O marketing vive um paradoxo: embora dominemos métricas de performance como cliques e ROAS, a fidelização real tornou-se um ativo escasso. O produto, como protagonista absoluto, perdeu sua capacidade de diferenciação. Na economia da abundância, a transação financeira representa apenas o desfecho de uma relação mais complexa. As verdadeiras moedas de troca sustentáveis hoje são a inspiração, a vivência e o propósito.
Ao longo das últimas três décadas
de mercado, assisti empresas surgirem e desaparecerem baseadas em atributos
funcionais ou em campanhas de marketing eficientes: "mais rápido",
"mais barato", "mais durável" ou mesmo “mais divertida,
mais amiga, mais ousada . Isso funcionou em cenários de oferta limitada e
consumidores passivos.
Hoje, a economia global e a disrupção
tecnológica transformaram o marketing dos 4 P’s numa ferramenta ineficiente .
Para ser ouvido, não basta gritar mais alto: é preciso ter autenticidade,
relevância e profundidade.
O consumidor moderno percebe a virada
de chave das empresas que entenderam o novo papel estratégico do Marketing de
Experiência. O encantamento do público não reside apenas na mensagem bonita,
nos algoritmos reveladores, mas na conexão visceral com os fãs. Somos todos tão
bombardeados por estímulos e solicitados por atenção, que acabamos
desenvolvendo um mecanismo de defesa automático contra o "blá blá
blá" obsoleto dos discursos ocos que tanto prometem mas nada
entregam.
Hoje, o ato da compra é uma busca por
pertencimento e pela construção de memórias, o produto é apenas o suporte
físico dessa conexão emocional. Experiências memoráveis criam esse diferencial.
O consumo contemporâneo é, antes de
tudo, um manifesto de identidade. Onde o verdadeiro Marketing de
Experiência transcende a estética dos eventos 'instagramáveis' e exige a
construção de uma narrativa que reflita o seu DNA em cada ponto de contato da
jornada do cliente. É transformar sua marca em um capítulo relevante na
história de vida de quem consome. Afinal, a sensação de pertencimento e o
alinhamento de valores são ativos potentes e irreplicáveis.
Líderes cujo foco permanece restrito
exclusivamente ao volume de vendas, a campanhas criativas e ao retorno aos
acionistas, estão gerenciando operações que caminham para a invisibilidade
estratégica.
Deixo uma provocação fundamental: se o
seu produto deixasse de existir amanhã, a humanidade sentiria falta? Se a
resposta for negativa ou “não sei”, você provavelmente já ficou para trás. Você
não possui uma empresa ou marca sólida, possui apenas um inventário volátil.
Porque na era do propósito, o legado, os fãs e a relevância cultural são
eternos e fazem história.
Alain S. Levi - fundador e CEO da
Motivare e autor do livro Marketing sem blá blá blá: inspirações para a
transformação cultural na era do propósito
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