Vírus do papiloma humano está associado ao
aumento de tumores de garganta, língua e amígdalas em homens
A vacina contra o HPV é mais
reconhecida como meio para prevenção do câncer do colo do útero, mas o vírus do
papiloma humano está associado também ao aumento de tumores de garganta, língua
e amígdalas em homens. Agora, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(Anvisa) aprovou nova indicação terapêutica para a vacina Gardasil 9, que passa
a valer para a prevenção de cânceres de orofaringe, cabeça e pescoço associados
ao HPV.
Antes, a indicação da Anvisa visava
apenas a prevenção de cânceres do colo do útero, da vulva, da vagina e do ânus;
de lesões pré-cancerosas ou displásicas; de verrugas genitais e infecções
persistentes causadas pelo vírus.
O HPV-16 está associado ao câncer de
orofaringe (amígdalas e base da língua), que é transmitido principalmente por
sexo oral. Entre os anos de 1997 e 2013, mais que dobraram em São Paulo os
casos de câncer de orofaringe ligados ao HPV, explica o oncologista Fernando
Medina, do Centro de Oncologia Campinas.
“Mais incidente em homens, essa
doença registrou crescimento global nos últimos anos, apesar da existência de
um eficiente meio de prevenção, a vacina HPV”, reforça o médico. “A vacina
reduz a circulação do HPV e previne também cânceres anogenitais e orofaríngeos
nos homens”.
Em comunicado, a Anvisa destacou que “a
nova indicação é fundamentada na prevenção da infecção persistente pelos tipos
de HPV oncogênicos, reconhecidos como principais causadores desses cânceres,
bem como na demonstração de resposta imunológica robusta contra esses tipos
virais”.
O que é
O câncer da boca e orofaringe é o
quinto tumor mais frequente em homens no Brasil. Afeta os lábios e estruturas
da boca como gengivas, bochechas, céu da boca (palato), língua (principalmente
as bordas) e a região embaixo da língua (assoalho da boca). De acordo com o
Instituto Nacional do Câncer, a maioria dos casos é diagnosticada tardiamente,
quando a doença já se encontra em estágios avançados.
Ainda segundo o Inca, a estimativa é de
17.190 novos casos de câncer de boca no Brasil para cada ano do triênio
2026/2028. São previstos 7.172 óbitos pela doença, sendo 5.486 homens e 1.686
mulheres (Atlas de Mortalidade por Câncer - SIM, 2023).
Entre os sinais e sintomas da doença
destacam-se lesões na cavidade oral ou nos lábios que não cicatrizam por mais
de 15 dias; manchas vermelhas ou esbranquiçadas na língua, gengivas, céu da
boca ou bochechas; rouquidão persistente; dificuldade para mastigar ou engolir
e sensação de que há algo preso na garganta.
A vacina
A vacina contra o HPV é distribuída
gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), para meninas e meninos de 9 a
14 anos. O Ministério da Saúde ampliou para o primeiro semestre de 2026 o
resgate vacinal de jovens de 15 a 19 anos que não receberam ainda a vacina contra
o HPV.
O novo esquema vacinal é de
apenas uma dose. “A vacinação ocorre nesta idade porque antes do início da vida
sexual, a proteção é maior. A resposta imune passa de 90%”, detalha Fernando
Medina. No Brasil, números mostram que o país superou a média global em 2024,
atingindo a cobertura vacinal de 82% das meninas. Porém, somente 67% dos
meninos de 9 a 14 anos foram vacinados contra o HPV.
Prevenção
A prevenção primária contra os cânceres
relacionados ao HPV envolve, além da estratégia de vacinação – a medida isolada
mais eficaz para reduzir infecção, verrugas anogenitais e, no longo prazo,
lesões precursoras e câncer –, as seguintes ações, segundo Fernando Medina:
·
Uso de preservativo (reduz, mas não
elimina o risco, pois HPV transmite por contato pele–pele).
·
Evitar tabagismo.
·
Redução de ISTs (Infecção Sexualmente
Transmissível) com testagem/tratamento oportuno.
·
Educação sexual e cobertura vacinal
ampla em meninos e meninas para criar proteção de rebanho.
·
Prevenção secundária
(rastreio):rastreio serve para detectar lesões precursoras (NIC2/3, HSIL) e
tratá-las antes de evoluir a câncer.
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