Temos trabalhado
com protocolos que associam bioestimulador de colágeno com preenchimento de
ácido hialurônico para manter a harmonia dessa região", explica Vanessa.
Após o emagrecimento, a pele nem sempre acompanha a
perda de volume. O resultado são flacidez, queda de contorno e envelhecimento
facial e corporal que impactam não apenas a aparência, mas a autoestima e a
qualidade de vida do paciente. "Tecnologias e tratamentos adequados em
dermatologia estética ajudam a restaurar harmonia, firmeza e autoestima. Não
estamos falando de estética por estética, mas de preservar a saúde da pele como
parte fundamental do tratamento", reforça.
A médica faz um alerta importante para quem está considerando
ou já utiliza o medicamento: "As canetas emagrecedoras são uma revolução
no tratamento da obesidade, mas não substituem acompanhamento médico,
alimentação adequada e cuidado com o corpo como um todo. O acompanhamento
multidisciplinar não é um luxo, é uma necessidade", conclui a
especialista.

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