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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

A provocação que define o novo Marketing:O mundo é um lugar melhor por seu produto existir?

O marketing vive um paradoxo: embora dominemos métricas de performance como cliques e ROAS, a fidelização real tornou-se um ativo escasso. O produto, como protagonista absoluto, perdeu sua capacidade de diferenciação. Na economia da abundância, a transação financeira representa apenas o desfecho de uma relação mais complexa. As verdadeiras moedas de troca sustentáveis hoje são a inspiração, a vivência  e o propósito.

Ao longo das últimas  três décadas de mercado, assisti empresas surgirem e desaparecerem baseadas em atributos funcionais ou em campanhas de marketing eficientes: "mais rápido", "mais barato", "mais durável" ou mesmo “mais divertida, mais amiga, mais ousada . Isso funcionou em cenários de oferta limitada e consumidores passivos. 

Hoje, a economia global e a disrupção tecnológica transformaram o marketing dos 4 P’s numa ferramenta ineficiente . Para ser ouvido, não basta gritar mais alto: é preciso ter autenticidade, relevância e profundidade.

O consumidor moderno percebe a virada de chave das empresas que entenderam o novo papel estratégico do Marketing de Experiência. O encantamento do público não reside apenas na mensagem bonita, nos algoritmos reveladores, mas na conexão visceral com os fãs. Somos todos tão bombardeados  por estímulos e solicitados por atenção, que acabamos desenvolvendo um mecanismo de defesa automático contra o "blá blá blá" obsoleto dos discursos ocos que tanto prometem mas nada entregam. 

Hoje, o ato da compra é uma busca por pertencimento e pela construção de memórias, o produto é apenas o suporte físico dessa conexão emocional. Experiências memoráveis criam esse diferencial.

O consumo contemporâneo é, antes de tudo, um manifesto de identidade.  Onde o verdadeiro Marketing de Experiência transcende a estética dos eventos 'instagramáveis' e exige a construção de uma narrativa que reflita o seu DNA em cada ponto de contato da jornada do cliente. É transformar sua marca  em um capítulo relevante na história de vida de quem consome. Afinal, a sensação de pertencimento e o alinhamento de valores são ativos potentes e irreplicáveis.

Líderes cujo foco permanece restrito exclusivamente ao volume de vendas, a campanhas criativas e ao retorno aos acionistas, estão gerenciando operações que caminham para a invisibilidade estratégica. 

Deixo uma provocação fundamental: se o seu produto deixasse de existir amanhã, a humanidade sentiria falta? Se a resposta for negativa ou “não sei”, você provavelmente já ficou para trás. Você não possui uma empresa ou marca sólida, possui apenas um inventário volátil. Porque na era do propósito, o legado, os fãs e a relevância cultural são eternos e fazem história.

 

Alain S. Levi - fundador e CEO da Motivare e autor do livro Marketing sem blá blá blá: inspirações para a transformação cultural na era do propósito


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