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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Anvisa amplia indicação da vacina contra HPV para outros tipos de câncer além do de colo de útero

Vírus do papiloma humano está associado ao aumento de tumores de garganta, língua e amígdalas em homens


 A vacina contra o HPV é mais reconhecida como meio para prevenção do câncer do colo do útero, mas o vírus do papiloma humano está associado também ao aumento de tumores de garganta, língua e amígdalas em homens. Agora, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nova indicação terapêutica para a vacina Gardasil 9, que passa a valer para a prevenção de cânceres de orofaringe, cabeça e pescoço associados ao HPV.

Antes, a indicação da Anvisa visava apenas a prevenção de cânceres do colo do útero, da vulva, da vagina e do ânus; de lesões pré-cancerosas ou displásicas; de verrugas genitais e infecções persistentes causadas pelo vírus.

O HPV-16 está associado ao câncer de orofaringe (amígdalas e base da língua), que é transmitido principalmente por sexo oral. Entre os anos de 1997 e 2013, mais que dobraram em São Paulo os casos de câncer de orofaringe ligados ao HPV, explica o oncologista Fernando Medina, do Centro de Oncologia Campinas.

 “Mais incidente em homens, essa doença registrou crescimento global nos últimos anos, apesar da existência de um eficiente meio de prevenção, a vacina HPV”, reforça o médico. “A vacina reduz a circulação do HPV e previne também cânceres anogenitais e orofaríngeos nos homens”.

Em comunicado, a Anvisa destacou que “a nova indicação é fundamentada na prevenção da infecção persistente pelos tipos de HPV oncogênicos, reconhecidos como principais causadores desses cânceres, bem como na demonstração de resposta imunológica robusta contra esses tipos virais”.


 O que é

O câncer da boca e orofaringe é o quinto tumor mais frequente em homens no Brasil. Afeta os lábios e estruturas da boca como gengivas, bochechas, céu da boca (palato), língua (principalmente as bordas) e a região embaixo da língua (assoalho da boca). De acordo com o Instituto Nacional do Câncer, a maioria dos casos é diagnosticada tardiamente, quando a doença já se encontra em estágios avançados.

Ainda segundo o Inca, a estimativa é de 17.190 novos casos de câncer de boca no Brasil para cada ano do triênio 2026/2028. São previstos 7.172 óbitos pela doença, sendo 5.486 homens e 1.686 mulheres (Atlas de Mortalidade por Câncer - SIM, 2023).

Entre os sinais e sintomas da doença destacam-se lesões na cavidade oral ou nos lábios que não cicatrizam por mais de 15 dias; manchas vermelhas ou esbranquiçadas na língua, gengivas, céu da boca ou bochechas; rouquidão persistente; dificuldade para mastigar ou engolir e sensação de que há algo preso na garganta.


 A vacina

A vacina contra o HPV é distribuída gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), para meninas e meninos de 9 a 14 anos. O Ministério da Saúde ampliou para o primeiro semestre de 2026 o resgate vacinal de jovens de 15 a 19 anos que não receberam ainda a vacina contra o HPV.

 O novo esquema vacinal é de apenas uma dose. “A vacinação ocorre nesta idade porque antes do início da vida sexual, a proteção é maior. A resposta imune passa de 90%”, detalha Fernando Medina. No Brasil, números mostram que o país superou a média global em 2024, atingindo a cobertura vacinal de 82% das meninas. Porém, somente 67% dos meninos de 9 a 14 anos foram vacinados contra o HPV.


 Prevenção

A prevenção primária contra os cânceres relacionados ao HPV envolve, além da estratégia de vacinação – a medida isolada mais eficaz para reduzir infecção, verrugas anogenitais e, no longo prazo, lesões precursoras e câncer –, as seguintes ações, segundo Fernando Medina:

·        Uso de preservativo (reduz, mas não elimina o risco, pois HPV transmite por contato pele–pele).

·        Evitar tabagismo.

·        Redução de ISTs (Infecção Sexualmente Transmissível) com testagem/tratamento oportuno.

·        Educação sexual e cobertura vacinal ampla em meninos e meninas para criar proteção de rebanho.

·        Prevenção secundária (rastreio):rastreio serve para detectar lesões precursoras (NIC2/3, HSIL) e tratá-las antes de evoluir a câncer.

 

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