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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Conservantes alimentares são associados a maior risco de câncer

Atenção à composição dos alimentos é principal recomendação diante do avanço dos industrializados
 

Conservantes alimentares podem estar associados a um aumento no risco de alguns tipos de câncer, como mama, próstata e cólon. É o que aponta um estudo conduzido por pesquisadores da Université Sorbonne Paris Nord e da Universidade Paris Cité, na França, divulgado no início de 2026. Embora a pesquisa não estabeleça uma relação direta de causa e efeito, os autores indicam que a exposição contínua a aditivos químicos merece atenção. Para a nutricionista Cynthia Howlett, especializada em nutrição esportiva e coordenadora de Projetos Educacionais e Sustentáveis da Sanutrin, o alerta reforça a importância de o consumidor observar com mais cuidado a composição dos alimentos antes da compra, especialmente diante da ampla oferta de produtos industrializados com forte apelo visual. 

“A maioria dos produtos, para conseguirem ser mais atrativos, geralmente têm uma cor mais forte, principalmente quando se fala de criança. Tudo o que é colorido é mais atrativo. Por isso, hoje muitos ultraprocessados e industrializados têm muita cor, muito sabor e boa textura, por conta dos aditivos químicos. Grande parte desses alimentos com cores mais intensas utiliza aditivos artificiais, que deixam o gosto mais marcante, a cor mais vibrante e chamam mais a atenção do consumidor”, explica. 

Segundo Cynthia, esse efeito é resultado do uso combinado de corantes, conservantes, aromatizantes e realçadores de sabor, empregados para padronizar a aparência, prolongar a validade e intensificar o gosto dos alimentos. “Os aditivos mais presentes são os corantes vermelho 40, caramelo, azul, enfim, os corantes artificiais, muito usados para dar cor e chamar a atenção. Há também os conservantes, como sorbato e benzoato de sódio, e os realçadores de sabor, como o glutamato monossódico”, comenta. 

Entre os conservantes mais comuns estão o nitrato de sódio, presente em carnes processadas como bacon, salsicha e salame, e o sorbato de potássio, utilizado em doces, coberturas, condimentos e carnes industrializadas. Também aparecem os sulfitos, encontrados em biscoitos, cereais, sucos engarrafados e embutidos, além de acetatos e ácido acético, empregados em produtos de panificação e refeições prontas.

Cinthya destaca, ainda, o impacto nutricional do consumo frequente desses alimentos. “Do ponto de vista nutricional, a gente perde a propriedade natural do alimento. Um açaí, por exemplo, que tem propriedade antioxidante, é uma fruta super rica, com uma gordura considerada boa, mas quando se mistura com xarope, corante e açúcar, acaba perdendo essas características”, afirma.

Segundo ela, além da perda nutricional, esses produtos podem estar associados a processos inflamatórios, alergias e sintomas como dores de cabeça e alterações intestinais, que nem sempre são imediatamente relacionados à alimentação.

Outro ponto levantado é a dificuldade de identificação desses aditivos nos rótulos. “A rotulagem aqui no Brasil ainda é muito fraca em relação a esses aditivos. Hoje, temos a lupa que indica alto teor de sódio, gordura ou açúcar, mas não especifica de fato os corantes, os aditivos e os realçadores de sabor”, diz.

Para a nutricionista, a informação é fundamental para escolhas mais conscientes. “O consumidor precisa estar mais informado, entender os ingredientes, a composição do alimento que está sendo comprado e procurar decifrar esses nomes”, conclui, ao reforçar a importância do hábito de leitura de rótulos antes da compra.

A seguir, três dicas que podem ajudar no momento da compra:

• Observe as cores, tons muito vibrantes e padronizados costumam indicar o uso de corantes artificiais;

• Leia a lista de ingredientes, uma vez que a rotulagem frontal não detalha aditivos. É ali que aparecem corantes, conservantes e realçadores de sabor;

• Priorize alimentos naturais ou minimamente processados, que reduzem a exposição frequente a aditivos artificiais.
 

Cynthia Howlett - jornalista e nutricionista formada pela Estácio de Sá, especializada em nutrição esportiva e psiconutrição. Hoje é coordenadora de Projetos Educacionais e Sustentáveis da Sanutrin. Já foi apresentadora de programas da GNT e SporTV.




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